{#231.135}

Há 4 anos a escrever todos os dias. Muitas vezes apenas em jeito de tirar apontamentos. Mas são 4 anos, todos os dias. Sem excepção.

Há 4 anos a escrever todos os dias. Sem excepção. Nos dias bons e nos outros. Mesmo quando deixo em branco o que escrevo.

Um dia paro. Não hoje. Um dia.

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Sempre fui a minha pior inimiga. Sempre o soube. E continuo a ser. Por isso é que falho tanto e de tantas formas.

Como agora. Outra vez.

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Já dei por mim simplesmente a olhar para ti. E já percebi que podia ficar assim, simplesmente a olhar para ti, durante muito tempo.

Olhar para ti faz-me bem.

{#225.141}

Existem tantas formas de dizer o que guardamos. Já as tenho usado. Já deste por elas? A última foi meio atabalhoada para te dizer que confio em ti. E não o digo aberta ou atabalhoadamente a muita gente.

Fica comigo tudo o resto. Mas fica aqui para não me esquecer: houve um dia em que te disse “confio em ti” e sei que não tens motivos para me magoares.

Um dia digo-te abertamente tudo o resto. Até lá vou jogando com as palavras.

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Recarregar as baterias e as endorfinas. Tudo o que estava a precisar há várias semanas. Guardar tudo para durar pelo menos mais um mês.

Quem tem quem lhe dê um abraço, daqueles apertados de fazer levantar os pés do chão, tem tudo. E eu tenho.

Mais uma vez, não posso esquecer-me que, no meio de tudo o resto, sou uma sortuda. Por pequeninas coisas que são enormes.

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Há dias em que a Depressão me lembra que ainda está presente.

Como hoje. Como nos últimos dias.

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A ansiedade não mata. Mas mói. Quando acompanhada por um descontrolo hormonal que torna o ritmo cardíaco em algo irregular, é uma mistura explosiva para aumentar o desconforto.

Dá vontade de chorar. Sem motivo que não o facto de estar farta de ser controlada pela hormona em défice e a ansiedade em excesso.

Dá vontade de vomitar pelo mesmo motivo.

E é também o mesmo motivo que dá vontade de ficar fechada em casa, longe de tudo e todos.

Recorrer a urgência hospitalar é o limite. E as salas de espera dos hospitais são dos locais mais solitários que existem. Assim como a ansiedade que não sendo um lugar é algo extremamente solitário. É um processo passado a sós. Quem está por dentro entende a generalidade dos sintomas mas não as causas. E quem está por fora desconhece tudo o que esta realidade comporta.

Apetece-me chorar. Apetece-me vomitar o jantar que entrou a tanto custo. Apetece-me esconder do Mundo e ficar só eu, em casa, no meu quarto, na minha cama.

Sair de casa é uma tormenta. Seja para ir trabalhar, seja para ir só ao café. É sair da zona de conforto. É sair para onde estou exposta. A tudo.

Quero, mas não posso, ficar sossegada no meu canto enquanto tudo isto que somatizo se resolve. Até a ansiedade abrandar, até a hormona sintética fazer efeito.

Estou cansada. De não conseguir ser mais e melhor que isto.

Tão cansada disto tudo…

Até quando vou ter que lidar com a ansiedade?

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Tudo parece pior com o calor. Especialmente quando já não consegues distinguir a ansiedade de tudo o resto e já não sabes o que é o quê.

Resta suportar tudo e esperar pela análise aos resultados dos exames.

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É possível hibernar no Verão? Não para me esconder do Mundo como em tempos não tão longínquos, apenas para fugir do calor…

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resiliência | s. f.

re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)

1. [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado] Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.

 

“resiliência”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/resili%C3%AAncia

4 anos depois, vou aos poucos voltando a ser eu, mesmo que uma nova eu com traços da eu de antes de 2014.