{#255.111.2019}

Não estou à espera do fim do mundo. Do mesmo modo que não sou nenhum comboio que possa eventualmente descarrilar. Sou um poço de insegurança e baixa auto-estima que de vez em quando perde um pouco o norte e sai dos trilhos.

Mas olho para cima enquanto vou, aos poucos, ganhando coragem para combater as inseguranças. E olho em frente para me manter, todos os dias, nos trilhos certos.

Nem tudo depende só de mim. O mundo não há-de acabar entretanto e eu hei-de dar o passo que há muito tempo devo a mim mesma. Mas nem tudo depende só de mim.

Vou combater as inseguranças. Vou aumentar a auto-estima.

Vou, lentamente, deixar de ser tão totó.

Mas não preciso que me recordem constantemente que estou a falhar comigo mesma.

{#254.112.2019}

Mudar as voltas à rotina, seguir por caminhos pouco habituais ao final do dia. Mudar a perspectiva.

Devia fazer disto mais vezes, já o tenho dito. Muito dito, pouco feito.

É urgente uma nova quebra de rotina no final de mais um dia das 9 às 6. É urgente seguir por novos caminhos. É urgente mudar a perspectiva.

Não foi, hoje, o que ando a pensar há tanto tempo, foi o que era necessário. Mas pode ser amanhã ou num qualquer amanhã próximo uma nova quebra da rotina como há tanto desejo. Haja vontade e, muito importante, disponibilidade e a coisa acontece.

Por mim era já hoje.

{#253.113.2019}

Dou por mim a visitar, demasiadas vezes, o mundo da fantasia. Uma espécie de mundo do faz de conta, mas que não é o mesmo de há uns anos.

Neste mundo da fantasia os meus desejos vão-se desenrolando ao sabor do que sinto, do que guardo cá dentro e que teimo em não partilhar. Sonho acordada, cabeça no ar, a saltaricar em bicos de pés como se fosse realidade o que sonho.

Esqueço-me, tantas vezes quantas visito o mundo da fantasia, que tudo o que sonho pode tornar-se real se eu revelar o que guardo comigo. Ou pode, pelo menos, fazer-me voltar a pôr os pés bem assentes na terra se as coisas não correrem como eu gostaria.

É bom visitar o mundo da fantasia. Porque me faz acreditar que sim, é possível. Mas faz-me mal manter-me por lá demasiado tempo. Porque corro o risco de ser totó a rodos e não ver o que está à minha frente.

Está na altura de ter uma conversa. De revelar o que guardo comigo. Não posso continuar a visitar o mundo da fantasia a toda a hora sem saber se não me irei magoar no mundo real.

Tenho medo do mundo real. E talvez seja por isso que me sinto tão bem no mundo da fantasia.

Mas é no mundo real que essa conversa tem que acontecer. É no mundo real que tenho que viver.

Até quando vou continuar a visitar o mundo da fantasia?

{#252.114.2019}

Olhar em frente e olhar para cima. São esses os objectivos. Tudo para não olhar para trás. Não serve de nada olhar para o que já foi.

Vou olhando para cima e, por vezes, esqueço-me de olhar em frente. Onde as cores do final de mais um dia me dizem que amanhã também vai ser bom.

Têm sido dias serenos. Que se mantenham assim por muito tempo. Mesmo com aquela agitação de borboletas na barriga que andam meio perdidas na dúvida e na incerteza do silêncio. É uma agitação que não queria sentir mas que me lembra das borboletas que andavam esquecidas. Mas não adormecidas.

Olhar em frente. Acalmar a agitação. Manter-me como nos últimos tempos: à tona sem risco de me afogar.

Amanhã também vai ser um dia bom. Porque flutuo por aí até quando perco, por momentos de agitação, o pé.

Vai ser bom.

{#251.115.2019}

Mais um dia vazio de histórias. Mas esses dias também contam. Porque não fazem parte de dias maus. Esses, os dias maus, estão longe.

Prefiro dias vazios de histórias a dias maus. Embora também prefira ter histórias para encher os meus dias.

{#249.117.2019}

É tempo de decidir. Se continuo o caminho sem saber onde vai dar ou se sigo a alternativa cujo destino já conheço e não me apetece por aí além.

Não posso é continuar na dúvida e, agora, em silêncio.

{#248.118.2019}

É demasiado fácil cair no cinzento. Por isso procuro para mim todas as cores. Mas o cor de rosa é sempre a primeira a aparecer.

E está lá sempre. Em mim.

{#246.120.2019}

Às vezes tenho medo. De voltar a cair num buraco escuro. Dos dias maus. Dos dias vazios.

Tenho medo. E não estou livre do que me assusta.

Tenho medo de não ter força se voltar a cair. Foi um esforço enorme para chegar onde estou hoje, não sei se conseguiria repetir todo o processo.

E por isso tenho medo. De cair e não saber ter força. Que ainda hoje não sei onde encontrei mas que duvido que se repita.

É isso, tenho medo. E também tenho medo de ter medo. Porque, sei, é sinal que sim, é possível voltar a cair.

{#245.121.2019}

Às vezes sinto-me tão pequenina. Como quando passo a ponte e vejo o sol ainda lá em cima. Lembro-me que não é preciso muito para me fazerem sorrir. E é assim, com uma vista desafogada, que me recordo que somos todos tão pequeninos no meio de tanta grandeza que é tão simples.

{#244.122.2019}

Aproveitar cada bocadinho para fazer o que me faz bem. Como apanhar um pouco de sol ou simplesmente estar. Não interessa onde, apenas estar.

Preciso de me lembrar de mim mesma mais vezes. Mesmo que, ou especialmente quando, não apeteça sair de casa ou da zona de conforto.

Tenho que contrariar isto.

Hoje foi bom ter contrariado.

{#242.124.2019}

Enquanto um me chama miúda, o outro diz que eu ainda sou menina.

Hoje, a excitação da preparação do regresso às aulas de um, a excitação da preparação da entrada na escola do outro.

Estão uns crescidos, os meus Dois. E eu vou crescendo com eles.

{#241.125.2019}

Resistir à facilidade com que os pensamentos negativos se apresentam. Acreditar, sempre, que nem tudo é assim tão mau. Mesmo que existam erros pelo meio, que existem.

Assumir os erros, tentar não repetir e seguir caminho.

Não sou perfeita, longe disso. Mas também não sou um erro.

Resistir, sempre. E acreditar que há coisas boas no caminho.