{#página172} 

Indicações {psico}terapêuticas: “não te esqueças, apanhar Sol por causa da vitamina D e muita água. Nem que seja para molhar os pés.”

Não, não é “maluqueira” nem “doideira” como lhe chamaram hoje. É um pouco mais sério que isso. Talvez por isso, pelos nomes que lhe dão, que me dão, eu prefira manter-me aqui. À distância. 

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“- Tia, estás diferente… 

– Diferente? Porquê? 

– Não sei… Estás mais velhota. 

– Hum… E estou diferente para melhor ou para pior? 

– Hum… Acho que é um bocadinho dos dois!” 

Há quem me diga que estou melhor. Que nos últimos meses fiz, fizemos, progressos. Digo-lhe sempre que estou diferente. Não gosto, não quero?, dizer que estou melhor. Por medo, talvez. Medo de voltar ao ponto que me levou até ele. É normal que possa acontecer, voltar a cair, diz-me ele enquanto vai repetindo que preciso de verbalizar que sim, que estou melhor. Respondo-lhe sempre que estou diferente. Que não consigo verbalizar o que ele me pede. Que tenho medo. E ele lá vai dizendo que, se voltar a cair, saberei melhor como voltar a levantar-me. Que será mais fácil. 

E se não for…? 

É, também, por isso que prefiro agarrar-me à opinião dos 7 anos do Miguel: estou diferente. Mesmo que seja para melhor e para pior em simultâneo. 

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“- Tenta abstrair-te das vozes.”

Um dia consigo. Mas não hoje. Não agora.

Não ainda.

Não já. 

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O problema é a minha cabeça quando tem demasiado tempo sozinha com ela mesma. Faz filmes, leituras, confunde-se ainda mais do que já está. Enrola-se, embrulha-se, perde-se por aí. Não foca. 

Não sossega. Ainda não aprendeu a manter-se quieta. Focada num só ponto de cada vez. Ainda não encaixou que andar em constante turbilhão não deixa avançar para lado nenhum. 

O problema é a minha cabeça quando tem demasiado tempo sozinha com ela mesma. Analisa tudo. Desde a postura corporal dos outros às palavras ditas de forma espontânea passando por pequenos gestos que têm a pouca importância que têm. 

Porquê analisar tudo? Porquê querer decifrar tudo? Tudo tem um porquê, é certo. E eu ainda não saí da idade dos porquês. Mas porquê querer forçar uma interpretação quando não há razão para tal…? 

O problema é, de facto, a minha cabeça. Que vagueia por aí, baralha-se, enrola-se, confunde-se e Inevitavelmente acaba por se perder. Simplesmente porque tem demasiado tempo para estar sozinha com ela mesma. 

Vão ser umas longas férias a tentar obrigar a minha cabeça a focar-se… Por muito que planifique antecipadamente cada um dos 15 dias que tenho pela frente, conquistar e manter o foco adivinha-se tarefa pouco fácil. E ainda hoje é o primeiro domingo de férias…

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Planificar, que não é o mesmo que planear. Plano A, plano B, plano C. 14 dias estruturados. Horas marcadas para não ficar demasiado tempo sozinha comigo mesma. Talvez assim as vozes não incomodem tanto. 

Planificar, que não é o mesmo que planear. Há 8 anos que não sei o que é isto de ter 2 semanas inteiras por minha conta. Daí o medo do vazio dos dias que me dizem que são meus. Daí que tenha necessidade de planificar dias com horas marcadas para tudo, menos para imprevistos. 

Planificar, que não é o mesmo que planear. Vai correr bem. 

Vai ter que correr bem. 

Já vos disse que estou de férias…? 

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De férias. 

E a caixa do correio reanimada. 

As dúvidas? Deixo-as para amanhã.

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A dúvida:

– o que foi não sendo, ou que não foi sendo, que não era para ser, que não podia ser, existe mesmo assim ou faz parte apenas de uma realidade alternativa, uma realidade paralela, uma realidade irreal…? 

Começo a duvidar da minha própria realidade. 

Começo a duvidar da minha própria percepção. 

Começo a duvidar das minhas próprias memórias… 

……e se não passar tudo de uma fantasia, de uma construção de falsas memórias? 

Aconteceu mesmo ou a minha mente atraiçoou-me de uma forma demasiado cruel, demasiado sórdida? 

Nunca tinha posto em causa a minha percepção, a minha memória. O que senti. O que vivi. Vivi? Quero, apesar de tudo, acreditar que sim, que o vivi de facto. Que aconteceu. Que foi real. Que não foi uma fantasia trazida à flor da pele por um qualquer desequilíbrio mental que perturba a realidade e transforma a vontade de realizar um desejo numa realidade que existe apenas na mente de quem sente demais. 

Faz sentido tudo isto? Ao fim deste tempo todo? Faz sentido a dúvida sobre a fantasia e a realidade? Faz sentido não perceber a diferença entre uma memória real de uma falsa memória implantada por uma mente perturbada? 

Não sei hoje onde estou no meu caminho, nem se estou de facto a caminhar para algum lado ou se apenas estarei a enlouquecer… As vozes sussurram baixinho que não é verdade, que não é real, que não existe. Mas existiu… Ou não? Existiu. Eu sei que existiu. Eu lembro-me! Ou não?! Ou será apenas uma construção da minha mente? 

Sinto-me perdida neste momento. Perdida. Sem distinguir o que é real e o que não é. Ou melhor, o que foi real e o que não foi. Não sei que dúvida é esta que não me faz sentido. Mas instalou-se devagar e não a consigo afastar. Foi ou não verdade?! E como é que eu sei que não foi apenas uma partida de mau gosto da minha cabeça?! Como é que eu sei distinguir uma memória real de uma falsa memória?! 

Porquê isto? Porquê isto agora? Porquê a dúvida? Porquê?! Não entendo. Como é possível ao fim de todo este tempo, quase três anos, ter dúvidas sobre o que aconteceu…? Como é possível agora duvidar de mim mesma?! 

Aconteceu. Foi real. Foi tudo real. Mesmo que nada reste, foi real. Aconteceu! 

Mas as vozes sussurram-me ao ouvido ao mesmo tempo que riem trocistas: não existe. 

Parem, por favor. Parem de me sussurrar. Parem de me atormentar. Parem de me fazer duvidar! Por favor…

…por favor… 

{#página165} 

As vozes nunca se calam realmente. Falam mais baixo, já não gritam, mas nunca se calam realmente. 

Vão-me recordando que por cá continuam. Vão-me recordando porque motivo cá continuam. Vão-me lembrando tudo aquilo que me dizem ser a Depressão a falar. 

Cá continuam, sempre presentes, com bilhete tirado já para os próximos dias. 

E eu em luta. Conflito aberto com as vozes, com os dias que correm, com quem se propôs orientar-me, comigo. Porque por muito que diga a mim mesma, ou serão as vozes a dizê-lo?, que estou em conflito com quem está do outro lado, na realidade estou em conflito apenas comigo. Porque falhar com ele é falhar comigo. Projecto. Projecto a frustração que sinto. E digo a mim mesma que estou chateada quando não tenho a mínima razão para isso. Digo que estou zangada e começo a fugir. A negar. A evitar. Quando o problema, o único problema aqui, sou eu. 

As vozes não se calam. E o conflito comigo mesma continua em crescendo. E a vontade de me fechar, de me isolar numa tentativa vã de me proteger regressa. 

Fujo. Não nego se mo perguntarem. Estou em fuga. 

De mais nada que não de mim mesma. 

Mais uma vez. 

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Terça feira. E o trabalho num dia feriado e o calor insuportável lá fora. 

Olhar para as coisas de uma forma diferente. Usar e abusar de novas perspectivas. Talvez consiga. Talvez resulte. 

Talvez. 

… 

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Mudar de perspectiva. Não é fácil. Mas há que me diga que não é impossível. 

Quantas vezes já tentei mudar? Perdi-lhes a conta. Mas, na realidade, todas essas tentativas de mudança de perspectiva nunca foram consolidadas. Por falta de suporte base? Não sei…mas decididamente por falta de apoio estrutural. 

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Domingo. E não fazer planos. 

Desisti, há muito, de fazer planos. Não desisti, no entanto, de tentar planificar os dias. Os próximos estão, há muito, estruturados e planificados. E, até, de certa forma, planeados. Mesmo não fazendo planos. 

O que me assusta são os outros, os que vêm depois dos próximos. Assustam-me as horas vagas. Demasiadas horas, demasiado vagas. Com um ou outro apontamento ao início do dia. Mas e o resto do tempo…? 

São demasiados dias, com demasiadas horas, demasiado vagas. Demasiado tempo sozinha com os ecos que ainda ressoam na minha cabeça. 

Não faço planos. Desisti deles há muito tempo. Mas preciso de planificar todos aqueles dias, todas aquelas horas em que os estímulos virão todos de dentro. 
Domingo. E o medo dos dias comigo mesma. 

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Vai valer a pena? 

Vai. 

Vai valer a pena. 

Vai valer a pena. 

Vai valer a pena. 

Vai valer a pena. 

Vai valer a pena. 

Vai valer a pena. 

Vai. 

Valer. 

A pena. 

Vai. 

Vai. 

Vai. 

Vai. 

Vai… 

…vai…

……vai…

………vai…

…………………

{#página158} 

Deves-me os últimos 3 anos da minha vida e todo o tempo que ainda tiver pela frente. 

Durante algum tempo achei que eu é que te devia alguma coisa. Pelo transtorno, pelo peso que acreditei ser para ti. Depois acreditei que quem devia alguma coisa a alguém eras tu a mim. Acreditei que me devias um pedido de desculpas. Hoje? Hoje um pedido de desculpas já não é suficiente. Hoje percebi que, afinal, me deves os últimos 3 anos e todo o tempo que ainda tiver pela frente, seja ele muito ou pouco. Porque tudo mudou para mim e nada voltará a ser como era. Porque tudo mudou para mim, apenas para mim. Para ti “o Sol continua a nascer e a pôr-se todos os dias”. 

Não te vou cobrar nada. Como fazê-lo? Como cobrar algo a alguém que se livra de um peso, que se livra de um problema como quem sacode a poeira dos ombros e não enfrenta as consequências? Seria impossível cobrar-te fosse o que fosse porque nunca assumiste o teu papel de devedor. Nunca assumiste os teus erros, refugiando-te sempre no teu perfil cobarde de quem age como se “não vendo é como se não existisse”. 

Não sabes nem queres saber as consequências da tua cobardia. Não sabes, não queres saber, nunca quiseste saber. Nunca te fez diferença. Porque, para ti, sempre foi mais fácil dizeres-me que sou instável. Que sempre fui. Sempre foi mais fácil descartar responsabilidades e deixares-me a enfrentar tudo sozinha. 

Sempre me disseram que eu sinto as coisas de maneira diferente. Nunca entendi porque o diziam porque, para mim, era simplesmente sentir. É ser mais Emoção do que Razão. É não esconder nem de mim nem de ninguém tudo o que vai cá dentro. E enfrentar. E lidar com isso da melhor forma que sei. Mas hoje entendo a diferença entre nós. Porque eu sou Emoção. Mas tu, tu não chegas sequer a ser Razão. És apenas cobarde. És apenas alguém que se desliga do que o incomoda, que não quer saber, que recusa a responsabilidade que de facto tem. 

Deves-me os últimos 3 anos da minha vida. Que poderiam ter sido tão diferentes. Que poderiam ter sido tão menos doridos do que foram. Têm sido. Continuam a ser. Vão continuar a ser até um dia sem data pré-definida. Deves-me todo o tempo que ainda tiver pela frente e que me irá sempre levar àquele momento em que a minha vida mudou para pior, em que eu mudei para muito pior, em que deixei de ser quem era para passar a estar doente e numa luta constante e dura para voltar a ser eu. 

Não sabes, porque não queres, porque te recusas a saber, porque te escondes, não sabes o que sou hoje. Para ti serei sempre instável, “sempre foste”, serei sempre um problema doentio porque conto os dias, porque falo do que me dói. Não sabes, recusas-te a saber, o estado a que cheguei também por tua causa. Também porque te recusaste a assumir a tua parte da responsabilidade. Para ti, o assunto morreu ali, “não posso fazer mais nada por ti”. Para mim o problema maior começou exactamente ali. Reforçado quando te recusaste, tantas vezes, a ajudar-me. E era tão fácil ajudares-me… 

Não sabes, recusas-te a saber, que o meu caminho é ainda longo. É duro. Difícil. Dorido. E, admito, instável. Cada vez mais instável ao ponto de não suportar o Mundo à minha volta, de não suportar o mínimo estímulo à minha volta. Não sabes o esforço que me é exigido diariamente para não perder o controlo. Para não perder a calma que não tenho. Para não perder o Norte de vez. O esforço que faço todos os dias para não ultrapassar aquela linha que é cada vez mais ténue e que separa o lado de cá do lado de lá. Sou Emoção prestes a perder a Razão. 

Não. Não sabes nada disto. Nem vais saber porque te recusas a fazê-lo. Porque, como sempre, te recusas a enfrentar as tuas responsabilidades. As tuas culpas. As consequências. 

Deves-me os últimos 3 anos da minha vida. E todo o tempo que ainda tiver pela frente. E não, um pedido de desculpas já não é suficiente. 

{#página157} 

53. Avenida do Brasil. 

“- Então, como se sente?”

Aí é que está. Não sinto. 

“- Está apática, é isso? ”

Não. Não é nada disso. Cínica. É isso que estou. Não sinto. A não ser desprezo. Ou algo assim. Não há um mínimo de variação. Nem gosto nem desgosto, nem conforto nem desconforto. É-me igual. Seja o que for, é-me igual se sim ou se não ou se talvez quem sabe. 

Não sinto. Não me toca. Não mexe de maneira nenhuma. E entretanto é Junho. E não tarda é Julho. E Agosto. É-me igual. Sou eu sem Norte e a perder o pé. E sem sentir. E sem saber o que é isto de não sentir. E sem saber o que sou ou quem sou. Só sei o rótulo do Cartão de Doente. Se eu queria isso? Mas isso o quê, o rótulo ou o facto de realmente estar doente? Não, ainda não aceito o facto de que efectivamente estou doente. Ou será que sou? Não sei, dá-me igual. Há realmente diferença entre o ser e estar? Não interessa. Interessa apenas o rótulo que não quis para mim. Mas que já ninguém me tira. Aguente-se!

“- Mas era o que estava a precisar agora, não era?”

Era? Não sei. Sei lá! É-me igual. Não sinto. Não sei lidar com isto de não sentir e de me estar a borrifar para tudo e para todos. Não quero saber. E é Junho. E daqui a pouco Julho. A correr Agosto. Se precisava disto? Disto o quê? Cínica. É isso que estou. Que sou? Seja. O que for é-me igual. 

E continua a ser tão fácil, tão demasiado fácil acabar com isto tudo. Já não sinto. Não faz diferença. Nem faz sentido. Muito menos faz sentir! E agora percebo isso de uma forma mais fria. Mais distante. É tão fácil. Tão demasiado fácil. 

Não era suposto ser assim? Não sei. Se calhar era. Mas assim como nunca quis o rótulo de doente para mim também nunca quis o que me trouxe até aqui. Nunca quis os últimos 3 anos. E onde é que estou? Estou nesta coisa que não sei o que lhe chamar. Doença? Sei lá. Mas será que interessa assim tanto saber? Que diferença faz? É isto e pronto. Nem lá em cima, nem lá em baixo, nem um mínimo de oscilação, nem um mínimo de alteração. No fundo nem um mínimo de emoção. 

Não sei ser isto. Não sei sequer se tudo isto vale a pena. Não sei nada, no fundo. A não ser isto: eu não quis nada disto para mim. Mas, afinal, foi a isto que cheguei. 

Vale a pena tudo isto? Até quando…? 

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Razão vs Emoção. 

Sempre fui mais Emoção do que propriamente Razão. E é por isso que neste ponto de equilíbrio induzido não me reconheço. 

Não sei o que é ser Razão. Mas sei que neste momento escasseia a Emoção. 

Cinismo à flor da pele. À flor da pele onde há tão pouco tempo ainda estava a Emoção. Hoje nem Razão nem Emoção, apenas Cinismo. E um demasiado grande à-vontade nesse papel. 

Se o tal de equilíbrio é isto, se é isto a tal de estabilidade, então hoje mais do que nunca não sei mesmo quem sou. 

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Domingo. E recomeçar. Aprender o que não sei ser. 

Recomeçar. Respirar. Aprender. 

A ser. Não a estar. 

{#página154} 

“Tu és instável. Sempre foste…” 

E, agora, a estabilidade. Uma estabilidade induzida, estranha por não ser natural, diferente por ser química. Mas estabilidade. 

Sem oscilações de humor, sem variações, sem reacções. Não sei o que é isso da estabilidade. E por isso não sei o que fazer com esta nova realidade. Não lhe conheço os truques, não sei o que acontece a seguir. Sei, apenas, que não sei o que fazer com esta estabilidade. 

Se até há bem pouco tempo vivia no carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas, hoje vivo numa espécie de flat line, sem altos e baixos, sem diferenças, sem curvas apertadas. 

Dizem-me, diz-me ele, que é uma boa oportunidade para ver o mundo de outra forma, de me ver a mim mesma de outra forma. Mas o mundo continua a ser um lugar feio e eu continuo a ser diferente. 

Não sei viver numa flat line. Não sei viver sem sentir. Não sei viver sem emoções. Não entendo esta indiferença constante que sinto. E não gosto de sentir desta forma: indiferente. Sinto apenas que pouco ou nada me incomoda, pouco ou nada me afecta, que está tudo bem assim como está e que nada me perturba. Sinto tudo isto sabendo que nada disto é verdadeiro, é tudo quimicamente induzido. 

E pergunto-me se é isto a tal estabilidade que se fala por aí, a tal estabilidade que me dizem não ter. Porque se é isto, se é esta flat line sem oscilações, sem variações e demasiado rígida e linear, se é isto essa tal estabilidade eu não gosto. Porque não sei ser assim. Não sei ser uma flat line. Não sei ser linear. Não sei ser rígida. Não sei ser está tudo bem. 

Não sei ser nada disto. Mas vou ter que aprender a sê-lo. Vai ser toda uma aprendizagem a começar do zero. Todo um recomeço. Sem manual de instruções, com mais perguntas do que respostas. E com a sensação que esta estabilidade talvez me seja necessária, mas não sou eu. 

Até que ponto posso deixar de ser eu para ser outra? Sair da zona de conforto, mesmo que tantas vezes seja um lugar escuro, para uma linha rígida sem variações. É esse o caminho? Parece ser. Dizem-me, diz-me ele, que sim, que é este o caminho se quero melhorar. Mas mais uma vez a dúvida: melhorar para ser melhor ou para estar melhor? Porque continuo a confundir ser com estar. E não sei se sou ou estou, não sei o que sou ou o que estou. 

Estabilidade quimicamente induzida. E toda uma nova realidade sem oscilações para conhecer. 

{#página153} 

Dizem-me que posso ser outra que não eu. 

E se eu não souber ser essa outra que não sou eu? 

E se eu conseguir ser outra? Não deixo de ser eu…? 

Talvez o vento me traga as respostas.