{#339.027.2025}

Não me posso esquecer que números são só isso mesmo, números! Mas alguns dizem tanto mais do que gostaríamos…e não me posso esquecer que 10.959 é “infinitamente” maior do que apenas 917…mesmo que 917possa parecer tanto! Mas não é…

…e se eu chorar? Eu própria secarei as minhas lágrimas. Exactamente da mesma forma que tomarei as MINHAS decisõessozinha deixarei cair as minhas lágrimas, sozinha decidirei. Porque, lamento, eu também mereço mais…e em primeiro lugar estou eu…!

{#338.028.2025}

Savasana. A última postura, e a mais difícil de todas as posturas, a ser realizada numa prática de Yoga. Em português tem o nome de “Postura do Cadáver” e é a postura dedicada ao relaxamento no final da prática, aquele momento em que o corpo e a mente integram todas as posturas e seus benefícios executados na prática.

Habitualmente, temos feito o asana com música a acompanhar. E ajuda muito a relaxar e a deixar o corpo e a mente irem onde tiverem que ir fazer o que tiverem que fazer. Já aconteceu a música terminar a meio do relaxamento e, não nego, foi-me estranho: de um momento para o outro deixei de ter onde me agarrar enquanto relaxava. Era à música que me estava a agarrar… Mesmo sem música, costumamos ouvir os pássaros nas árvores ou nas gaiolas do r/ch, os carros que passam por ali, as ambulâncias que todos os dias a todas as horas atravessam esta terra. Muitas vezes ouvimos também a respiração de quem está mais perto…

…mas hoje…hoje o Savasana foi todo ele em silêncio. Ainda antes de começar, já não tínhamos música. Os sons da rua não nos chegavam. Não houve ambulâncias. Nada. Silêncio, apenas…

…um silêncio incomodativo de tão ensurdecedor! Faltou-me ouvir o Professor Pedro dizer que ali estamos em segurança, numa sala que conhecemos, para a prática de Yoga. Porque eu nunca tinha tido medo numa simples prática de relaxamento como tive hoje. Unicamente por estarmos em absoluto silêncio

…e a minha cabeça tem demasiado barulho, que só eu oiço, que incomoda demasiado e eu não encontro o botão para desligar o barulho…

{#337.029.2025}

Perguntou-me hoje um dos 500 Pedros dos meus dias quando conversávamos sobre as noites que eu chamo de terror por causa das dores no meu braço: “Então tu acabas por adormecer de cansaço, é isso?” e a minha resposta só pode ser “é isso exactamente!”. Porque acabo sempre por adormecer estoirada depois daqueles 30 minutos de ondas e picos de dor violenta, excruciante, a pior dor que conheço! São minutos longamente intermináveis que me esgotam por completo.

Felizmente a noite passada foi relativamente tranquila. Crise na noite anterior, crise de manhã, crise ao início da noite…
Consegui ficar acordada até um pouco mais tarde. A publicação do dia no blog foi feita à 1h08m da manhã. De seguida, o dia foi dado como terminado e fui para a cama muito perto da 1h30m. Mas já percebi que não posso estar cansada e ter o telemóvel na mão. Porque escrever no blog ou até no Instagram e carregar em publicar mas já estando a dormir não seria a primeira vez… Agora…que quereria eu dizer com a mensagem escrita e enviada à 1h56m? Não faço a mais pequena ideia. Mas não deixa de ser verdade: já era tarde, tal como agora!, e eu não me fui embora…

Vi a mensagem de manhã. Felizmente quem recebeu sabe o quanto preciso de descansar e deu a resposta que se impunha! Hoje ainda estou a tentar evitar o disparar da dor para conseguir dormir. E até ver…estou maizomenos a conseguir, por isso vou publicar isto perfeitamente acordada e consciente do que escrevi e, por dentro, a rir sozinha dos disparates de quem precisa tanto de descansar e que até sou eu…

{#336.030.2025}

Dezembro, dia 4. O dia em que, todos os anos, se marca o Dia Nacional da Pessoa Com Esclerose Múltipla. Que, por acaso, também sou Eu.

Sou Pessoa Com Esclerose Múltipla. Sim. Já aceitei o diagnóstico? Não! Nem sei se algum dia isso irá (poderá?) acontecer. Não sei se tenho espaço em mim para, no meio do tanto que já sou, ainda ser esta Pessoa também…

É verdade que sou muito certinha com consultas, exames, tratamentos, fisioterapia, análises pré e pós infusão, o que for! Mas, não duvidem!, é sempre a medo, com medo!, que sigo para cada um deles. Porque nunca sei ao certo o que esperar, ou se devo, até!, esperar alguma coisa. Se sequer posso esperar…? Para uma doença incurável nunca sei muito bem o que…pensar? Esperar? Fazer? Dizer? Não sei…

Não sei mesmo. Sei a teoria toda! Mas depois é na prática que eu tenho que lidar com isto, todos os dias, 24 horas por dia. E é nessa prática que tenho que fazer o meu luto de mim mesma, do que já fui e não volto a ser. Fazer o luto do que fui, acolher o que agora sou. E já sou tanto…! Tanto que continuo a não me ver num diagnóstico que é o meu em que eu não me reconheço…

…preciso de chorar esse diagnóstico, chorar esse luto, processar, digerir, secar as lágrimas e seguir em frente.

Não sei se sei ser Pessoa Com Esclerose Múltipla a quem o dia 4 de Dezembro é dedicado a nível nacional. Sei apenas ser Eu. Igual a mim própria. E sei que, sendo apenas Eu, sou tanto e tanta coisa ao mesmo tempo! E pergunto: não era Eu já suficiente o tanto que já era…?

{#335.031.2025}

Em véspera de Lua Cheia. Em véspera de Super Lua. A última do ano que não tarda em terminar. E dou por mim a pensar que, tudo o que um dia termina, vira memória. Recordação.
…uma espécie de nuvem de um qualquer fumo que, com o tempo, se vai dissipando. As memórias que se cruzam e baralham nessa nuvem de um qualquer fumo que o vento desfaz e dispersa.

Este ano que termina em breve vai passar a ser uma nuvem de um qualquer fumo de memórias, recordações de importância relativa consoante quem revisita a nuvem de fumo. E acredito que o mesmo acontece com quem deixa de ser. Ou deixa de estar. Ou…

…não sei. Sei apenas que, em véspera de Lua Cheia, véspera de Super Lua, a última deste ano, dei por mim a pensar que eu própria, um dia, serei apenas uma recordação. Uma nuvem de um fumo qualquer que se vai dissipando…

Sei que, para tantos, já só sou uma leve recordação sem importância. Mas, com quem se mantém no tempo presente, quero muito criar memórias com importância. Daquelas nuvens densas de recordações, de todos os tamanhos e feitios. Do gesto mais pequeno até ao outro sem tamanho que fica tatuado na memória.

Sim, um dia serei como a Lua Cheia. Super Lua, última do ano, muito rapidamente mera recordação…

…não sei se estou preparada. Preparada para quê? Não faço ideia! Para criar memórias boas de recordar. Que começo a achar que estou a falhar em grande escala…e não quero! Mas esta…esta com quem estão a criar memórias, esta sou eu! E não sei ser de outra forma…para tantos já só uma leve recordação sem importância. Que não é, de todo, o que eu vos quero ser…

…e agora já me é fácil deixar correr as lágrimas…mesmo que chore sozinha, em silêncio. Mas, finalmente!, consigo chorar

{#334.032.2025}

Um bocadinho como os dois elevadores do meu prédio: em manutenção. Se é que ainda é possível fazer manutenção às 2 relíquias…

E se, num prédio de 8 andares, é possível estarem “ambos os dois em simultâneo ao mesmo tempo” parados para manutenção o dia inteiro (que na realidade até já vai no terceiro dia…), eu também posso encostar às boxes para manutenção durante uns dias, certo? É que, diz quem sabe, é “” uma constipação, mas que sem sistema imunitário a funcionar pode tornar-se um filme (de terror?) em menos de nada. E, muito sinceramente, não me apetece…

{#333.033.2025}

De manhã: o Sol firme num céu azul forte, o frio do Inverno que se aproxima rapidamente, o Mar de ondas marcadas pela cadência da maré.
À tarde? Lá fora não sei. Cá em casa o tempo simplesmente passou. Fiz alguma coisa digna nota? Não que me recorde.


O termómetro bateu nos 37• que é coisa demasiado rara de acontecer comigo. E que, no meu novo normal, aprendi a querer muito evitar, especialmente menos de 2 meses depois de deitar o meu sistema imunitário abaixo.

A dor pavorosa no braço esquerdo tem estado controlada graças à nova medicação da classe do que eu sempre recusei mas que, desta vez, não tenho alternativa. Mas, por algum motivo, esta noite a dor voltou… Demasiado sensível às mudanças de temperatura. Se o braço aquece, não se aguentam as dores. Destapa-se o braço para arrefecer. Está demasiado frio. O braço gela e já não se aguenta a dor novamente. Tapa o ombro ou braço ou lá o que lhe quiserem chamar. Repete todo o processo. Até quando? Não faço ideia. Só sei que, por enquanto, vou dançando a dança do “Tapa, destapa!”. Que não vai poder manter-se para sempre.

…eu só sei que não aguento, nem a dança nem a dor…

{#332.034.2025}

O Jardim das Leguminosas…o meu jardim que continua a não ter Leguminosas e sim Suculentas e um dia até poderá eventualmente vir a ter uma Buganvília. Cor de rosa forte para condizer com os Brincos de Princesa que despontam ali num vaso e pedem terreno, que não tenho, para continuar a crescer. Talvez nessa altura o tal Jardim que teimo em chamar de meu mas que deve toda a sua extensão, existência e manutenção num canto de uma ponta de uma varanda, talvez nessa altura o meu Jardim mude de nome e passe a chamar-se Jardim das Buganvílias. No plural porque a minha vontade é ter uma cor de rosa forte para acompanhar os Brincos de Princesa e uma branca porque flores brancas permitem-me usar todas as cores para as aconchegar.

Entretanto, a distância… Que eu não procurei, mas que talvez seja necessária e, até!, no meu caso merecida.
Sei que, mais ou menos, me fui perdendo por aí, baralhando toda a gente à minha volta e até a mim mesma. Mas as questões que levantei, eu e mais ninguém para além de mim!, tinham que ser levantadas. Faladas. Conversadas. Respondidas. E agir conforme as respostas recebidas…

…e as respostas dizem-me que eu não quero a distância, não quero o silêncio. Não quero fechar o livro onde se tem escrito uma bonita história, com milhentos capítulos e outros parágrafos…não quero fechar este que não acredito que seja o último capítulo.

Por outro lado, ou será que é para dizer “Ao mesmo tempo”?, todos os dias em que tenho procurado por mim também tenho sido muito atacada por aquela que é a pior dor que já senti. E, finalmente, parece que a equipa médica encontrou algo que me tirou a dor, que me deu a possibilidade de descansar, que me permite dizer que há 4 noites que não tenho dores de fazer gritar…

Tudo isto ainda me está a deixar confusa. A medicação nova? Tenho medo dela, mas para já está a funcionar.

Só não quero a distância. Não quero o silêncio. Não quero andar pé ante pé, com pezinhos de lã…não é nada disso que eu quero.

Mas………eu sei……

{#331.035.2025}

Eu ainda sou do tempo em que para chamar o 112 se marcava o 115…

…e dos Bombeiros de Almada guardo boas referências do Sr. Rui que me deixou à vontade para ir ao quartel beber um café que, como o próprio diz, “é muito mau, mas pelo menos é barato!”
Guardo também com carinho o trabalho do Rúben, que acompanhava o sr. Rui no transporte de doentes não urgentes e que até é sobrinho do Zé Tó que me acompanha na fisioterapia e em cafés avulso pela Costa.

Isto para dizer, ainda um bocadinho em pânico, que ao ligar para o 112 foram accionados os Bombeiros de Almada, o Alexandre e a Tatiana, uns queridos que vieram em socorro da minha mãe…

Pulseira amarela no pulso da minha mãe. Electrocardiograma já está feito, continuamos à espera da consulta. São 15h05m. Tudo bem, é o tempo que for! O que eu quero é que a minha mãe volte a estar bem. Porque o que vi a acontecer………

Ainda não almocei, claro. E a fome é mais do que muita. E a cafetaria não abre ao fim de semana. E isso acho muito mal…

Almoçar foi à hora do chá das 5 quando já não conseguia esperar mais. E com o passar do tempo as análises foram feitas e passado o tempo que tinha que passar saíram os resultados. Tanto o ECG como as análises com valores normais, o que é bom.

No final, chegou-se à conclusão de que se tratou de uma grande quebra de tensão e um mega susto. E ter acontecido à minha frente foi uma espécie de choque de realidade, um lembrete de que nenhum de nós é eterno e que, a qualquer momento,………

Chegadas a casa, o merecido descanso da minha mãe. Eu…? Já mais calma, mais tranquila, pus a conversa em dia com quem já não falava há tanto tempo numa daquelas conversas de raparigas que fazem lembrar as conversas telefónicas da adolescência, em que se falava de tudo e não se dava pelo passar do tempo. Foram pertinho de 2 horas a pôr a conversa em dia, a falar de ideias interessantes para concretizar em breve, risota pelo meio. Já tinha saudades disto.

Agora…hora de ir dormir. E, depois de mais um dia inteiro sem dores no braço, já percebi que o pijama de manga curta, ou até mesmo sem mangas!, tem que continuar a uso. Usar uma camisola de pijama de mangas compridas não foi possível por mais de 5 minutos, mas foi o suficiente para acordar a dor que eu achava já dominada pela nova medicação…

O dia de hoje foi demasiado longo. Saí de casa às 8h30m da manhã, entrei às 19h. Paniquei. Vi o caso mal parado. Senti-me perdida e profundamente sozinha. De manhã, logo a seguir à aula de Yoga, o meu braço doeu. Felizmente, foi dor de curta duração. Ainda antes que eu percebesse que a dor se instalava para ficar durante algum tempo já a dor tinha desaparecido. Tirando o ter tomado a medicação duas horas antes, não me lembro do que possa ter mudado o cenário. Mas a verdade é que a medicação nova parece estar a fazer efeito, mas mesmo assim tenho medo daqueles episódios…

Ia escrever mais alguma coisa sobre a visita da dor mas não me lembro do que era.

…e, na verdade, acabei por adormecer enquanto escrevia… A dor ainda me visitou à noite, felizmente não ficou. Mas percebi que foi o calor que a despertou. O calor da camisola do pijama…

Felizmente o cenário da minha mãe desapareceu. Assim que chegou a casa dormiu. Agora é tempo de conversarmos. Para que ela se cuide. Com mais cuidado e atenção. Eu sei, este pedido é muito egoísta, mas eu preciso muito dela. Eu preciso muito da minha mãe. Sem ela não sou nada, não sou ninguém…

{#330.036.2025}

Há muito que não vou até ela. A minha árvore. Aquela que eu visitava todos os dias no regresso do trabalho. Ou era ela que esperava por mim junto à paragem do autocarro no meu caminho de regresso a casa…? Na realidade, não sei. Mas também nunca achei importante saber. O importante é que durante anos nos cruzavamos todos os dias depois do trabalho. Mas agora…há meses, muitos meses!, que não a visito. E nem está assim tão longe que eu não consiga lá ir. E, já decidi, acabei de decidir!, um dia destes vou até lá…sozinha.

É estranho sentir que preciso de me encontrar com uma velha árvore morta mas toda ela cheia de provas de vida? Pode até ser. Mas eu também nunca disse que eu própria não era estranha. Mas preciso, muito!, de a visitar! Recolher dela a sabedoria da transformação, de quem passou de fonte de vida a suporte de prova de vida.

Há ali, naquela velha árvore morta, qualquer coisa que me chama. E por isso tenho que ir até lá. Sempre à distância, claro, porque o caminho até ela não é estável nem seguro. Não o é para os outros, muito menos será para mim

Tenho tantas perguntas sem resposta que ela me poderá responder. As outras, que não lhe cabe a ela responder, podem sempre ser largadas ao vento para aguardar resposta que irá surgir na volta do vento no momento em que tiver que haver resposta.

Mas o que mais admiro nesta velha árvore morta é exactamente a força que a mantém de pé depois de uma vida inteira à força de Sol e vento, a beleza que a idade lhe confere, a imponência de quem se afirma até aos carros que circulam do outro lado da via rápida…

É a minha árvore. A minha velha árvore morta. Que hoje vi de passagem mais uma vez pela janela do autocarro. Não. Não é a mesma coisa que ir visitá-la mais de perto, sem horário ou pressa para sair. Mas é sempre tão bom saber que, apesar de tudo, continua lá. E continua a albergar provas de vida. Tantas provas de vida. E a árvore, velha e morta…mantém-se firmemente de pé! E isso enche-me de orgulho! E também de esperança, vá…não nego!

A minha árvore. Velha, morta, mas de pé!

{#329.037.2025}

Hey there, Delilah…ainda, mesmo tanto tempo depois, Delilah me arrepia e me faz sorrir. Porque Delilah cumpriu: “The world will never ever be the same, and you’re to blame“.

O dia lá fora pareceu-me um dia bonito. Muito Sol, céu de azul profundo e intenso, frio de Outono a chamar pelo Inverno.

Manhã que começou tarde depois de uma noite inteira sem dores pela primeira vez em muitos dias.

Ainda falámos de manhã. Sobre o tempo, sobre o dia bonito lá fora. E não lhe disse que tenho saudades… Ou pelo menos eu achava que tínhamos conversado, até ir agora ver o histórico e, afinal…o mais certo é eu simplesmente ter apagado pelo meio. E não era nada disso que eu queria…

Tenho trabalhos de casa para fazer. Tenho cartas para escrever. À mão. Exercitar a mobilidade fina porque o trabalho não é só na fisioterapia. Queria ter passado a tarde numa esplanada, de preferência com Sol à mão. Já tinha escolhido a esplanada das mesas infinitas, mas…

…ainda não percebi bem o que aconteceu, mas depois do almoço eu e o sofá embarcámos numa qualquer viagem por aí.

Serviu para descansar e recuperar. Do quê? Muito sinceramente? Não faço ideia…

Amanhã é dia de regressar à fisioterapia. É dia de eléctrodos no braço/ombro. É dia também de iniciar uma medicação que me assusta um pouco e que vai exigir alguma atenção redobrada. Mas que espero muito honestamente que me ajude com aquela dor excruciante e violenta no meu braço/ombro esquerdo e que já posso garantir que é DE LONGE a pior dor que alguma vez senti…

À tarde vou querer ir à esplanada. Se o vou conseguir…? Logo se vê…

{#328.038.2025}

No actual ciclo de fisioterapia também sou posta a escrever. Todos os dias, um tema. Todos os dias, uma página A5. Já escrevi sobre o mau tempo da “Depressão Cláudia“, já escrevi sobre “Deixar de Fumar“, já escrevi sobre “O Mar“. O tema para hoje seria “Viajar“…se eu não tivesse de imediato mudado o tema para “Viagens…na maionese!

E claro que, depois de começar o dia a ouvir o Nuno Markl tão bem disposto em directo ao telefone com a Rádio Comercial tinha que me lembrar dele. Porque “Viagens na maionese” é tão HQMC…!

25/Novembro/2025
Viagens…na maionese!
Não me chamo Nuno Markl, nem tive um AVC nem tampouco tenho tanta piada. Na única vez que os bombeiros me foram buscar a casa de ambulância para uma viagem ao Hospital de Setúbal para uma consulta de urgência nenhum disse aos vizinhos que era só uma dor de dentes!!!
Não, não sou o Nuno Markl, não tenho tanta piada como ele mas O Homem Que Mordeu o Cão diz-me que eu posso viajar! Na maionese! As vezes que eu quiser! E está tudo bem!

Fui apanhada na curva por um estúpido diagnóstico que veio para ficar! Espero sinceramente que o AVC do Nuno não deixe marcas significativas no verdadeiro Homem Que Mordeu o Cão! E foi tão bom ouvi-lo esta manhã em directo do Egas Moniz!

E Nuno, é mesmo caso para dizeres o que aprendi há mais de 20 anos com a minha Fernanda: “tirando o que está mal, está tudo bem!

E fico a torcer-me toda para que a recuperação seja total. Mas absolutamente SEM PRESSA, Nuno!

{#327.039.2025}

Nunca, seja em que situação for, eu sou de fugir. Não.
Posso eventualmente esconder-me durante um momento, deitada em posição fetal em cima da cama, em silêncio como naquele Agosto há 11 anos em que não disse uma palavra durante 3 dias. Em silêncio mas não calada. Seja no papel com caneta, seja nas redes que tantas vezes me salvaram sem sequer imaginar que estender a mão é tantas vezes um gesto de salvação, seja no blog onde há mais de 11 anos todos os dias escrevo e tantas vezes vomito o que trago cá dentro e me sufoca…

Não fujo. A nada. Brinco muitas vezes ao Faz de Conta precisamente enquanto me escondo momentaneamente em busca das peças da minha armadura que, à primeira vista, passa a mensagem de que está tudo bem. Quando, como agora, não está

Durante 2 anos e meio não conseguia chorar. Com tanta coisa a acontecer comigo e as lágrimas a insistir em não cair…até que descobri a única coisa que me faz chorar MUITO em menos de nada. Ontem chorei. Muito. Hoje, na Teleconsulta com a Psicóloga, é praticamente garantido que irei chorar novamente. Seja! A única ferida que eu nunca quis está aberta, ainda tão recente e a precisar de espaço e tempo para sarar. E escrever esta última frase foi o suficiente para me devolver as lágrimas que tinha posto de lado por um momento…

…dificilmente voltarei a despir a minha armadura. Mas, mesmo que volte a optar pelo meu silêncio, mesmo com a Teleconsulta a ter lugar daqui a 30 minutos, mesmo que o som da minha voz se volte a recusar a fazer-se ouvir, não abrirei mão do uso da palavra escrita, seja aqui ou no Instagram, para conseguir digerir e vomitar todas as palavras que se acumulam cá dentro porque a perda DÓI!

…e eu estou cansada de perder…sempre

E sim, a Teleconsulta é com a Psicóloga. Mas não, ela não é responsável por eu querer fazer acontecer. Até porque quis fazer acontecer exactamente o mesmo a 26 de Janeiro de 2024. E a resposta…?

Foi
exactamente
a
mesma
:
NÃO!

O que eu NÃO SOU…

Das coisas que já há algum tempo que não digo: eu TENHO uma doença, eu NÃO SOU essa doença.

Achava que essa parte já estava esclarecida. Mas, pelos vistos, não…

Então vá, vamos lá.

Eu fui totalmente apanhada na curva por um diagnóstico que não esperava, que não procurei, mas que me encontrou e veio para ficar. Traz-me dificuldades e limitações? Traz. Traz-me dores que não sei descrever e que não me deixam dormir? Traz. Mas é a MIM que traz isso tudo. E até muito mais. Tanto mais que não cabe tudo aqui!

Mas NINGUÉM tem o direito de se rir na minha cara quando partilho o meu plano de superação. Que ME é tão importante para provar a MIM MESMA que AINDA CONSIGO!

Também NINGUÉM tem o direito de usar o MEU estado como uma qualquer desculpa para que as coisas não aconteçam. Porque dizerem-me “contigo assim” não pega.

Eu NÃO SOU o meu diagnóstico. NÃO SOU a minha doença. SOU MUITO MAIS. É uma situação difícil de entender para quem está de fora? Então ponham-se no MEU lugar e imaginem o que é isto tudo para mim, quando para vocês já é incompreensível e frustrante

{#326.040.2025}

Nunca como agora, tal como em 2008 quando a escrevi, a descrição que consta no meu perfil fez tanto sentido: “Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.” Porque é isso exactamente que acontece quando, como agora!, o meu ombro queima por dentro enquanto um qualquer ser desconhecido me morde, me mastiga a carne e me arranca todas as fibras, os músculos, os nervos…e eu solto gritos de dor excruciante que se formam sei lá onde dentro de mim enquanto o meu corpo se contrai e contorce para suportar o pico de dor. São picos de dor que me chegam em ondas que duram apenas alguns segundos. Segundos intermináveis em que o Mundo à minha volta se desfoca, se mostra difuso, tantas vezes distorcido.

…à noite, já sei, não durmo. Tantas vezes que sou acordada a gemer alto com a dor que me queima e consome. E quando, como hoje, essa queima do meu ombro acontece de manhã cedo antes da hora de sair de casa, fico esgotada e a precisar urgentemente de descanso…até que, depois do almoço e já em casa preparada para descansar, começa tudo outra vez

Por isso, sim, se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu

Fazer acontecer

Fazer acontecer. Ou o seu contrário. Que também é fazer acontecer, curiosamente. Apenas segue em direcção oposta…

Disse-o aqui há dias: eu sou de fazer acontecer. Porque eu quero. Porque eu posso! E, quando dependo apenas de mim para fazer acontecer, corre tudo bem. Não há dores, não há lágrimas, não há NADA que me faça parar. Já quando a meta é a meio caminho para cada lado, não interessa se eu vou…fica sempre a faltar a outra metade do percurso para, de facto, acontecer.

…e essa falta de comparência faz doer. Muito. Demasiado! E eu, que sou aquela que se queixa de nunca conseguir chorar quando preciso, pareço ter aberto as comportas ao confirmar a falta de comparência…

Choro agora. Ao escrever sobre esta minha vontade de fazer acontecer a meio caminho e que vejo negada, recusada até!, por simples falta de comparência.

Dói? Neste momento dói. Muito. Ao ponto de preferir aquela dor no meu braço esquerdo que não me deixa dormir, que me faz gritar no pico da pior dor que o meu corpo alguma vez sentiu! Mas que não dói absolutamente nada perto de uma falta de comparência

…hei de chorar TUDO o que tiver que chorar. Sozinha? Sozinha. Porque, sempre o soube, as lágrimas neste Fazer Acontecer depois de uma falta de comparência serão exclusivamente minhas.

Até porque, e isto não me sai da cabeça há vários dias:

  • quem QUER arranja um jeito
  • quem NÃO QUER arranja uma desculpa.

E, por mim, com certeza: não vou continuar a segurar as minhas lágrimas que finalmente me caem. E que nunca pensei que por uma Falta de Comparência caíssem de forma tão fácil e tão intensa

…mas fica a certeza: pode não acontecer o que eu queria na meta que eu tinha proposto por Falta de Comparência do restante percurso, mas com mais ou menos dor, mais ou menos lágrimas, eu FAÇO ACONTECER no sentido oposto. Porque, e já o devia ter concretizado há muito tempo!, para mim em primeiro lugar estou EU! E que não se volte a registar uma Falta de Comparência de mim própria! Especialmente quando a única pessoa que realmente me faz falta SOU EU!

……agora, com licença. Preciso de espaço para respirar e começar a Fazer Acontecer no sentido oposto…doa o que (me) doer!

{#325.041.2025}

23 de Novembro de 2025. Aquele dia que marca os 100 dias sem fumar. Marca também aquela manhã em que, por causa de uma crise de asma como nunca tive na vida em que respirar era quase impossível e a bomba da asma cá de casa resolveu desaparecer, vi o meu caso MUITO mal parado… Felizmente uma boleia de urgência até à farmácia de serviço para comprar uma nova bomba fez toda a diferença. E nunca respirar me soube tão bem…!

Mas 100 dias sem fumar são muitos dias e tinha prometido ao microsobrinho, meu maior impulsionador nesta demanda, que haveriamos de comemorar juntos. E assim foi! Almoço em família para mais tarde recordar. E uma conversa a dois, o microsobrinho e eu, sobre como estou e quando é que terei “melhoranças“. Que serão de certeza uma mistura de melhoras, que ele já sabe que não poderão existir, com mudanças que ele repara sempre e aponta, como quando na nossa conversa de hoje me disse “vês, tia? O teu cabelo está mais liso agora!”

Os 100 dias ainda não resultaram num abraço dele, mas já me disse, sentado no meu colo, que “hey! Antes do dia 200 ainda venho cá outra vez!” e claro que sim! Sabe que vem SEMPRE que quiser!

100 dias sem fumar, um despertar sem conseguir respirar, a conversa a dois e o microsobrinho sentado no meu colo. Uma espécie de montanha russa num Domingo frio. Mas o que teve de mau foi completamente suplantado pelo que teve de (muito) bom. Nunca esquecendo, obviamente!, o bolo de laranja e ganache de chocolate, feito e decorado pela melhor mãe do mundo: a minha!

{#324.042.2025}

Não. Não sei. Não faço ideia! Que sortilégio aconteceu hoje com o pôr do Sol?! Que não pude assistir na praia, mas que assisti entre os ramos das árvores no Parque. E vi também as cores do céu. Como nunca tinha visto antes.

…e não há uma única fotografia não editada que faça verdadeira justiça ao que se viu hoje ao final do dia. Um espectáculo maravilhoso de luz e cor. No céu. E diz-me quem viu o pôr do Sol na praia que estava fabuloso.

Para guardar na gaveta das memórias de coisas bonitas. Feito!

Um final de dia assim vem compensar o terror da última noite com gritos e lágrimas de dor extrema, excruciante, sem descrição possível…

A próxima noite vai ter que ser melhor…!

{#323.043.2025}

Há vários meses que penso nisto: superação. Ou, apenas e só, superar-me a mim mesma.

Para mim é importante! Cada vez mais! Porque não tenho que provar NADA a ninguém…a não ser a mim mesma.

Especialmente quando me dizem que não. Que não vou poder por não ser capaz. Mas aí garanto: serei capaz. E até irei tirar fotos só porque sim e porque também e ainda para chatear! Por isso, não se riam com a certeza que não posso por não ser capaz…cá estarei para mostrar a mim mesma e a quem queira acompanhar que sim!, eu sou capaz de TUDO O QUE EU QUISER!

E quando a dor te fizer gritar,

grita!!!

Sem medo! Sem vergonha! Sem necessidade de controlar o volume!

…porque, tantas vezes!, percebo agora, gritar é resistir…

…porque a dor vai chegando devagarinho, faz-se presente sem causar demasiado desconforto. Até que, de repente, o desconforto ligeiro passa a dor excruciante que te queima e te corrói e te obriga a gritar durante o pico de dor extrema que chega em ondas…

…e que, de repente, assim como veio…já se foi, expulsa a gritos de dor! A pior dor de sempre…

…e se, entre os picos de dor, ao gritares começares a chorar, não impeças a queda dessas lágrimas contidas sem explicação

{#322.044.2025}

Não. É resposta que raramente aceito quando não é bem fundamentada.

Fazer acontecer. Eu sei que os últimos dois anos têm sido de mais estagnação do que acção. Mas eu sou miúda de fazer acontecer.

E depois vou ao Priberam e confirmo que, entre advérbio e nome feminino,

não

advérbio

  1. Partícula negativa oposta à afirmativa sim.
  2. De modo nenhum. (É algumas vezes partícula expletiva.)
    • nome feminino
  3. Recusa; negação.

…não sei mesmo qual consigo aceitar quando quero (muito!) fazer acontecer.

…e apontarem as minhas dificuldades de deslocação como uma eventual desculpa para uma recusa é só uma enorme desculpa de muito mau pagador, além de ser uma profunda injustiça para comigo. As minhas dificuldades são MINHAS apenas e não aceito que condicionem absolutamente NADA do que eu POSSO fazer acontecer.

Por isso…eu VOU! Fazer acontecer! Resta saber fazer exactamente o quê, mas eu sei exactamente quais as duas únicas hipóteses em que uma das duas irá prevalecer. É uma espécie de “ou sim ou sopas“. E sopas só as da mamã, obrigada!