{#340.26.2022}

Dia de regresso ao trabalho presencial. Significa sair de casa uma hora antes do nascer do Sol e chegar a casa tarde, mas de boleia não tão tarde como o previsto.

Foi bom regressar. Voltar às rotinas. Voltar às pessoas. Simplesmente voltar. Ocupar a cabeça para não pensar no que não me faz bem.

E o caminho da descoberta está aberto. Não me vai levar a lado nenhum, sei exactamente o que vem dali, mas deixo-me ir. Para já está a ser interessante e engraçado. E está a relembrar-me que estou viva. É uma massagem ao ego? É. Se é mais do que isso? Não.

Reconheço aqui histórias passadas. De outros tempos, outra vida. E dou por mim a pensar que isto também sou eu, também faz parte de mim. Seja lá isto o que for.

Um dia de cada vez. Sem pressa. E, estou a aprender, também sem vagar. Mas, decididamente, sem olhar para trás. Os últimos cinco anos não são para esquecer, mas são para ficar lá atrás. O silêncio continua. E, desta vez, não vou contar os dias. Começo, devagarinho, a soltar e deixar ir. Continuo zangada, mas neste momento já não quero saber. O jantar? Sei desde o primeiro momento que não vai acontecer. E mantenho uma ideia: quem quer saber, pergunta. Quem não quer, paciência. Não sou eu que perco.

{#339.27.2022}

Segunda feira e o trabalho a partir de casa terminou hoje.

De resto, o que já esperava: silêncio.

Não quero saber. Não estou preocupada com o jantar que não vai acontecer. Decidi que é tempo de partir à descoberta. E, para já, está a ser interessante.

Um dia de cada vez. Sem pressa. Amanhã? Será melhor. E logo se vê.

{#338.28.2022}

A esplanada do costume fecha ao Domingo, mas não é por isso que deixa de haver o café de fim de dia, o meu momento comigo mesma.

Hoje foi dia de consulta com o terapeuta fofinho e falámos daquela coisa de me descobrir a mim mesma. E chegámos à conclusão a que eu já tinha chegado há uns dias: sou muito mais do que uma perturbação de personalidade, sou muito mais do que mostro a quem não me dá tempo para me mostrar, sou muito mais do que a armadura que visto todos os dias e, muito importante, sou muito mais do que uma simples presença online.

Sou tanta coisa. E só o vê quem se permite ter tempo para ir desmontando a armadura. Só o vê quem me permite ir desmontando a armadura.
Os outros, os que não têm tempo, os que não me dão tempo, pensam que me vão conhecendo. Não podiam estar mais enganados.

Mais uma vez: quem quiser saber, pergunta. Quem não pergunta, não quer saber. E dessas pessoas já tenho várias à minha volta. Não preciso de mais. Não quero mais.

E, não querendo, só me resta acreditar que sim, vai correr tudo bem.

{#337.29.2022}

Sábado. Que começou cedo. A custo. Mas que valeu a pena, apesar de longo.

Não tive o meu momento de final de dia, apesar de ter ido à esplanada do costume. Mas não tive tempo nem oportunidade para estar apenas comigo. Tenho muito para conhecer em mim mesma, de mim mesma. Mas para isso preciso de tempo comigo mesma. E aquele bocadinho na esplanada do costume ao fim do dia tem servido para me organizar, para pensar, para me estruturar e delinear os próximos passos.

Não adianta ter pressa. E muito menos adianta perguntar como se faz o caminho. Porque é um processo só meu. Que irá levar o tempo que for preciso. E que se irá realizar sabe-se lá como. Mas é possível fazer. E, dizem-me, vai valer a pena.

Todos os dias um bocadinho. Acho que me conheço, mas na verdade há coisas sobre mim que desconheço. Acho que sei quem sou, que sei o que quero. Mas não tenho a certeza. A única certeza que tenho neste momento é que me sinto perdida. Gostava que me apontassem o caminho, mas, se o fizessem, não seria o meu caminho.

Posso ainda não saber muito sobre o meu processo, o meu caminho. Mas sei que terei que cortar com o que me faz mal. E há coisas que, apesar de já me terem feito bem, neste momento não me trazem nada de bom. E é por isso que continuo zangada. E não posso. Nem quero.

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E sei que ele me pode ajudar, não a delinear o caminho a percorrer, mas encontrar ferramentas que me permitam olhar para mim de forma a encontrar-me.

Nada disto é fácil. Nada disto é simples. Mas é necessário. Porque eu quero estar bem (e neste momento não estou…) e para isso preciso de entender tudo o que trago cá dentro. Perceber porque é que sou como sou. Porque é que sou quem sou. Sou borderline, é um facto, mas também sou mais do que apenas isso. E é isso que preciso de saber: quem sou eu para além da perturbação de personalidade borderline.

Sinto-me cansada. Mas, percebo agora, sinto-me cansada de não saber quem sou. O que sou.

E, quando souber, tudo será mais fácil e simples. E melhor. E eu quero muito estar (e ser) melhor. Mas, já sei, vai custar. Especialmente quando começar, finalmente, a cortar com o que não me faz bem. E vou ter mesmo que cortar. Doa o que doer…

{#336.30.2022}

Sexta feira com um estúpido sabor a Sábado. Não sei porquê, mas todo o dia me pareceu um interminável Sábado.

Último dia de férias. Mais do que merecidas. Que me souberam lindamente. E que começavam já a pesar por falta de rotina. Faz-me falta a rotina. O ter que fazer alguma coisa. O ir trabalhar. O ir para o local de trabalho ainda não vai acontecer já na segunda feira nem na terça. Quarta feira sim, regresso para participar no primeiro jantar de Natal da empresa, jantar da equipa. Vai fazer-me bem regressar. Já sinto a falta de ver pessoas, de estar com pessoas. E gosto da equipa de trabalho onde estou inserida no momento. Daí sentir-lhes a falta.

Mas acima de tudo voltar a estar ocupada. Não ter demasiado tempo para pensar no que não devo. E eu penso sempre demais. Sou uma overthinker e daí não vem nada de bom.

E os últimos dias têm sido um reflexo disso mesmo. Penso demasiado no que já não merece o meu tempo. A minha dedicação. E sinto-me magoada, para além de zangada.

Mas já tomei a decisão, dolorosa, de soltar de vez e deixar ir. Acabarei também por agradecer, porque foi algo de importante e que contribuiu (e muito…) para que eu melhorasse. Porque, senti-o na altura, quis de facto melhorar. Estava focada em algo que me fez querer sair daquele lugar escuro onde me encontrava. E por isso tenho que agradecer. E soltar. E deixar ir. E não querer prender algo que já não faz sentido.

Tenho pena que as coisas estejam neste ponto neste momento. Não tinham que estar assim. Não tinha que ser assim. Mas também não vou ser eu a fazer nada para que voltem ao que já foram. Não fui eu que mudei…

Concentro-me em mim. Preciso, muito, de o fazer. Preciso de me conhecer. De me entender. De me encontrar. E, dizem-me, só tenho a ganhar com isso. E eu estou cansada de perder…

Já o disse antes: o mais importante sou eu. Repito-o para não me esquecer. Para não me esquecer de mim. Os outros? Terão que vir depois. Porque primeiro estou eu. E quando me conhecer, quando me entender, quando me encontrar, aí sim, os outros começarão a chegar e a ficar.

Até lá? É encolher os ombros, sorrir e acenar… Por muito que doa, e dói, por muito que custe, e custa. Mas primeiro estou eu.

{#335.31.2022}

Afinal voltei à esplanada do costume. Porque, depois de um dia cheio, precisei de tempo para mim. Do meu momento. De me encontrar comigo mesma.

É todo um processo, isto de me encontrar comigo mesma. É parar para me conhecer um bocadinho melhor. E perceber que, sim, é o medo que mais me prende e me condiciona. Medo de desiludir, de não me sentir suficiente, de perder. Acima de tudo de perder. Perder os outros. Mas, relembraram-me hoje, os outros não são o mais importante. O mais importante sou eu. Só depois de me aceitar como sou, de me conhecer totalmente, é que os outros me irão ver. Ver quem e como sou.

Há muita gente que acha que me conhece minimamente. Não podiam estar mais enganados. Especialmente aqueles que não me deram a oportunidade de, devagar, deixar cair a armadura que me protege. Dos outros, mas acima de tudo de mim mesma.

Preciso sempre de tempo para me dar a conhecer. E, percebo agora, quem não me dá esse tempo, essa oportunidade, não merece conhecer o melhor de mim.

Tenho defeitos como toda a gente. Tenho qualidades como toda a gente. Mas depois há quem só queira ver os defeitos. E eu sou muito mais do que mostro. Só preciso de tempo para arriscar fazê-lo. Porque esse tempo é sinónimo de medo. De perder. E, se não me dão esse tempo, perdemos os dois.

Sim, vir à esplanada do costume é o meu momento. Cada vez mais, um momento de reflexão e auto-conhecimento. É todo um processo. Que é só meu. De mim para mim. Os outros? Virão os certos, os que me irão ver por completo. E eu só preciso de uma coisa: tempo.

{#334.32.2022}

Tirar tempo para mim também é permitir-me mudar um bocadinho. E o caminho mais fácil para iniciar a mudança é por fora.

A mudança por dentro é mais complexa, mais difícil, dá muito mais trabalho. Mas é necessária. E vale a pena. E a melhor forma para começar essa mudança interior é começar a cortar o que não interessa, o que já foi mas já não é, as coisas que não me acrescentam nada. E, tantas vezes, isso implica cortar pessoas da minha equação. Por muito que custe. Mas, se já não há mais nada a dizer, se já houve uma mudança de comportamento, se a disponibilidade é, na verdade, uma grande indisponibilidade, então está na hora de agradecer, soltar e deixar ir.

Mudo por fora um bocadinho hoje. Mudo por dentro um bocadinho todos os dias.
Quem quiser saber, pergunta. Quem me quiser encontrar, sabe como fazê-lo. Quem não quiser nada disso, está bem. É da forma que sigo o meu caminho por mim. Apenas e só por mim.

Hoje há jantar de raparigas porque uma delas (que não eu!) fez anos ontem e decidiu que há vinho. Parece-me muito bem. Um copo de vinho em ambiente protegido é sempre muito bem vindo. Mas como assim, não há copos pequenos?

Antes do jantar, queimo tempo na esplanada do costume. Hoje na parte coberta porque a chuva molhou o meu lugar lá fora. Não costumo vir para a parte coberta porque tem sempre gente a mais. Mas hoje só cá estou eu.

É tempo, portanto, de reflectir sobre o dia, sobre os dias, e encontrar-me comigo mesma.

Se é altura de cortar com algumas coisas, também é altura de deixar entrar coisas novas. Permito-me, portanto, ir à descoberta. E a fase da descoberta, seja do que for, é sempre a melhor. Seja o que for que a descoberta me traga, é sempre melhor do que ficar quieta e calada, sossegada no meu canto.

{#333.33.2022}

Há rituais, que foram diários por muito tempo e que aconteciam duas vezes por dia, dos quais abri mão. Custaram mais do que me atrevo a admitir. Mas deixaram de fazer sentido a partir do momento em que percebi que não eram bem-vindos.

Mas há outros rituais que me são importantes e dos quais não abro mão enquanto não voltar ao trabalho presencial (que deve acontecer já segunda feira): o café ao fim do dia na esplanada do costume. Esse será para manter, nem que seja só ao fim de semana porque durante a semana vou passar a chegar a casa muito tarde.

Não há companhia para o café na esplanada ao fim do dia. Mas também prefiro assim. É o meu momento. É quando faço alguns (poucos) telefonemas. É quando páro para reflectir sobre o dia. Sobre os dias. É quando estou apenas comigo e mais ninguém.

Os outros rituais, os tais que eram diários e aconteciam duas vezes por dia, tiveram a sua importância. Tiveram o seu tempo. Mas deixaram de ter o seu lugar. Deixaram de ser bem-vindos. Por isso abri mão deles. Não que essa mudança tenha sido notada, sei que não foi. Porque, lá está, nunca tiveram qualquer importância.

Mas é aqui, na esplanada do costume, que me procuro e me encontro. E foi também aqui que percebi que mereço muito mais e que o mais importante sou eu.
E, por isso mesmo, vou aproveitar os próximos dias para saborear o café do fim do dia na esplanada do costume.

Quem quiser, sabe como me encontrar. Afinal, sou uma presença online de fácil acesso.

{#332.34.2022}

Segunda feira de férias. E ainda aquela estúpida sensação de que devia estar a trabalhar! Mas não, não devia. Tenho direito a estes dias, que são meus, para fazer o que quiser sem me preocupar com o trabalho (mas preocupo…) ou para não fazer nada, que é o que tem acontecido. Mas já a semana passada tinha esta estúpida sensação, como se estivesse em falta com o trabalho. Não estou, eu sei. E só voltarei a ter dias livres daqui a 7 meses e meio, mais ou menos, e 7 meses é muito tempo. Por isso, em vez de me sentir assim, tenho mais é que aproveitar estes dias. Este tempo. Que é meu.

E hoje fiquei, novamente, com a nítida sensação de que o jantar não vai acontecer. Questionei uma data da próxima semana, para me responderem o que eu já sabia: que esta semana não era possível. Por isso pedi, pela segunda vez, uma data da próxima semana. Não obtive resposta, claro. E isso, para mim, é uma resposta. É a confirmação de que o jantar não vai acontecer. Como, aliás, eu já esperava desde o primeiro dia.

Não vou voltar a pegar no assunto. Vou deixar passar a semana que ainda agora começou e depois logo se vê… Novamente percebo-me zangada. E não queria. Mas é o que sinto com esta falta de resposta a uma simples pergunta. Não custa dar uma resposta. Mas, quando não há interesse, é o caminho mais fácil…

Amanhã? Será melhor. Continuo a ir à descoberta e, mesmo sabendo que não dá em nada nem tem que dar, vou indo e sorrindo e rindo. É uma massagem ao ego. E também tenho direito a isso. Faz-me sentir bem. E faz-me bem no geral. Ajuda-me a gerir esta zanga que sinto de uma forma mais suave. E é disso que preciso.

Que seja o que tiver que ser. Depois logo se vê. Mas estou cansada de falta de respostas e notória falta de interesse. Por isso, volto a recordar-me daquela mensagem “a vida é gigante. E pessoas há mais que muitas!”…

Siga! Mereço muito mais do que isto. Amanhã será melhor. E o dia vai ser bom. Porque eu quero que assim seja. Porque o mais importante sou eu. O resto é o resto. E já não é o que era…

{#331.35.2022}

Domingo de ronha. Que começou com um dia bonito e consulta com o terapeuta fofinho. Passou para uma tarde de chuva a preparar o envio do telemóvel para a garantia. E uma noite profundamente aborrecida.

Podia ter passado pelo menos a tarde e a noite a fazer algo de útil. Por outro lado, lembro-me que foi a querer fazer exactamente o mesmo que levei o maior murro no estômago de que tenho memória…

Já sabia que era este fim de semana, mas não disse nada. Muito provavelmente por saber, de antemão, que iria levar uma nega. Ainda fiz referência a esta dia, hoje numa curta conversa, para me dizerem “para a próxima se quiseres”. A próxima será daqui a seis meses. Tanta coisa pode (e vai) acontecer em seis meses que não duvido que quem me disse isso não se vai lembrar. Como não se lembrou de outras coisas que falámos em Novembro do ano passado que seriam para acontecer em Março deste ano, no limite em Setembro.

O único problema aqui é a minha memória. Que regista tudo. Todas as conversas. Tudo o que se combina. E depois acabo por perceber que foram coisas ditas só para me calar.

Como o jantar que foi falado há poucos dias. Recebi resposta sobre o dia de hoje, mas sobre a data que pedi para o jantar nem uma palavra. Mas ainda hei-de lá voltar. E sim, desta vez irei cobrar uma resposta. Para perceber se é para acontecer mesmo ou se foi só mais uma coisa dita só porque sim, sem intenção de acontecer, só para me calar. Porque se foi…não, não me calo. Não parto a loiça, não tenho feitio para isso, mas não vou ficar com nada por dizer. E depois disso? Logo se vê. Afinal, estou no processo de deixar ir. E um dia terá que ser a última vez.

Se calhar já foi…mas se me sugerem que algo vai acontecer, é preciso que cumpram. Porque eu não sou assim. E não gosto que façam de mim parva. Porque não o sou.

Percebo agora, enquanto escrevo, que estou zangada ainda. Mas não quero que essa zanga aumente. Vou esperar. Mas não muito tempo…

Amanhã ainda é dia de férias. A semana toda, aliás. Ainda tenho muito tempo, demasiado tempo, para pensar no que quero e no que vou fazer. Porque confusa estou. E não gosto de estar assim. Nem quero. Mas é o que é.

{#330.36.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Hoje uma mistura de aborrecimento e animação. Não tenho feitio para andar muito tempo em centros comerciais, não gosto de andar a bater perna por aí, não tenho grande interesse em andar em lojas a menos que precise mesmo de comprar alguma coisa. Não era o caso hoje. Aproveitei para procurar um casaco de Inverno, visitei as três lojas que queria e podia ter ficado por aí. Mas não foi o que aconteceu. Foram mais de cinco horas num centro comercial… É o que acontece quando se está dependente de terceiros. Era só uma visita rápida para que alguém comprasse umas camisolas, foram cinco horas sem paciência. Impaciente, com dores, com gente à espera para uma entrega. Não, não tenho paciência. Mas, às vezes, tem que ser.

E assim se passou um dia que era suposto ser apenas aborrecido e se transformou em algo que não sei como lhe chamar.

Enfim…

A primeira semana de férias terminou. Felizmente ainda tenho outra. E, desta vez, estão a saber a férias. Uma semana que passou a correr mas que, ao mesmo tempo, pareceu demorar a acabar. E sempre aquela estúpida sensação de estar em falta com o trabalho…

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E ainda bem que é. Porque preciso de ajuda de alguém de fora para me entender a mim mesma. Para perceber o que sinto, afinal. Um dia digo a mim mesma que ponho ali um ponto final e no outro estou à espera de uma data para uma próxima vez. Um dia estou muito zangada, no outro está tudo bem. Não, não pode estar tudo bem. Porque há motivos para não estar. Ou houve. Já não sei…e é por não saber que preciso que alguém de fora me ajude a organizar a confusão que vai na minha cabeça.

Continuo, claro, à espera de uma data. E sei que será de ficar à espera muito tempo. Mas não o vou permitir. Vou, como já disse, cobrar essa data. Espero até meio da semana. Não vou ficar eternamente à espera. Porque, se ficar, sei que a resposta não vem, a data não é marcada, o jantar não sai. E isso eu não quero. Nem aceito. Não depois da proposta vir do outro lado.

Sinto falta dos rituais matinais e nocturnos. Mas não vou regressar a eles. Por muito que lhes sinta a falta depois de cinco anos sempre presentes. Mas, e aprendi a detestar esta frase, é o que é. Não quero migalhas. Quero o que não tenho. Mas não o vou exigir. Nem fazer qualquer menção a isso. Um dia, quem sabe, o tempo vai dar razão ao meu gut feeling. Para o bem e para o mal.

Mas hoje não quero pensar mais sobre um assunto que me dói. Que me pesa. Hoje vou pensar apenas em mim. Porque o mais importante sou eu.

Amanhã? Logo se vê.

{#329.37.2022}

Sexta feira que foi longa. Começou a horas razoáveis para quem está de férias com um pouco de descoberta vinda do que já se esperava ser. E, já sei, dali só a música pode ser coisa boa. Mas está a ser uma descoberta interessante a nível musical. O resto é mais do mesmo.

Sexta feira que foi longa. Uma manhã que nunca mais acabava e uma tarde na rua que se transformou em duas horas e meia de um lado para o outro e quatro kilómetros percorridos. E um final de dia à beira da praia para, mais uma vez, assistir ao pôr do Sol.

Pôr do Sol na praia e uma vontade enorme de voltar ao pôr do Sol na baía. Que, já sei, não vai voltar a acontecer. Já não há disponibilidade para isso do outro lado. Nem vontade, de certeza.

Mas há uma promessa de jantar para breve. Resta saber se será só mais uma promessa porque sim ou será mesmo para acontecer. Mas, lá está, não vou fazer planos. Desisti de fazer planos há muito tempo. E promessas…bem, deixei de acreditar em promessas há muito tempo também. Especialmente depois de as ver a serem quebradas tão facilmente. Resta-me tentar perceber se esta também vai ser quebrada ou se é para concretizar. Quero muito que se concretize. Há algumas coisas que quero tentar perceber e esse jantar seria o ideal para o fazer. E depois então decidir o que fazer. Mas o mais certo será manter a distância que já existe e não voltar aos rituais que só a mim faziam sentido. Essa parte, por muito que me custe, não vai voltar a acontecer. Afinal, até uma simples presença online tem que ter peso, conta e medida. E, se essa distância e mudança forem notadas agora como foram notadas há seis meses, sei que acabarão por ser questionadas. Mas dificilmente serão notadas. E não serei eu a pegar nesse assunto. Mas, se pegarem, então será dito tudo o que trago comigo.

Já não sei se ainda estou zangada. Sei apenas que estou muito confusa. Sem saber muito bem o que pensar, fazer, sentir…não sei mesmo. Sinto-me perdida e, já sei, quando me sinto perdida acabo por me deixar levar ao engano. E aí entra a descoberta das últimas semanas.

Já sei que serei eu a sair magoada desta história toda. Como já saí. Mas acredito que ainda será possível magoar-me mais. E não quero…

Um dia. Um dia vou sair por cima numa qualquer nova história que venha a acontecer. Nesta cheguei a acreditar que o desfecho fosse diferente. Mas enganei-me. E isso ainda dói.

Agora é esperar para ver se o jantar acontece ou não. Mas, desta vez, vou cobrar esse jantar. Porque, se for para não acontecer, vou querer saber porque surgiu a ideia de irmos jantar. Só para parecer bem? Só para me calar? Eu não gosto de cobrar nada a ninguém. Mas também não gosto de coisas ditas sem intenção de acontecer. Por isso vou cobrar o jantar ou uma explicação. Uma das duas coisas vai ter que acontecer.

Já atirei o barro à parede, desta vez para pedir uma data. Ainda será uma data a alguma distância. Mas quero que fique registada na agenda com tempo. Ainda não tive resposta. Nem devo ter tão cedo. Mas vou voltar a essa questão até ter uma data.

Enfim…é encolher os ombros, sorrir e acenar. Entre uma nova descoberta e uma velha amizade, nada me vai levar a lado nenhum. Mas, seja num caso ou no outro, só não quero voltar a magoar-me.

O dia foi muito longo. E, por muito que tentasse, não consegui desligar a cabeça. E preciso de o fazer. Preciso de pensar apenas em mim e no que é melhor para mim. Porque o mais importante sou eu. Tudo o resto tem que vir depois. Mas estou confusa. Muito confusa. E um bocadinho perdida…e com saudades do pôr do Sol na baía. Por tudo o que representa para mim.

{#328.38.2022}

Já sei que não adianta fazer planos. E eu tinha planeado que hoje seria o dia para pôr um ponto final em algo que dura há cinco anos. Mas não sou capaz…

O que tinha sido desmarcado e remarcado para hoje aconteceu. E, ao contrário do que eu queria, as borboletas na barriga fizeram-se presentes. Manifestaram-se em forma de grande ansiedade. Como há muito tempo não sentia. Como há muito tempo eu não queria sentir…

Se correu como eu tinha planeado? Não. Muito pelo contrário. Correu muito bem. Correu de forma quase perfeita e com a promessa de um jantar para breve. E não podia ter corrido assim. Mas, já o disse antes, deixei de fazer planos há muito tempo e não acredito em promessas. Portanto, quanto ao jantar veremos. E os planos que eu tinha para uma espécie de despedida não aconteceram.

O pior no meio disto tudo? É a confusão que vai na minha cabeça neste momento. É já não saber o que quero. Se é para me afastar de vez ou se é para me manter por perto como habitualmente.

Para já, é esperar para ver. Vou querer esse tal jantar. Mas também vou querer conversar e falar do que não falei. Hoje não era de todo possível falar sem pressas. Havia horários e compromissos. Foi tempo apenas para um café e transferência de ficheiros e um bocadinho de conversa. Conversa que me soube tão bem…que fluiu naturalmente, novamente momentos de partilha, uma conversa de amigos. Que, ao contrário do que me fizeram sentir na semana passada, afinal parece que somos.

Já não sei mesmo o que quero fazer neste momento. Sei que não quero deitar fora uma amizade de cinco anos. Porque, para mim, é de uma amizade que se trata. E isso não quero perder. Mesmo sabendo das condicionantes. Mesmo sabendo que há quem não esteja confortável com essa amizade. Mas aí temos pena. Não tem que deixar de existir uma amizade entre duas pessoas simplesmente porque alguém exterior não se sente confortável.

Não notei hoje uma mudança de comportamento. Não notei um distanciamento. Notei, sim, a relação de sempre. E isso é bom. Mas era tão mais fácil se não tivesse sido desta forma.

Confusa. Muito confusa. Agora quem precisa de tempo sou eu. E esperar para ver se o jantar acontece ou não em breve. E, acontecendo, tentar então pegar em assuntos que sinto necessidade de esclarecer. Ou sentia…depois de hoje, do que vi e senti, já não sei nada…

Vou manter-me longe como nas últimas semanas. Sei que essa ausência de alguém que estava presente todos os dias não é notada. Mas é disso que preciso: manter-me longe. Por mim. Unicamente por mim. E é isso que vou fazer.

E pensar. Pensar muito no que quero. E como quero. Depois? Logo se vê…

{#327.39.2022}

Quarta feira e o dia do meio, dia nim, nem não nem sim, que só fica pior por ser um dia de férias sem nada para fazer.

Mais um dia de contagem decrescente. Para a última vez. É assim que encaro o que está previsto para amanhã. Se não for, novamente, desmarcado. Que, acredito, é o mais provável que aconteça. E a mim, aconteça o que acontecer, resta-me encolher os ombros, sorrir e acenar.

Já não há borboletas na barriga. Já não permito que se manifestem na antecipação. Já não fazem sentido. Tenho saudades delas, mas morreram um bocadinho desde aquele murro no estômago há seis meses. E foram morrendo aos poucos com a contagem dos dias de silêncio e ausência do Verão. Reanimaram um pouco quando passou a haver mais disponibilidade do outro lado. Ou, pelo menos, uma suposta disponibilidade. Que se concretizou em partilha de momento menos bom e que me mostrou que eu me preocupo demais com quem se dá de menos.

Agora, a mudança de comportamento. E o meu estúpido gut feeling que me diz qual a razão para essa mudança. E, desta vez, não tenho dúvidas nenhumas de que está certo. E, estando, isso entristece-me. E deixa-me zangada. Como ainda estou.

Por isso, não. Não há borboletas. E se houver alguma coisa amanhã, como era para ter havido ontem e não houve, vai continuar a não haver borboletas. Porque, agora, sou eu que não as quero por perto.

Estou cansada disto. E, por isso mesmo, decido pôr um ponto final. Em quê? Nem sei. Afinal, não passo de uma simples presença online. E acho que é isso mesmo que vai acabar. Vou passar de presença a ausência. E quem quiser, sabe onde e como me encontrar. Basta querer. Mas também sei que não vai acontecer.

Por isso, amanhã não vai ser fácil, partindo do princípio que vai acontecer o que está previsto. Mas é algo que me é necessário. Para meu bem. E neste momento só eu importo. O resto, dada toda a mudança das últimas semanas, não me merece muito mais.

Não, não vai ser fácil. Mas vai ter que ser. Depois? Prevê-se um longo caminho a percorrer. E que vai ser a doer. E depois logo se vê…mas por agora chega.

{#326.40.2022}

Era para ser hoje… Mas, como eu já suspeitava, depois de marcado ontem foi desmarcado hoje, ou adiado para quinta feira. Nada que me surpreenda por aí além. E já lá vai o tempo de ficar magoada. Porque para mim não é um adiamento, é uma desmarcação. Fico apenas desiludida, mas não surpreendida.

Surpreendida fiquei com a reacção à última semana que eu própria tive na consulta com o terapeuta fofinho. Percebi que continuo zangada. Muito zangada. E isso não é bom. Mas é o que sinto. E, provavelmente, era o que a minha cara transparecia no Domingo de manhã, quando me perguntou várias vezes “que cara é essa?”…respondi sempre que era cara de sono, apenas. Sabia que não era nem o lugar nem o momento para dizer nada. Mas se, na quinta feira, me voltar a perguntar, é possível que diga que estou zangada. E diga porquê.

Sei que quinta feira será, muito provavelmente, a última vez que terei possibilidade de dizer seja o que for pessoalmente. E recuso-me a dizer seja o que for por escrito. Há tanto que se perde nessa comunicação instantânea. Se é verdade que dá a ideia de proximidade, também é verdade que pode ser uma excelente ferramenta que leva a mal entendidos. Ou a nada entendidos! Porque há tanto que se perde. Que se confunde. Que simplesmente não se lê a não ser na diagonal.

É, quinta feira (se não for desmarcado de novo…), será a última oportunidade para uma conversa. Depois disso, logo se vê. Mas nada voltará a ser o que já foi. Pelo menos da minha parte. Se é uma decisão fácil? Não para mim. Mas já percebi que para o outro lado é indiferente. Por isso mesmo decido que já chega. Não é só a falta de iniciativa, a falta de retorno, a falta de interesse, a falta de vontade. Não é só isso que me incomoda. É tudo. É a diferença de comportamento acima de tudo. E eu só vejo um motivo para essa diferença. E não aceito. Porque, na verdade, eu não prejudiquei ninguém. Eu já existia antes das novas circunstâncias. Temos pena.

Mas chega. Não tenho que me contentar com menos do que migalhas. Mereço mais. Sempre o disse e repito-o até à exaustão. Mereço mais.

Se há quem permita essa influência, então não me terá por perto. Eu própria me afasto.

Quinta feira ainda está longe. Não tanto assim, é verdade, mas amanhã sendo quarta ainda tanto pode acontecer. A ver vamos. Mas, neste momento, o mais importante sou eu. Por isso é em mim que penso. E é por mim que me afasto. Doa o que doer…

Amanhã? Logo se vê. Mas de cancelamentos, desmarcações, adiamentos e faltas de tanta coisa estou eu. Por isso, siga!

{#325.41.2022}

Final do ano 22 do século XXI e ainda há quem ache normal criticar formas de amor. Ouvido no sábado na esplanada do costume, onde não se aprende nada de jeito. Juntou-se um grupo de várias pessoas a comentar um apartamento que está à venda no meu prédio apenas porque os actuais donos são um casal do mesmo sexo.

Pergunto eu: o que é que isso interessa? Como assim, “não encaixam”? Desde quando é que o amor entre duas pessoas tem que “encaixar”? Só porque são do mesmo sexo têm que sentir amor da mesma forma que vocês?

Quem acha isso não percebe nada de nada, muito menos de amor. Porque é de amor que se fala aqui, não de sexo. Porque sexo é outro assunto e não interessa a ninguém a não ser aos envolvidos.
E pergunto eu: e se fossem os vossos filhos? Iam rejeitá-los? Criticá-los? Renegá-los? Apenas pelo amor que sentem de forma diferente da vossa?

Estas coisas incomodam-me. E não é nada comigo directamente. Mas eu sou pelo amor. Tenha ele a forma que tiver.

{#324.42.2022}

Hoje, o regresso a algo que, mesmo 30 anos depois, continua a fazer sentido. De há cinco anos para cá, tenho tido a possibilidade de, uma vez por ano, voltar a sentir de perto todo o espírito que envolve o escutismo. E sabe sempre tão bem.

E hoje soube ainda melhor porque voltei a pegar na máquina fotográfica. E, da melhor forma possível, registei momentos que ficam para sempre.

Foi, em simultâneo, um dia estranho. Porque não duvido que seja a última vez que ali estive. E provavelmente uma das últimas vezes que estive com quem estive. Se não foi mesmo a última vez…

Tenho pena de não ter tido a oportunidade de me despedir. Pelo menos não como gostaria. Mas não foi de todo possível, sendo que o dia de hoje seria sempre um dia sem possibilidade de grande coisa, muito menos dois dedos de conversa.

Mas está na hora de não pensar mais no assunto. Soltar e deixar ir. Porque, agora, o mais importante sou eu. O resto? “A vida é gigante. E pessoas há muitas.”

Foi um dia bom, apesar de tudo. Amanhã? Logo se vê. É encolher os ombros, sorrir e acenar. As fotografias de hoje, de uma forma ou de outra, irão chegar ao destino. Só não sei como nem quando. Mas não é o mais importante. O mais importante neste momento sou eu. E estou aqui para quem me quiser presente. Para além da presença online.

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Sábado e a véspera da data marcada. Acontece amanhã. Cheguei a acreditar que fosse demarcada em cima da hora. Ou simplesmente negada. Não foi. E ainda bem.

É uma data marcada que, cada vez mais, me sabe a despedida. Porque não acredito que volte a acontecer uma presença.

É um sentimento agridoce. Vai ser bom o que vou fazer. Mas não vai ser bom ser uma despedida. Despedida essa que, mais uma vez, só eu assumo. Porque tem que ser dessa forma.

Sei que existem novas condicionantes. Não é de agora. Mas é agora que sinto a diferença de comportamento, de atitude. E nada me convence que essa mudança não é influência dessas condicionantes.

Vai custar? Se fosse há um mês e meio ia custar mais. Mas, depois daquela conversa menos simpática de há uns dias, percebo que não vai custar tanto. Afinal, “somos o que somos”, que para mim é o mesmo que dizer que não somos nada.

Mas, e aprendi a detestar esta frase, é o que é. E, se é assim que tem que ser, seja. Assim será. Uma despedida consciente. Porque eu mereço mais. Porque eu sou mais do que uma simples presença online. Mas, se é aí que me querem, à distância de um clique, será aí que vou estar. Provavelmente com outra presença menos presente. Mas também sei que a minha ausência não é percebida. Por isso, será irrelevante estar ou não. Assim como já é.

Volto a dizer: nada me convence que essa mudança não é influência dessas condicionantes que agora existem. Afinal, já sei que, em tempos, se instalou a atitude “tu é que sabes”, criando logo ali uma certa pressão, um desconforto. Por isso, não me admira a eventual influência. Desilude-me. Claro que sim. Mas cada um sabe de si. E se há quem permita essa influência naquilo que se chamou, em tempos, de amizade, então essa pessoa não merece a minha presença. Porque desde o primeiro dia que eu saiba que nada se iria desenvolver para além da amizade e a única coisa que pedi, quando me expus, foi que nada mudasse. E, disseram-me, não havia razões para mudar. E, de facto, durante um tempo, nada mudou. Mas agora tudo mudou. E eu não gosto da mudança. Não desta mudança, assim.

Por isso, sim, vejo a data marcada como uma despedida.

Por outro lado, tenho uma descoberta em curso. Que, curiosamente, se iniciou há cinco anos, com uma mensagem de elogio que ficou por ali. Não desenvolveu. Até que, há uns meses, acordou. E que há poucas, muito poucas, semanas tem vindo a desenvolver. O que vem dali? O mais certo é não vir nada. E não vem, de certeza. Mas é uma grande massagem ao ego. E faz-me sentir viva.

Por isso, entre uma despedida e uma descoberta o Universo faz-se presente e mostra-me, outra vez, o equilíbrio.

Sim, sábado é o dia mais aborrecido da semana. Mas hoje até nem foi muito. Permitiu-me reflectir. E encaixar o que ando a pensar há vários dias: amanhã será dia de despedida. Só eu é que o assumo. Mas também sei que para o outro lado é indiferente que seja uma despedida ou mais um dia igual aos outros.

Por isso, amanhã logo se vê. Vou fazer algo que gosto muito. Mas também vou dizer adeus a alguém de quem gostei muito.

E não vai ser fácil… Mas vai acontecer.

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Sexta feira e ainda em fase de descoberta. E a gostar, muito, desta espécie de massagem ao ego. Sei exactamente o que vem dali, sei exactamente como pode terminar. Afinal, a tempestade perfeita que desapareceu tão depressa como apareceu não foi assim há tanto tempo.

Mas, se calhar, era precisamente disto que estava a precisar neste momento. Meio perdida, sei perfeitamente que esta descoberta tem tudo para não dar em nada. Pode até dar em alguma experiência interessante, mas não mais do que isso. Uma coisa de momento, apenas isso. E é por isso que vou permitindo aquilo que nem posso chamar de avanços mas que também não sei bem como lhe chamar. Atitude, talvez… Ou, e isto é de certeza, iniciativa. Coisa de que já sentia falta.

Vou soltando aquilo que trouxe em mim nos últimos cinco anos. E sinto que algo se está a desvanecer. Muito por conta de uma atitude talvez irreflectida da outra parte numa resposta que tomei como excessivamente agressiva sem necessidade. E, cereja no topo do bolo, a frase que marcou a semana: “somos o que somos”. Ou seja, nada. Pois bem, então sejamos isso mesmo.

Já estive zangada. Agora acho que estou magoada, mas não tenho a certeza. O que estou, e muito, é desiludida. Como foi possível, durante tanto tempo, acreditar que existia uma amizade quando, pelos vistos, não somos nada. Ou “somos o que somos”. Seja lá isso o que for. Porque, neste momento, não sei mesmo o que somos. Mas também não vou perguntar. Para quê? Para que a intenção da minha pergunta não seja entendida? Não vale a pena.

Também por tudo isto permito-me partir à descoberta. Até porque foi essa mesma descoberta que me disse que a vida é gigante. E pessoas há muitas. E está mais do que na hora de dar uma oportunidade à vida. A outras pessoas. Mas, sobretudo, a mim mesma.

Mereço mais do que recebi nestes últimos cinco anos. E esses cinco anos, já percebi, não significaram absolutamente nada para o outro lado. Tempo tão facilmente descartado. Deitado ao lixo. E não por mim.

É altura de seguir em frente. Deixar para trás o que, pelos vistos, nunca existiu: uma amizade. Fazer o luto necessário. E voltar a focar-me no mais importante: eu. E tenho-me esquecido de mim demasiadas vezes. Pois bem, já chega de me esquecer.

Vou à descoberta. Venha o que vier. Sei que não vou ganhar nada de especial com isso. Mas vou sentir-me viva novamente. E eu mereço sentir-me viva. E viver também, não apenas sobreviver. Chega de coleccionar migalhas. Não são as migalhas que me sustentam. Mereço muito mais do que apenas isso. E, no presente processo de descoberta, sei exactamente ao que vou. E sim, quero ir. Muito. Porque estou a gostar de todo o processo. E por isso vou.

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Disseram-me ontem, depois de um desabafo meu: “a vida é gigante. As pessoas são mais que muitas! Go ahead!”.

E é bem verdade. Eu é que tenho andado esquecida. Durante cinco anos andei esquecida. Mas agora que me lembraram não vou esquecer. E por isso mesmo vou à descoberta. Já sei o que vem dali, mas uma massagem ao ego sabe sempre bem.

E, de facto, as pessoas são mais que muitas. E eu estou aberta à descoberta. Venha o que vier.