{#224.142.2022}

E a semana chega ao fim. Não dei por ela, olho para trás e sinto que me falta algum dia. Mas hoje é sexta feira, já confirmei.

Uma sexta feira sem História ou histórias, nada a declarar. Apenas a confirmação de que vou continuar a trabalhar de casa mais umas semanas, pelo menos até ao final do mês. Depois disso, não há volta a dar, tenho que voltar ao local de trabalho. Seja. Também já lhe sinto a falta…

Também sinto a falta de uma presença física muito específica, mas vou continuar a senti-la. Não há nada que possa fazer para colmatar essa falta. Um dia voltamos a beber um café. Não sei quando, mas um dia. Mas tenho tanta vontade de estar presente…e de ter por perto quem me faz sentir bem.

Enfim…mais um dia igual aos outros. Mais uma semana de trabalho. Nada de novo, portanto.

Amanhã, sábado, dia de fazer alguma coisa de diferente. Nem que seja sozinha.

Hoje? Termino o dia com vontade de continuar a conversar, mas sei que não acontece, não pode acontecer, não vai acontecer. Amanhã? Logo se vê como será.

{#223.143.2022}

Quinta feira depois de mais uma noite interrompida. Não posso continuar a ter noites mal dormidas, interrompidas pelas mais diversas razões, já não é só a gata que me acorda. Como sempre, desde sempre, qualquer ruído por mínimo que seja me acorda. E a noite passada não foi excepção.

Não posso continuar com noites destas. Mas, para ajudar, as próximas quatro noites prometem ser agitadas com um festival à porta de casa. Amanhã ainda é dia de trabalho e esta noite já há música a entrar-me pela janela. Sei que depois vem o fim de semana e vou poder acordar mais tarde e descansar um pouco durante o dia. Mas as noites…

Amanhã é dia de Festival. E, daquela equação em que um mais um podia dar quatro, vinte e cinco por cento vão estar muito perto… É pena que o um não esteja por perto também. Mas estarei disponível para qualquer eventualidade. Como sempre estou, como sempre estive. Como sempre estarei.

Não vou dizer novamente que o que queria mesmo não era só estar disponível. Era, sim, fazer parte de. Do quê? De algo mais do que é na realidade.

Cansada. Da semana. Do trabalho. Do vazio… Da eterna espera por retorno que nem sempre acontece. E que, tantas vezes, é quase fugaz. Mas, e detesto esta frase, é o que é.

Por hoje chega. Amanhã? Só por ser sexta feira vai ser um bom dia. Depois, logo se vê…

{#222.144.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Dia difícil de trabalho depois de mais uma noite interrompida, desta vez pela dor de cabeça.

Trabalhar em casa com os meus sobrinhos por perto não é impossível, mas não é fácil. E com o volume dos últimos dias só tende a piorar. Gosto muito de os ter por perto, mas mexem com a minha ansiedade de uma forma que não sei explicar…

Tirando isso, mais um dia com retorno matinal, é certo, mas silêncio absoluto ao fim do dia depois de mais uma tentativa, minha, claro, de manter um contacto normal que não se reduza a “bom dia” e “boa noite“. É tempo que dedico, tempo que não é possível reaver, que me é precioso. Tempo que sempre vi como um investimento. E que começo a ver como desperdiçado… E eu, como o outro lado sabe, não tenho tempo para perder Tempo. E sinto que estou a perder…

Um dia deixo de perder tempo. E no dia em que decidir que não quero mais perder tempo, acabam-se as mensagens e os rituais. E, tenho medo, é possível que acabe algo mais…e isso não quero.

Enfim…por hoje chega. A dor de cabeça está a instalar-se e o relógio avança. Felizmente amanhã o dia de trabalho retoma no horário normal, já não é dia de entrar mais cedo para sair mais tarde, como já não foi hoje.

Ainda me vou dedicar ao ritual nocturno. Mas não o irei fazer por muito mais tempo. Porque tempo é tudo o que tenho de mais precioso. E não dura para sempre. Por isso, tenho que dedicá-lo a quem lhe der o devido valor. Vamos ver…

Amanhã? Logo se vê como será…

{#221.145.2022}

Novamente aquele dia em que não sei a quantas ando… É terça feira, mas todo o dia o senti como quarta. Não é bom andar assim. Mas é cada vez mais frequente.

E hoje dei por mim a pensar sobre o que será feito daquela tempestade perfeita que, tão depressa como apareceu, desapareceu. Tenho alguma curiosidade. Não que vá mexer-me para saber alguma coisa, acho que já dei demasiado para esse peditório, mas tenho curiosidade, claro. Tantas ideias, tantos planos, tantas promessas. Cumpriu zero, claro. No fundo, não muito longe do que eu esperava desde início. Mas sim, tenho curiosidade.

Foi pena essa tempestade perfeita se ter dissipado tão depressa. Porque me faria bem ter algo em que me focar para além de um porto de abrigo que não me leva a lado nenhum. Sei o poder de destruição de uma tempestade perfeita. Mas também sei o poder de transformação. E é de uma transformação que eu preciso…

Enfim…não vou correr atrás. Não fui eu que avancei nas ideias, nos planos, nas promessas sem ter intenções de cumprir. Se voltar, voltou. E logo se vê.

Terça feira! E mais uma vez ia dizer quarta. E hoje não queria falar do retorno, do porto de abrigo, da presença quase fugaz. Mas já estou a falar…e sinto saudades de outros tempos, de outras fases daquilo a que o outro lado também chama de relação. De amizade, é certo. Mas eu sempre tive cuidado para não lhe chamar de relação porque sei o peso que isso tem. Mas o outro lado usou esse termo para descrever o (pouco) que temos. E que, disse-me, quer manter. Mas parece não haver um grande esforço nesse sentido. Se não for eu a avançar, a tomar a iniciativa, não é ele a fazê-lo. E isso entristece-me e custa-me.

Mas já chega! Por hoje já chega! Não vou falar mais disso. Porque não quero pensar nisso.

Amanhã, quarta feira. Amanhã, sim, será quarta feira. E o trabalho será em horário normal. E só por isso já será um bom dia. O resto? Logo se vê como será.

{#220.146.2022}

Segunda feira. Mas sinto como se já fosse quinta. Começo a semana cansada. Já começa a ser hábito. E o que também já começa a ser hábito é entrar mais cedo para sair mais tarde.

Mais uma noite interrompida, muito mal dormida, muito calor e, claro, uma grande dificuldade em acordar.

Sobrinhos de férias. E rapidamente volto a sentir-me a mais. Como sempre, quando toda a família se junta, sinto-me a mais, como se não pertencesse aqui. Todos os anos, no Verão, sabe bem tê-los por perto. Mas não sabe bem sentir que estou a mais em toda a dinâmica. Numa dinâmica de cinco, onde apenas quatro contam…

Tento manter a cabeça ocupada. Distrair-me. Não pensar. Mas fica difícil não o fazer…

Assim como também tento não pensar no porto de abrigo, no retorno, no que podia perfeitamente ser e não é. Mas em cada segundo livre que tenho o pensamento foge para aí. E um dia tenho que deixar de pensar nisso tudo. Não me faz bem.

Um dia. Um dia dou razão ao meu gut feeling. Ou então um dia deixo de pensar no que, já sei, não me faz bem.

Hoje ainda não é o dia. E mais uma vez vou ao ritual nocturno que, já sei, não terá resposta. Masoquista, portanto. Mas sei que, se um dia parar de o fazer, mais ninguém o fará e termina uma relação de amizade…e isso não quero. Quero manter a proximidade. Quero manter o pouco que ainda resta.

Ainda não é hoje que deixo de dizer “boa noite”. Não tenho retorno, eu sei. Mas não é hoje que deixo de estar presente no final de mais um dia…

Amanhã? Logo se vê como será. E, querendo que seja um bom dia, será um bom dia…

{#219.147.2022}

Domingo. Manhã de consulta com o terapeuta fofinho e um bocadinho de conversa matinal. Nada mau para começar o dia. Pena não ter havido mais durante o dia…

E a certeza que tenho que mudar alguma coisa. Os meus dias não podem reduzir-se só a trabalho e fins de semana vazios. Preciso, com urgência, de encontrar qualquer coisa que me ocupe. Que envolva pessoas. Que envolva fazer acontecer.

Cada vez mais preciso de me sentir útil. E não sinto…

Vou pedir sugestões nesse campo. Já tinha falado nisso em tempos. Deu em nada porque a minha sugestão não parece ter sido bem acolhida. E agora percebo porquê. Mas desta vez serei eu a pedir sugestões. Alguma coisa irá surgir.

Preciso rapidamente de novas experiências. E, consequentemente, novas memórias.

Vamos ver como corre. Agora concentro-me na próxima semana. Veremos também como vai correr, sabendo desde já que será, mais uma vez, de muito trabalho. Mas não pode resumir-se a isso…

{#218.148.2022}

Sábado e o trabalho espiritual que é necessário e que eu ando a boicotar…

Não me apetece mexer no que ainda dói. Mas sei que é necessário fazê-lo se quero estar bem. Mas mexer nisso sozinha…não sou capaz. Ainda não…

Retorno matinal. E perceber que o outro lado está muito bem como está. Mixed feelings sobre isso. Se por um lado fico contente que esteja bem, por outro lado também sei o motivo, ou um dos motivos, e isso deixa-me muito apreensiva porque sei o que pode acontecer. Não o verbalizo, mas sim, tenho muito medo que as coisas aconteçam. Porque podem, de facto, acontecer.

Sábado. Dia mais aborrecido da semana. Uma saída à tarde para ver o mar à distância. Porque não me apeteceu estar mais perto dele hoje. Mesmo sabendo que me fazia bem estender a toalha na praia e, até, dar um mergulho. Mas não, hoje não. Para variar, muito cansada. E, na verdade, sem desculpa para não aproveitar melhor o que tenho tão perto.

E a cabeça que se perde e vai sempre, a todo o momento, até lá… Até onde queria estar, com quem queria estar. Mesmo sabendo que ainda não é tempo. Se é que algum dia vai ser.

Desisto por hoje. Mais uma vez digo: não quero pensar. Porque já me basta (e custa) sentir.

Amanhã? Dia de consulta com o terapeuta fofinho antes das férias dele. Dia de pedir ajuda para me aguentar até Setembro sem consulta. Não vai ser fácil. Especialmente por me sentir tão perdida como me sinto agora.

Mas vai correr bem. Vai ter que correr bem. E, se não correr, mesmo de férias sei que se precisar de ajuda basta gritar.

Como vai ser amanhã? Logo se vê. Por hoje chega.

{#217.149.2022}

Sexta feira, finalmente. E muito cansada. Perceber que, ao fim de 5 dias de trabalho, trabalhei 6 dias… Não admira que, mesmo tendo acabado de voltar de férias, esteja a precisar de férias novamente. Isso ou aprender a dizer não ao trabalho extra. Mas não sou capaz de o fazer, sabendo que é preciso é, talvez mais importante, sabendo que não tenho mais nada para fazer…

A vantagem de fazer tempo extra? Posso fazê-lo em casa. E, já que estou em casa depois de ter pedido pelo menos duas semanas de trabalho remoto, entro mais cedo para sair mais tarde. Não custa assim tanto. Apenas sinto a cabeça mais cansada, que é normal. Mas pelo menos está ocupada e longe de pensar demais.

E é a pensar demais que a minha cabeça anda sempre que tem um bocadinho de tempo livre. E não pode ser.

Retorno matinal que soube, como sempre, bem. Mas também já percebi que, se não for eu a tomar a iniciativa, não é ninguém. E isso entristece-me um pouco. Especialmente porque, ao fim de tanto tempo, já se tornou um hábito. E podia ser de parte a parte. Mas não é…

Um dia deixo de procurar retorno. Seja de manhã ou seja à noite. Mas, para já, não consigo pensar nisso, não ponho essa hipótese. Porque já me custa a ausência quando o retorno não acontece. Mais me custa pensar numa ausência provocada por um afastamento meu…

Um dia. Ainda acredito que um dia as coisas mudam. A meu favor. Ilusão? Se calhar. Mas o meu gut feeling teimoso continua a dizer-me o mesmo. E eu continuo a confiar. Um dia dou-lhe razão.

Agora tento não pensar. Muito. Mas estou naquele momento em que não estou ocupada, a cabeça dispersa-se e vai sempre parar onde não deve. Por isso vou desligar. Tentar descansar. Também preciso. Também mereço. E, na realidade, mereço tanto mais do que tenho…

Mas não vou pensar mais por hoje. Porque demasiado cansada e a pensar no que não devo é meio caminho andado para haver lágrimas. Que já estiveram mais longe de acontecer. E isso é coisa que não quero mesmo.

Amanhã, dia mais aborrecido da semana, vou tentar fazer com que seja diferente. Se vou conseguir? Duvido. Mas vou tentar… A semana foi longa, intensa, desgastante. Agora é hora de descansar.

Amanhã? Logo se vê como será…

{#216.150.2022}

Quinta feira. Não necessariamente um dia fácil. Focado no trabalho, como sempre, mas também com foco no calendário.

O pai que não soube nem quis ser. Cinquenta anos hoje. Não necessariamente mais maduro. De certeza não mais adulto. E, de certeza, sem memória. Enquanto eu não me esqueço. De nada. E às vezes preferia não ter esta memória assustadora. Há coisas – e pessoas, porque não? – que preferia não recordar. Mas recordo. E não quero…

Retorno matinal. E uma pergunta em jeito de resposta, “e tu?”. Já percebi, entretanto, que foi uma pergunta por perguntar, provavelmente ainda nem foi lida a resposta. E, mesmo que tenha sido lida, não houve interesse. Por isso, pergunto eu: para quê perguntar?

Não sei. Um dia deixo de procurar retorno. Porque é vazio. Não é isso que quero. Nunca foi.

Trabalho atrás de trabalho atrás de trabalho atrás de trabalho. São estes os meus dias. Quando queria mais do que apenas isso. Mas não…é só isso. Ir ao café depois do trabalho, especialmente quando saio mais tarde depois de entrar mais cedo, é o meu momento. De tempo para mim. E no fundo não é nada. Quando, sei, podia ser algo mais. Podia ter algum significado. Algum sentido.

Sim, sinto-me desanimada. Talvez seja só cansaço. Ou talvez seja só frustração. Um dia melhora. Mas hoje ainda não é o dia…

Amanhã? Sexta feira. Tem tudo para ser melhor. Logo se vê.

{#215.151.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim.

E a ausência de retorno matinal. Parece que agora é assim…nem de manhã, nem à noite. Ou melhor, nem sempre. Porque ontem à noite houve retorno. Já dormia quando chegou. Mas o que importa é que chegou. Mas de manhã também lhe sinto a falta…

Seja… Seja o que for, como for, até quando for…

Se gosto dessas ausências de retorno? Claro que não. Se gostava que fosse diferente, para melhor? Claro que sim. Mas, e vou usar uma frase que aprendi a não gostar, é o que é.

Agora é encolher os ombros, sorrir e acenar. Disseram-me que não tinha que mudar nada e cobraram-me quando, muito magoada, mudei. Voltei ao de sempre. Porque para mim continua a fazer sentido. Mas não gosto das ausências. Quem é que gosta de falar sozinha? Eu, decididamente, não gosto…

Encolher os ombros, sorrir e acenar. Amanhã? Logo se vê…

{#214.152.2022}

Terça feira e já tão cansada.

Mais uma noite interrompida, desta vez por causa do calor. Muito calor. O suficiente para acordar completamente encharcada. E quente. Muito quente. Mas é Verão, portanto é normal haver noites quentes. Não quero pensar que seja outra coisa. Porque não é. É simplesmente calor numa noite de Verão…

Trabalho. Entrar mais cedo para sair mais tarde. Outra vez. E assim será toda a semana. Ainda não aprendi a dizer não. Mas não consigo ser de outra forma.

E o silêncio. A ausência de retorno. Já me devia ter habituado. Já devia saber que por vezes acontece. E está tudo bem. Mas sinto sempre a falta de um “bom dia”. E já me habituei à falta de um “boa noite”… Se queria mais? Claro que sim. Mas, neste momento, é assim. E, por ser assim, só me resta aceitar que não posso mudar nada. Um dia as coisas mudam. Só me resta esperar que mudem para melhor. Mas, até lá, a ausência de retorno pesa…

Amanhã será melhor. Mesmo que hoje não tenha sido mau, há sempre a possibilidade de melhorar. E amanhã será melhor. Simplesmente porque eu quero que seja. E, havendo retorno, melhora logo. Mas é preciso que haja.

Por hoje já sei que não haverá retorno. Mas a minha vontade é dizer “estou aqui”. Ainda não decidi se o digo ou não…

Entretanto, encolho os ombros. É sorrir e acenar. E tentar descansar, que é o mais importante neste momento.

Ou devia ser…

{#213.153.2022}

Ainda bate. Todos os dias, a cada segundo, confirmo que sim, ainda bate. Já foi partido várias vezes, ainda está partido… Já foi até espezinhado. Mas ainda bate.

Dia de regresso ao trabalho depois das férias. Não foi fácil. Tive momentos em que a vontade era de desligar e dizer “já chega”. Mas também tive daqueles momentos em que digo para mim mesma “é disto que eu gosto”.

Voltar hoje ao trabalho e começar logo a sair mais tarde. Para amanhã entrar mais cedo e voltar a sair mais tarde. Não sou obrigada a fazê-lo, mas também não consigo dizer que não.

E, do outro lado, o início de um novo desafio. Que, sei, vai correr bem. Não só porque é merecido mas também porque sei que é um bocadinho como eu: se é para fazer, é para fazer bem feito. E só por aí já sei que vai correr bem.

Ontem não foi um dia fácil. E a noite não foi melhor. Fiz um pedido que não sei até que ponto foi atendido ou até entendido, mas que me deixou de lágrimas nos olhos e nó na garganta. Porque, percebo-o todos os dias, ainda me dói não ter o meu filho.

Um dia talvez venha a entender o propósito de tudo isto. Mesmo sabendo que tinha tudo para ser diferente. Mas não foi. Talvez um dia venha a entender. E talvez um dia venha a perdoar-me a mim mesma…

É tarde. O dia foi longo. Algo pesado. Mas não consigo perceber se estou cansada ou não… É tão estranho estar assim. Sei que me apetecia mais um bocadinho de conversa. Que não vou ter. Mas sim, vou ter o ritual nocturno. Porque não me faz sentido não o ter. Mesmo que sem retorno nocturno, não consigo (ainda) afastar-me e terminar com algo que me faz sentir bem e que, já percebi, é bem-vindo do outro lado.

Um dia deixo de o fazer. Quando deixar de fazer sentido. Mas esse dia ainda não chegou. Por isso, repito o ritual de todas as noites.

E ainda bate. Partido, mas bate. E por esse retorno que vou tendo continua a bater. Até um dia em que comece a bater mais longe do retorno que me faz bem…

{#212.154.2022}

Oito anos depois de 42 dias. Colo vazio. Para sempre.

Ainda é um dia que me dói, que me pesa. O tempo, admito, tem ajudado. Não a esquecer porque não se esquece, mas a atenuar a dor e a saudade. Mas o colo, esse, estará para sempre vazio. E é isso que dói. Saber que sim, estive grávida por 42 dias, mas não tenho o meu filho. E sinto muito a falta de dar e receber colo. Aquele colo de mãe que não sou porque não tenho o meu filho.

Oito anos, como se tivessem sido apenas oito dias. Tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou, outra tanta permaneceu igual. Eu? Acho que me perdi pelo caminho e ainda não me reencontrei totalmente. Tento criar novas memórias que também me relembrem quem sou. Não apenas o que sou. Porque o que sou eu sei dizer. Mas quem sou fico sempre na dúvida.

Sei também o que não sou. Não sou mãe. Por muito que algumas pessoas me digam que sim, que o sou, na verdade não sou. Não cheguei a ser. E esse vazio dói ainda. E acredito que nunca deixará de doer.

Quis fazer do dia algo de diferente. Não fiz. E tive o último jantar que queria ter, com as últimas pessoas com quem queria estar. Porque o meu filho devia estar ali, com aquelas crianças da mesma idade. Mas não esteve. Nunca estará.

Os anos vão passando e eu não duvido que, numa história que envolve duas pessoas, eu sou a única que a recorda e revive. A outra metade desta história simplesmente desapareceu. Há alguns anos… E, claro, no entender dele a culpa de ter desaparecido é minha. Porque, e não me esqueço, “tu és instável, sempre foste”. Para alguém que não quer problemas, quer soluções, como apregoa para quem o quiser ouvir, esquece-se de que todas as soluções têm consequências. E, neste caso concreto, as consequências ficaram todas para mim.

“Eu vou estar sempre aqui” ou “o tempo que precisares” foram promessas que duraram pouco. Porque esse sempre não durou muito e o tempo que eu precisar foi-me negado, porque ao fim de oito anos ainda preciso desse tempo.

Oito anos que podiam ser oito dias. 2922 dias. Como se fosse ontem.

Tenho vontade de chorar. Mas não consigo. Sinto apenas. E preciso do meu espaço e do meu tempo para sentir… Apenas isso.

Sei que amanhã será um dia melhor. Hoje foi duro, mas amanhã será melhor. Volto ao trabalho depois das férias, volto a ocupar a cabeça. Sim, será melhor.

Por hoje resta-me sentir a ausência, a tristeza, a dor que ainda me acompanha. Mas sei que, também isto, vai passar. Ou, pelo menos, acalmar. Mas hoje tenho todo o direito de simplesmente sentir…

{#211.155.2022}

Fim de mais um ciclo de 365 dias. O oitavo. E tento que não me afecte. Tanto. Mas ainda dói.

O tempo tem ajudado. Sempre é verdade quando dizem para dar tempo ao tempo, que alivia. Não se esquece, não deixa de doer, mas atenua.

Ainda me lembro desta noite há 8 anos. Ainda me lembro de tudo, na verdade. E hoje só quero esquecer. E, também por querer esquecer, peço que me enviem coisas bonitas. Como, por exemplo, fotografias de um céu estrelado. Se vou receber? Tenho as minhas dúvidas. Mas o pedido foi feito e foi bem recebido. Vamos ver se vou ter esse retorno.

Hoje, como nos últimos anos nesta data, preciso de coisas boas, bonitas. E amanhã, já sei, será reviver tudo ao minuto. E vou precisar, novamente, de coisas boas, bonitas. Nem que sejam palavras apenas.

Hoje foi uma manhã dedicada a tratar de outro lado meu. Aquele que tantas vezes tenho esquecido. Mas que também merece atenção. E, mais uma vez, a certeza de que o trabalho é todo meu para ficar em paz e equilíbrio.

Amanhã, felizmente, é dia de consulta com o terapeuta fofinho. Vou poder, junto com ele, revisitar aquele dia, depois de já termos juntos visitado aquele lugar que pretendo esquecer.

Hoje? Por muito que me sinta cansada não quero ir para a cama. Não quero dar espaço à minha cabeça para navegar pela memória. Memória que, já sei, é assustadora. Porque se lembra de tudo. De todos os pormenores…

E eis que chega a resposta ao meu pedido. Um céu estrelado…

Amanhã? Logo se vê como será. Por hoje, e pelo que acaba de chegar, já me dou por contente…

{#210.156.2022}

Todo o dia podia jurar que era Sábado. Mas não. Sexta feira. Não me posso esquecer que – ainda – é sexta feira. Mas soube sempre a Sábado.

Dia perdido, sem História ou histórias, sem fazer nada que não fosse suportar a dor de cabeça que me tem acompanhado nos últimos dias.

Praia? Não me apeteceu. O dia esteve bonito, supostamente com calor, mas o vento estragou tudo. Acabou com a vontade de ir à praia. Porque o vento vinha demasiado fresco. E praia com demasiado vento fresco não apetece.

Foi o último dia de férias. Sei que vou ter oportunidade de ir à praia depois do trabalho nas próximas duas semanas, pelo menos, já que vou estar a trabalhar em casa. E sim, preciso de praia, mas passo bem com ela só ao fim do dia.

Queixo-me da falta de retorno. Mas devia, também, queixar-me da minha falta de memória. Só a meio da tarde me lembrei que, desde ontem, há uma ausência programada até domingo à noite.

Mas, mesmo com essa ausência programada, esta manhã houve retorno. E uma pergunta que raramente me é feita. E, claro, soube bem.

Mas sim, sexta feira com sabor a Sábado todo o dia. Amanhã espero conseguir aproveitar melhor o dia, desde que a dor de cabeça o permita e o vento esteja mais fraco. E ainda hoje haverá ritual nocturno. Sei que dificilmente terei resposta nos próximos dias, porque esta ausência programada condiciona a comunicação. Mas fica a mensagem que quero entregue.

De resto, amanhã será melhor. E não, amanhã – ainda – não é Domingo.

{#209.157.2022}

Dia que começou cedo, inteiramente dedicado a tomar conta de mim. Análises feitas, primeiro exame idem. À tarde, dentista. Aproveitar os últimos dias de férias para tratar do mais importante: eu.

Devia tratar de mim mais vezes. Olhar por mim. Tomar conta de mim. Tudo o resto é menos importante que eu neste momento. Também o devia ser noutro momento qualquer. Mas tenho tendência a esquecer-me de mim. Os outros primeiro, sempre.

Não pode ser. Não pode continuar a ser.

Mesmo que os outros se resumam a um simples retorno. Que, quando não acontece, como hoje, me deixam a questionar tudo sobre mim.

Um dia deixo de procurar esse retorno. Já esteve mais longe de acontecer. Mas ainda o procuro, sabendo que não me leva a lado nenhum.

Pergunto-me, muitas vezes, o que é que ainda espero, sabendo que está claro o que vem dali. Já foi falado, já ficou esclarecido e estabelecido que dali não vem mais do que uma simples amizade. Que também é importante. Também é bom. Mas não é o que eu queria…

Moving on

Afastar-me? Talvez. Talvez seja esse o caminho, o próximo passo. Não sei… Mas tenho medo que, ao afastar-me, a amizade se perca pelo caminho. E não quero isso. Talvez seja por isso que mantenho a procura por retorno, mesmo que ele não aconteça.

Um dia talvez tudo isto comece a fazer sentido…porque, neste momento, nada parece fazer sentido.

E isso custa, especialmente quando trago comigo, cá dentro, em mim algo bonito que devia ser partilhado e entregue a quem, infelizmente, não quer receber.

Enfim. É encolher os ombros, sorrir e acenar. Amanhã, ainda de férias, será melhor.

{#208.158.2022}

Dia de ir a Lisboa, visita de médico. Ou melhor, visita ao médico. “Não estás doente, mas não és saudável”, disseram-me há dias. “Eu sei”, respondi. Porque sei, de facto, que não sou saudável. Mas está na altura de tentar ver um bocadinho mais além, porque o corpo dá sinais de mudança, muito provavelmente fruto da idade e das alterações previstas nesta fase. Não custa nada ver o que está bem, o que está mal, o que está assim-assim. E agir de acordo com os resultados. Análises, muitas. Exames, alguns. E acreditar que, apesar de tudo, está tudo bem.

Dia longo que começou muito cedo depois de mais uma noite interrompida. Cansaço o dia todo como sempre. Chegar à hora de recolher e querer saber mais do outro lado. Mas, claro, sem saber. Sem perguntar porque não teria resposta a esta hora. E durante o dia nunca há muita disponibilidade para conversar. E tenho pena que assim seja.

Não vou pensar muito nisso agora. Agora quero, acima de tudo, pensar em mim. Está mais do que na hora de o fazer.

Para já recolho para enroscar e tentar ter uma noite melhor do que a última. Amanhã, análises logo pela manhã e o início dos exames. O resto do dia será também dedicado a mim. Duvido que haja praia. Mas, se não houver, não é grave. Desde que haja tempo para mim, o resto não é tão importante.

A ver o que dizem as análises e os exames.

{#207.159.2022}

Terça feira e a tentativa de regressar ao passado. De vez em quando dá-me para procurar quem conheci naquele Verão de 1994. Já em tempos encontrei uma das 5 pessoas que conheci nesse Verão. Não era o escocês de cabelo preto e olhos azuis, mas era alguém do grupo. Na altura não tive coragem para dizer nada. Com receio, claro, de não se lembrar de mim. Mas nos últimos dias tenho tentado novamente encontrar, agora com essa coragem que naquele dia me faltou. Já não o encontro.

Mas encontrei alguém que ainda não consegui confirmar se é ou não. A irmã mais nova. Que, há 28 anos, tinha apenas dez anos de idade e que hoje estará uma mulher. A foto que encontrei no perfil de uma rede social diz-me que pode ser ela, mas não me confirma. Respirei fundo, enviei uma simples questão. Que, havendo resposta, me vai dizer se encontrei ou não quem procuro. Agora é esperar…tenho dúvidas que venha a ter resposta, mas está lançada a questão numa rede social onde ela está inactiva desde Janeiro. Pode ser que um dia, por curiosidade, ela lá volte e veja a pergunta. E pode ser que responda. Fingers crossed.

Não sei ao certo porque me deu agora uma vontade tão grande de reencontrar essas pessoas. A verdade é que sempre quis saber deles, todos e não apenas do escocês de cabelo preto e olhos azuis. Mas agora essa vontade enche-se também de coragem para dizer um simples olá.

Se se lembram de mim? Não faço ideia. Chego a pensar que já se esqueceram há muito tempo. Mas tenho curiosidade. 28 anos é uma vida e 1994 foi noutra vida. Mas gostava de, pelo menos por um bocadinho, voltar a ela. Por mais nada que não apenas saber que estão todos bem.

Agora é esperar. A resposta pode ser que chegue um dia. Mas no que conseguir ainda vou continuar a procurar.

E hoje não há ritual nocturno. Porque não quero. Porque não me apetece falar sozinha. Porque tenho saudades de 1994.

Amanhã? Logo se vê se há ritual matinal. Ou o que for. Mas será um dia bom. Só porque eu quero que assim o seja.

{#206.160.2022}

Segunda feira de férias. E dores. De barriga e no pescoço. A mistura perfeita para não ir à praia e ficar em casa o dia quase todo.

Sair de casa ao fim da tarde, ir à vila. Perdi um dia de praia. Mas ganhei um dia para mim, para me recompor, para recuperar. Também é importante.

Retorno matinal à hora de almoço. Muito breve. Mas retorno. E continuo a sentir falta de maior disponibilidade para dois dedos de conversa. Tenho saudades de quando, mesmo com pouco tempo durante o dia, conversavamos um bocadinho à noite. Dificilmente volto a ter esses momentos. Mas nem por isso deixo de lhes sentir a falta.

Enfim…life sucks. Big time! E não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Por isso, é encolher os ombros, sorrir e acenar.

Amanhã? Será melhor. Previsivelmente com menos dores. Se vai haver praia? Logo se vê. Por hoje chega. Está na altura de recolher e enroscar e avançar com o ritual nocturno. Mesmo que não tenha resposta, mantenho o que me faz sentido, o que me faz sentir bem. Um dia volto a ter retorno nocturno. Com tempo para dois dedos de conversa como noutros tempos. Um dia o meu gut feeling vai ter razão. Por hoje mantenho o que faz sentido. Amanhã logo se vê.

{#205.161.2022}

Domingo. Dia de acordar cedo para a consulta com o terapeuta fofinho. Depois, claro, de mais uma noite interrompida e muito má.

Dia de preguiça. Dia de sofá. Dia de não fazer nada. Muito calor na rua e coragem nenhuma de ir até à praia. Muito cansada depois da noite que tive. Dores de cabeça. Dores nas pernas. Sem vontade de sair.

Mas saí. Porque sair de casa todos os dias um bocadinho faz-me bem. Nem que seja só para um café na esplanada, mesa para um.

Hoje só uma pessoa conseguiria fazer-me ir mais longe do que o café dos domingos. Mas claro que não aconteceu nem teria porque acontecer.

Amanhã, última semana de férias. A ver se aproveito melhor os dias que correm depressa demais quando se está de férias. Ganhar coragem para voltar à praia. Nem que me doa o corpo todo, tenho a praia aqui tão perto e aproveito tão pouco.

Retorno matinal a um Domingo. Não é muito habitual, mas às vezes acontece. Como hoje. Foi breve, foi rápido, soube a pouco. Sabe sempre a pouco. Mas também soube bem. Porque sabe sempre bem.

Mas a dor de cabeça que não passa…há vários dias nisto e não há forma de passar. Talvez quando tiver uma noite inteira de sono descansado…

Resumindo, Domingo de preguiça, um dia sem História ou histórias. E agora fecho o dia, mas sem saber ainda se com ou sem ritual nocturno. Afinal, Domingo costuma ser um dia de ausência, minha.

Logo se vê…

Amanhã? Será melhor que hoje. E não me posso esquecer de continuar a olhar para cima.