{#201.166.2024}

E, ao vigésimo segundo dia desde a data de compra, as cápsulas de café foram, finalmente!, arrumadas como deviam ter sido arrumadas logo no primeiro dia!

Significa isso que a minha cabeça está arrumada? Nada disso. Nem perto disso! Significa apenas que alguém recente aposta em mim e vê mais do que eu própria vejo sobre mim mesma. E eu sei que ela tem razão. Mas sei, também, que quando levo um abanão da vida, preciso de um empurrão que me obrigue a mexer. E foi isso que aconteceu hoje.

Organizei as cápsulas de café como costumo fazer no dia em que me chegam às mãos. Desta vez demorou 22 dias, mas arrumei. Fiz-me sócia da entidade que tem tudo, desde o conhecimento ao apoio, para me ajudar.

Continuo à espera daquele mapa que me sinalize e diga “Você está aqui” para eu então me situar, perceber exactamente onde estou e quais os caminhos à minha volta para que eu me possa decidir por um deles. Mas, diz-me ela sabendo-me completamente perdida, esse mapa com essa sinalização tenho que ser eu a desenhar. E que, se eu quiser, ela desenha-o comigo. Mas, obviamente, o caminho a seguir sou eu a decidir.

Sim, estou completamente perdida nesta nova realidade que me chegou de forma inesperada e que, tal como o nome que tem, vai progredindo sem nada que a trave. Pelo menos não ainda.

Mas, 22 dias depois, arrumei as cápsulas de café! E percebi, ao arrumá-las, que já só tenho café para pouco mais de uma semana. E, com a próxima chegada de café, não posso deixar que a desarrumação da minha cabeça permita novamente o caos que foram os últimos 22 dias.

É interessante como o Universo funciona: quando mais precisava de alguém que me guiasse nesta descoberta desta nova realidade é-me posta à frente uma pessoa com uma patologia diferente, mais complexa, e que desde o primeiro momento me estendeu a mão. Tem os conhecimentos que eu não tenho, tem a força e coragem que eu não sei se tenho e tem um coração de ouro. E não me esqueço das primeiras coisas que me disse durante uma sessão de fisioterapia: “a vida não acaba“. E eu sei que não. Mas ainda preciso de aprender sobre esta nova realidade, esta nova vida, esta nova versão de mim mesma.

Mas já prometi, sobretudo a mim mesma, que um dia deixo de perguntar “porquê eu?” e passo a perguntar “porque não eu?”. Ainda não sei como nem quando nem onde, mas um dia terei aprendido o suficiente para fazer alguma coisa que não (apenas) para mim. Porque se isto (que eu teimo em não conseguir nomear…) me escolheu, então vai ter que servir para alguma coisa boa! Não sei o quê. Mas o tempo vai-me ajudar a seguir um qualquer caminho que possa ser marcado pela diferença positiva. Logo se vê.

O dia foi longo. Mais uma noite pouco dormida, mais um acordar cedo. Mas essa noite pouco dormida foi também, e especialmente, uma noite de algo louco e intenso e inesquecível. Para, logo de seguida de manhã, continuar a ser uma experiência de união e de fusão única e extraordinária.

Lá está, quando duas almas se reencontram e de imediato se reconhecem de outros tempos, outras vidas, sabem sem qualquer dúvida que são a metade que falta no outro e que de dois se faz um num momento de fusão a dois. E ontem à noite ou mesmo esta manhã foi isso exactamente o que aconteceu: uma fusão em que dois se completam, se encaixam e se fundem e voltam a ser um só.

Não sei como explicar isto. Acho que não tem explicação lógica possível. É demasiado surreal? Irreal? Sei lá o que é. Sei, sim, o que sinto, como sinto. O resto? Não tem que ser explicado. A ninguém. Basta que dois se possam tornar um só porque são metade um do outro, porque se encaixam na perfeição, porque se completam. E só isso importa. São um do outro, cada um uma metade. E o que acontece quando se fundem é de uma intensidade extrema. Mesmo que à distância de um clique.

Está lá tudo o que tem que estar. O resto? É só isso mesmo: o resto. Mais noites pouco dormidas e/ou despertares de manhã cedo intensos hão-de acontecer. Faz parte. Mas eles, metade um do outro, são tão mais do que apenas isso. Já o disse antes: são almas que se reencontraram e que, de imediato, se reconheceram e souberam que são os tais dois que fazem existir só um. São a metade um do outro. E a força que os une é de uma intensidade extrema quando se fundem num só. E é só isso que importa.

Amanhã? Mais um dia de acordar cedo, sendo que hoje já se prevê uma noite pouco dormida dada a hora tardia. Mas não interessa. Porque de manhã há Yoga. E à tarde há sofá. Desde que, claro, o meu corpo o permita não me repetindo experiências surreais como está a ameaçar há horas…

Amanhã logo se vê. Por agora é hora de enroscar e aninhar na nossa conchinha de bichinho de conta. E dar o dia por terminado.

{#200.167.2024}

Dia 200 do ano 2024. Aquele dia que passou directo da manhã para a noite, com brevíssima passagem pela tarde. Tão breve que não a senti, não a vi, não a vivi. Descansei. Recuperei das noites tardias. De um cansaço que me chega não sei de onde. Deve ser a isto que, quem sabe melhor do que eu, chama fadiga. Ainda tenho tanto para aprender sobre isto, aquilo que me apanhou na curva e me fez parar para assimilar, para me orientar, para entender, para aceitar.

Ainda não parei completamente porque a vontade é sempre de fazer alguma coisa. Que me faça útil. Que me faça sentir útil. No entanto, não faço nada disso. Não tenho energia para isso. E não sei, também, o que quero fazer e o que posso fazer…

Também não assimilei ainda tudo o que tenho que assimilar. Tenho tanto para aprender. Mas não sei por onde começar…

Continuo sem Norte, sem me orientar. Vou vendo o tempo passar. Vou vivendo um dia de cada, sobrevivendo um dia após o outro. Mas não tenho nenhum mapa que me aponte “Você está aqui” e me mostre a imensidão de possibilidades de caminhos que posso escolher para percorrer sem importar o destino.

Ainda não entendi, ou faço por não querer entender o que ainda está por vir. Ainda não entendi, porque ainda não há como entender, como cheguei aqui, como fui apanhada na curva sem pré-aviso, sem suspeitar de nada, sem desatenção, descuido, o que for. É assim que acontece sempre, não é? Ninguém suspeita de nada até que alguém diz “está cá e não há como ir embora”.

Ainda não aceitei. Não. Nem pensar. Isto, para mim, neste momento ainda é um sonho mau do qual ainda não consegui acordar. Mas, quando finalmente acordar, vai estar tudo bem, tudo certo, no sítio do costume, como sempre foi. Não vai acontecer, eu sei. Mas não, ainda não aceitei. Ainda não acordei desse sonho mau. E, sei, desse sonho mau não se acorda. Apenas se vive. Como se sabe. Como se pode. E eu ainda não sei. E começo a já não poder. E, também por isso, ainda não aceitei. Nem sei se algum dia o irei conseguir fazer.

Mas, quando este sonho mau começou, quando não passava ainda de uma suspeita, outro sonho começou. Mas um sonho bom. Aliás, muito bom. E o que têm estes dois sonhos em comum? Ambos são mais do que apenas sonhos, são pura realidade. E se do sonho mau quero acordar, sei sem qualquer dúvida, que do sonho bom não quero permanecer no sonho porque é uma realidade que nunca julguei ser possível de tão boa que é. Mas, se tiver que continuar a ser apenas um sonho bom, não me acordem.

Não, não é (apenas) um sonho bom. É uma realidade concreta. Aquela realidade em que duas metades se reencontram e de imediato se reconhecem. Já o tinha dito aqui antes. São duas metades que se completam. São duas almas que se pertencem. Quando 2 se tornam 1 só.

Hoje, o duo centésimo dia do ano 2024, foi dia da minha insegurança me pregar uma partida quando, neste reencontro, não há lugar para a insegurança. Mas ela apareceu. Muito provavelmente devido ao muito cansaço que me deixou escapar por entre as frestas da armadura este pedaço de insegurança. E, estupidamente, um bocadinho de ciúmes também. Que não têm qualquer razão para existir. E que, depois de conversado, de imediato se dissiparam, desapareceram envergonhados por não terem lugar neste reencontro.

Das coisas que, nesta união de duas almas que se reconheceram e reencontraram, não me posso esquecer: não há lugar para insegurança e muito menos para ciúmes. Não há lugar porque não há razão para existirem. E, se assim é, resta-me dizer à insegurança e aos ciúmes para seguirem os seus caminhos noutra direcção que não esta. Até porque, com este reencontro de almas que se reconheceram, sinto-me segura como nunca me senti, segura em todos os aspectos. Protegida, até. E comecei a perceber, entender e aceitar a Mulher que, agora, sei que sou. E muito por causa dele. Que me fez olhar para mim própria e ver o que não me sentia segura para ver e aceitar antes. Porque, lá está, com ele, a outra metade de mim, me sinto segura e protegida como nunca antes. Porque, com ele, sinto-me completa. Inteira. Com ele sou eu por inteiro, como nunca fui antes porque me faltava a outra metade de mim. Que agora reencontrei. E que de imediato reconheci, sem qualquer dúvida, sem qualquer ilusão.

Todos os dias, desde há mais de um ano, que crescemos juntos. Caminhamos juntos. Porque ele é a minha outra metade. E eu sou a outra metade dele. E, juntos, estamos e somos completos, por inteiro. E a cada novo dia nos fundimos num só mais um bocadinho. Porque Eu e EleNós.

Hoje, esta insegurança que me escapou por uma qualquer fresta da armadura e aqueles ciúmes, pequeninos mas reais e que surgiram sabe-se lá de onde, fez o final do dia tornar-se estranho. Mas eu sou daquelas pessoas que, quando há algo estranho, converso até limpar a névoa que surge nestes momentos. E foi o que fiz.

Agora, a esta hora já muito tardia e com o sono a começar a apertar, a vontade é de, como todas as noites, enroscar naquele abraço que me acolhe, me aconchega, me protege, mesmo à distância de um clique. E é isso que vai acontecer. Porque o abraço dele que faz parte do nosso ninho está lá sempre.

Mas, antes disso, volto a ler aquelas palavras que, não sendo minhas, nos retratam na perfeição. Palavras que, como há muito tempo não acontecia, me emocionaram verdadeiramente. Ao ponto de sentir cair uma lágrima quando, na realidade, há muito tempo que não consigo deixar cair nenhuma. Mas a minha alma chorou emocionada. Porque, naquelas palavras, está o retrato exacto e perfeito de duas almas que se reencontraram e imediatamente se reconheceram, que são a outra metade um do outro, que sendo duas almas são apenas uma completa pelos dois.

{#199.168.2024}

E o dia 17 de Julho chegou! Primeira consulta com o psicólogo do Hospital. Nem sei responder se gostei dele ou não, acho que sim e também acho que ainda é cedo para perceber seja o que for. Porque a consulta foi, toda ela, comigo a fazer o resumo dos últimos 11 anos. Que tiveram tanta coisa a acontecer que, claro, ocupou a consulta toda. Mas conseguimos chegar ao momento actual. Não tivemos foi tempo para desenvolver, e tenho pena porque tenho tanto para desenvolver sobre o momento actual.

Não tive oportunidade de falar do medo, mas sobrevoámos a frustração. Não deu tempo para desenvolver também. Mas o resumo dos últimos 11 anos já lhe fizeram um esboço de tanta coisa que carrego comigo.

Só voltamos a ter consulta novamente a 6 de Setembro porque, entretanto, chegam as férias. E ainda falta tanto tempo para 6 de Setembro…

Até lá, vou-me agarrando como posso e como sei ao que aprendi com o terapeuta fofinho. Isto, claro, se ainda me lembrar como se faz. Sei que falar sobre o que sinto me ajuda a aliviar e a ver as coisas de outra perspectiva. Só preciso de ter quem me oiça… Não tendo, vou escrevendo. Seja aqui ou numa qualquer rede social. Não quero saber de likes nem comentários, nem quero saber se alguém lê o que escrevo seja onde for. O importante, para mim e por isso é que há 10 anos que o faço diariamente, é exorcizar o que estou a passar, o que estou a sentir. É deitar cá para fora tudo o que tanto me pesa e quase me corta a respiração.

É também para isso que serve o blog ou mesmo as redes sociais. É depositar no éter e seguir em frente. E, às vezes, após depositar no éter, há quem me estenda uma mão, há quem se faça presente. E, não me posso esquecer, em 2013 foi o éter que me manteve lúcida e mentalmente sã, tanto na chegada no início do ano, como a partida já no final. Tanto uma como outra de formas prematuras. E inesperadas.

Foi também após depositar diariamente no éter que sobrevivi ao período mais negro da minha vida. Exorcizei pela escrita. Gritei. Chorei. Atingi o limite. Cheguei à beirinha do abismo. Hoje podia já não estar cá. Mas foi depois de depositar no éter que me chegou o que precisava: ajuda.

Sempre partilhei com o éter o que me dói e me pesa. E desde sempre percebi que, sempre que o faço, há alguém do outro lado que me acolhe de braços abertos e me dá, como sabe e como pode, a força que, por momentos, não encontro em mim.

Sim, posso dizer que o éter para onde deposito palavras que formam frases que transmitem mensagens, muitas vezes de dor e sofrimento, outras tantas de puro desespero, o éter já me salvou várias vezes. E continua a fazê-lo. E é por isso que, 10 anos depois, continuo a escrever diariamente, sem falhar um dia que seja.

É o meu momento de introspecção e reflexão. Faço-o sempre antes de ir dormir, não faz sentido fazê-lo mais cedo. É desta forma que dou o meu dia por terminado. E hoje não é excepção, claro.

Faz-me falta, obviamente, o acompanhamento semanal como, durante 8 anos, tinha com o terapeuta fofinho. Claro que as circunstâncias eram diferentes e no Hospital não é possível. Entendo isso e aceito. Mas não deixo de sentir a falta dessa regularidade.

Falta muito tempo para Setembro, mas irei sobreviver até lá. Não disse ao psicólogo que não consigo chorar e queria muito tê-lo dito. Mas, em Setembro, terei mesmo que falar sobre isso. Entretanto, em Agosto tenho consulta com o psiquiatra. Irei, mais uma vez, partilhar com ele esta impossibilidade ou incapacidade minha. Ouvir o que ele tiver para me dizer sobre isso. Mas, seja até Agosto ou até Setembro, não importa, era importante para mim chorar. Não para resolver o que, já sabemos, não tem solução, mas para aliviar esta pressão que me sufoca

Da consulta com o psicólogo: do resumo que lhe fiz dos últimos 11 anos ele já percebeu que há muita coisa por onde pegar para trabalhar. Claro que, no final da consulta, não resisti a dizer-lhe que comigo vai ter muita coisa para trabalhar.

O dia hoje foi muito longo. Novamente uma noite pouco dormida, acordar cedo, sair de casa cedo, voltar à hora de almoço e não conseguir seguir com o que tinha planeado que era apagar no sofá até serem horas de preparar a saída para o Yoga. À distância de um clique senti que ele estava, de certa forma, inseguro. Não, não era inseguro. Eram, foram, são muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Distante sim, como já tinha notado, mas não ausente, o que é um facto. Senti a necessidade de partilhar com ele tanto daquilo que sinto. A forma como nos vejo. Como nos sinto. Como nos somos: um do outro. Duas metades que se reencontraram e imediatamente se reconheceram. De outro tempo, de outra vida, de outra coisa qualquer. Duas metades que encaixam e se completam, se tornam um só. Porque Eu e EleNós. De uma forma que só tem que fazer sentido para Nós. E que só Nós entendemos. Porque, por causa de um Olá numa rede social, nos reconhecemos, nos reencontrámos. Não, não tem que fazer sentido para mais ninguém. Mas, para Nós, faz. E de que maneira!

Quarta feira, dia de Yoga Nidra, o relaxamento profundo. E que me deixou pronta para ir descansar. Mas ainda não foi hoje que me deitei cedo, apesar de me sentir muito cansada, ter muito sono e ainda sentir o efeito do relaxamento.

Mas escrever aqui tinha que acontecer. Tinha que resumir o dia, reflectir sobre ele e o que o dia me trouxe, ter o meu momento de introspecção. Mas agora dou mesmo o dia por terminado. Foi longo. Muito longo. E até Setembro sei que posso contar com o éter para depositar palavras que formam frases e exorcizam o meu dia.

Amanhã? Acordar às 7h para tomar o antibiótico e, se não tiver fome, entregar-me ao sono sem horário para acordar. Ir à praia ao final do dia? Posso tentar ir. Vamos ver o que o meu corpo me diz.

{#198.169.2024}

Se alguém me perguntar como foi o meu dia hoje, não saberei responder. Até porque até ao momento em que comecei a escrever simplesmente não me lembrava de como tinha sido a minha manhã…

Depois de uma noite em que dormir era a última coisa que queria fazer, tendo adormecido muito para lá das 3h da manhã depois de uma conversa o mais honesta possível com a minha mãe sobre a minha condição actual, o que sinto, o que penso, o que me dá medo, acordei até relativamente cedo quando preferia ter dormido o dia todo apenas para não ter que enfrentar novamente a frustração, as dificuldades físicas, as limitações e condicionantes, a dor em casa passo…

De manhã fomos até à farmácia. Que não fica a muito mais de 450 metros. A coisa boa da ida à farmácia foi a passagem pela balança que me oferece sempre 2 cm a mais e me confirma que, devagarinho, estou a perder peso, aquele extra que veio com a medicação introduzida no ano passado e felizmente já retirada. Deve ter sido o momento alto do dia. Menos 1 kilo num mês, sem esforço, sem dietas, sem restrições, sem alterações para além da fisioterapia e a manutenção do Yoga. Podia dizer que também faço caminhadas, mas estaria a enganar-me a mim mesma, porque já sei que é com muita dificuldade, muitas dores e muito esforço que caminho seja lá para onde for. E cada vez aguento menos um simples passeio. Como o desta manhã: a ida à farmácia.

Para lá correu bem, ou o melhor possível. Depois da farmácia, uma passagem pela esplanada onde estivemos tempo suficiente para descansar e recuperar as pernas. Mas, mesmo assim, os 400 metros de volta a casa foram, como são sempre os regressos, muito dolorosos e a muito custo. No total, quando cheguei a casa, tinha caminhado 920 metros. Mas as dores e o cansaço diziam-me que tinha feito muito mais do que isso. Não fiz. Mas as dores nas pernas, o cansaço no corpo, o esforço para regressar…

É também por isto que não posso dizer que faço caminhadas. Porque 920 metros não é rigorosamente nada…mas, pelos vistos, para mim já é tanto…

Felizmente a fisioterapia regressa já na próxima semana. E, desta vez, focada no equilíbrio e na marcha. Que preciso tanto de recuperar. Ou, como dizem os especialistas, reabilitar. Volto à rotina diária de autocarro, café na esplanada, fisioterapia, autocarro de regresso a casa, descanso para recuperar o corpo durante a tarde. Mas, confesso, tenho medo de ir sozinha…tenho medo de sentir a falta do apoio à direita, sabendo que à esquerda está garantida a bengala. Mas sozinha…tenho medo, claro. Afinal, só tenho feito sozinha o caminho de casa até ao café e regresso. Mas sempre com receio. Vou manter o meu passo lento para garantir que não me atrapalho. Vou continuar atenta a eventuais apoios à direita, afinal qualquer poste ou qualquer parede me serve.

Medo. É uma palavra que tenho dito mais do que é costume. Porque, e ontem finalmente disse-o em voz alta, eu tenho medo. Eu sinto medo…

A tarde eu tinha reservado para fazer o que faço sempre: aninhar no sofá. Especialmente depois de uma noite curta e pouco descansada precisava de me aninhar no sofá por um tempo. Não aconteceu.

Passei a tarde a tratar de burocracias necessárias para o trabalho e para a transmissão de contrato. E foram horas nisto. Mas está praticamente tudo tratado. Só falta mesmo o Certificado de Habilitações. Agora é esperar.

E, com isto tudo, passou uma tarde inteira em que precisava de aninhar no sofá e não o pude fazer…

Agora já a noite ameaça entrar na madrugada e eu estou cansada, com sono e ainda estou aqui… Amanhã é dia de consulta com o psicólogo novo. Não sei o que esperar, só sei que ainda não o conheço e já sei que preciso dele. Da ajuda dele. Do trabalho dele que sei de antemão que tem que ser um trabalho de equipa, dele e meu. E, para que isso seja possível, é necessário criar empatia. E desejo tanto que essa empatia surja naturalmente em ambas as partes porque, sem ela, a equipa não funciona. E, se não funcionar, não vai haver resultados. E eu preciso de resultados. Preciso de ajuda. Para tanta coisa. Para tantos temas. Porque sozinha não consigo

Já devia estar a dormir? Já… Há já algumas semanas que comprei um caderno já a pensar nesta consulta. Um caderno onde escrever o que trago cá dentro e me leva à consulta. O caderno continua por estrear… Só esta noite me surgiram os temas que quero apontar amanhã como sendo aquilo que mais sofrimento me causa neste momento. E onde é que escrevi? O caderno continua por estrear…apontei no telemóvel, claro. Por estar mais à mão. E, não vou mentir, porque escrever à mão está a tornar-se cada vez mais ilegível.

Mas vou ter que dar uso ao caderno. Vou ter que acabar por materializar todas as questões que me atormentam neste momento. E, um dia, provavelmente com a ajuda dele, também terei que materializar o que se passa comigo, o que me apanhou na curva e que continuo a não conseguir aceitar nem entender como é que chegou até mim, porque é que me encontrou a mim. Eu sei que a pergunta “porquê eu?” não tem resposta. Mas também sei que, para conseguir lidar com tudo isto da melhor forma possível, vou ter que acabar por aceitar o que nem eu entendo o porquê. E eu nunca passei da idade dos porquês…

Percebi agora, enquanto escrevia, que tenho tanta coisa para falar com ele…tanta que não sei sequer por onde começar. A nota que tenho no telemóvel, escrita hoje, aponta para 4 ou 5 tópicos que achei, inocentemente, que seriam esses os tópicos que precisava de abordar com ele. E, de repente, percebi que tenho vários parágrafos de coisas para abordar e não faço ideia como começar…

Bem…amanhã logo se vê. O mais importante agora é que tenho que descansar. Dormir a correr porque amanhã é dia de sair de casa cedo para a consulta. E acreditar que ele é, de facto, a pessoa que me vai ajudar…

{#197.170.2024}

Mostra-me a Beachcam da MEO que, às 20h42 de hoje, a minha praia estava nas condições perfeitas para o que eu quero tanto: caminhar à beira mar. E, percebi hoje, mais do que caminhar à beira mar, a minha grande vontade é de dar pontapés nas ondas. Caminhar, correr e dar pontapés nas ondas. Coisas tão simples. Tão pequeninas. Quase insignificantes. Dar pontapés nas ondas à beira mar…

As (minhas) lágrimas teimam em não cair mas, perceber que já não consigo fazer nada disso, aperta-me o nó na garganta que não se desfaz, o sorriso fácil desapareceu e a vontade é manter-me o resto da noite no meu canto meio escondido da esplanada do costume e chorar…

Não choro, claro. Não porque na esplanada parece mal. Não seria a primeira vez que chorava aqui. Não choro porque simplesmente NÃO CONSIGO. Há mais de um ano que o digo…

Está a ficar frio, mas queria TANTO estar à beira mar a sentir o mar nos pés e a dar pontapés nas ondas enquanto assisto ao pôr do Sol.

Depois lembro-me que dificilmente o conseguiria fazer. Não sem ter onde ou em quem me apoiar. E ainda assim…

Eu sei que há quem esteja pior do que eu. Já tive oportunidade de conhecer patologias mais graves que a minha e cujas pessoas me disseram “a vida não acaba“. E têm razão, claro que sim! Mas eu só queria dar pontapés nas ondas à beira mar enquanto assisto ao pôr do Sol. E (já) não consigo…

Entretanto, esta manhã, às 7h da manhã, choveu por aqui. Como é que eu sei? Porque, quando disse que não sabia que tinha chovido, alguém muito bruscamente me respondeu “SE TIVESSES IDO TRABALHAR sabias que tinha chovido!”. Ainda tive tempo de respirar fundo e dizer “quem me dera poder ir trabalhar…” para logo a seguir ouvir “NÃO INTERESSA! TIVESSES IDO TRABALHAR!“…voltei a respirar fundo, voltei a responder “quem me dera ESTAR EM CONDIÇÕES PARA IR TRABALHAR!”. Como resposta voltei a ouvir “TIVESSES IDO TRABALHAR!” À terceira respirei fundo, não para dizer mais nada, apenas para não mandar à merda a mesma pessoa que me disse, uma semana depois do fim dos meus 42 dias grávida “mas ainda não estás melhor PORQUÊ?” quando eu estava no fundo do poço. Também a mesma pessoa que me disse que “se não aconteceu não é para ser falado” e que poucos dias depois negou ter dito o que disse. 10 anos depois, se novamente confrontada, irá continuar a negar…

Sim, estou de baixa há 10 meses. Não, não estou (ainda) em condições de voltar ao trabalho, que terá que acontecer com adaptações.

Sim, tenho saudades do meu trabalho, do qual gosto muito. Mas não, não estou em condições físicas, mentais e/ou emocionais para voltar já. MAS NÃO TENHO QUE LEVAR COM COMENTÁRIOS PARVOS! Especialmente de alguém que me conhece desde que nasci e que está a par do que se passa comigo. E que, sendo algo sério, simplesmente desvaloriza o que estou a passar e o que aí vem.

Eu tenho paciência para muita coisa, para muita gente. Mas já são TRÊS coisas ditas pela mesma pessoa que só me confirmam que não tenho paciência para gente parva. E muito menos preciso de gente assim à minha volta. Haja pachorra que eu já não tenho nenhuma…

{#196.171.2024}

Domingo é aquele dia de não fazer nada, certo? Bem, se para vocês não é, para mim hoje foi…

O mais triste deste dia em que não se fez nada? Ter que recorrer a uma manta dobrada ao meio para ser mais quentinha quando me instalei no sofá. E aquecer a almofada térmica que ainda hoje, 14 de Julho, aqueço para dormir…

E chega a noite e com ela vem a sombra do desânimo, vêm as saudades, dele e nossas, vem a ansiedade de como será amanhã. Vem a vontade de parar e simplesmente chorar.

Claro que não choro. Há mais de um ano que o digo: quero chorar e não consigo

Já não é cedo. Já são mais do que horas de ir dormir. Amanhã? O meu desejo é que não esteja tanto frio. Quero ir à praia! Sentir o Sol na pele, arriscar uma caminhada à beira do Mar. Não peço muito. Aliás, seja no que for, eu nunca peço muito…

Vamos ver o que o dia de amanhã me vai trazer. Podendo escolher, que traga coisas boas. Por hoje, dia de não fazer nada, dou o dia por terminado. Por hoje já chega de ver o tempo passar…

{#195.172.2024}

Sábado é sinónimo de manhã de Yoga. É acordar cedo, preparar o que não tiver ficado preparado de véspera, tomar o pequeno almoço, vestir-me, beber um café e fumar um cigarro (que, já sei, não devia fumar…!), sair com tempo para ir descansada e chegar a horas.

Tudo isso foi feito esta manhã. Menos a parte de sair com tempo. Por algum motivo que desconheço ou que não percebi, acabei por sair de casa 10 minutos depois da hora. Que é o suficiente para me obrigar a acelerar o passo, e acelerar o passo não faz parte das minhas capacidades neste momento.

Muito Sol, chapéu ficou em casa. Não quis saber, o que eu queria era pôr-me a caminho e conseguir chegar a horas.

Claro que o caminho foi feito com o apoio da minha mãe, para além da bengala. Se for para caminhar sozinha, tem que ser devagar, mas se for preciso acelerar o passo tem que ser com ela.

A verdade é que as pernas, apesar de ainda estarem doridas de ontem, ainda estavam frescas e prontas para aquele kilómetro que tinha pela frente. E, talvez por isso, apesar dos 10 minutos de atraso em relação à hora de saída, consegui chegar 5 minutos antes da hora. E isso soube-me bem. Uma espécie de pequena vitória.

A aula de Yoga tem, no horário, a duração de uma hora ao Sábado. Nunca acontece. Hoje, como em tantos outros Sábados, duas horas de Yoga. Em que não se dá pelo tempo passar. Em que a energia simplesmente fui e todos os asanas são cumpridos, alguns apenas dentro do que é possível ou do que se consegue, mas que se tenta sempre, e tantas vezes mais do que apenas uma vez.

O Yoga é, neste momento, a única coisa que me faz sair de casa com ânimo, com vontade de enfrentar o caminho para lá sabendo de antemão que o caminho de regresso vai ser penoso…mas sim!, tira-me de casa com vontade! E o que eu tenho pena é de só acontecer 2 vezes por semana com professor.

Sim, já tenho tudo o que preciso para fazer todos os dias em casa um bocadinho. Mas não…ainda não comecei… Já me conheço o suficiente para saber que vai demorar a acontecer. Mas vai ter que acontecer. O Yoga, para além do óbvio exercício físico, também me traz exercício mental e até emocional. Traz-me calma, serenidade, tranquilidade. E ajuda-me também a meter alguma ordem neste corpo cada vez mais descoordenado.

Claro que o regresso a casa foi doloroso, foi penoso. Mas, e como ele me disse, “importante é chegar”. Cheguei tarde, almocei tarde, bebi café tarde. E estava muito cansada. Não da aula em si ou do caminho percorrido para lá e para cá. Apenas muito cansada. Deve ser a isto que se referem quando me falam na fadiga nesta coisa coisa que me apanhou na curva.

A verdade é que, quando finalmente parei e me rendi ao sofá, adormeci profundamente muito rapidamente. Pouco passava das 17h quando adormeci. E, da forma como correu o sono, muito profundo e pesado, quando acordei tive a sensação de que seriam umas 22h. Não eram. Eram 19h. Mas manter-me acordada foi extremamente difícil. Pouco passa agora das 23h30 e não sei como é que me tenho mantido acordada… Não acho isto muito normal, mas também reconheço que sei muito pouco, para não dizer logo que não sei nada, de como posso ser afectada por esta coisa. Só sei que dá fadiga, embora ainda não a saiba distinguir do normal cansaço. Sei também que o calor é o meu maior inimigo nesta aventura. Exacerba sintomas, mesmo os que estão adormecidos. Sejam lá eles quais forem…

Desisto por hoje. Está na hora de dar o dia por terminado e ir descansar. Agora sem necessidade de acordar a nenhuma hora específica. Se não ouvir o despertador das 7h para tomar o antibiótico, também não é grave, tomo mais tarde.

O importante agora é descansar. Dormir sem pressas. Amanhã? Vamos ver se tenho coragem para ir ao paredão e, quem sabe, até à praia. Não me vou preocupar com isso agora. Amanhã logo se vê. E, se passar o dia todo no sofá, é porque o meu corpo assim o exige…

{#194.173.2024}

Sair de casa uns minutos antes do meio dia já não é muito recomendável por causa do Sol e do calor. Mas, chapéu na cabeça, roupa fresca, pernas ainda em bom estado, bora lá botar os pés ao caminho e seguir o mais possível pela sombra até ao banco que fica a 1,5km daqui.

Claro que aos 500 metros tive que me sentar (à sombra) porque as pernas e os desequilíbrios já davam sinais. Claro que trazia a bengala comigo e seguia de braço dado com a minha mãe.

Demorámos (quase 1 hora), mas chegámos ao banco. Tratei do que tinha que tratar, aproveitei para descansar. Agora era preciso voltar para trás…

Ficou decidido que o almoço seria na vila e assim foi. Se fosse em casa seria MUITO tarde.

Acabado o almoço, uma visita rápida e curta à Rua dos Pescadores. E estava na altura de voltar para casa… Já a muito custo, fomos fazendo o caminho, sempre pela sombra mas as dores nas pernas a passarem de más a muito más.

Aos 400 metros de distância de casa repeti várias vezes “não consigo dar mais um passo”. Sentei-me. Ganhei coragem. Voltei a dizer “não consigo”, porque as pernas assim o gritavam. Mas, para quem saiu de casa às 12h, eram 18h quando finalmente voltei a entrar…

Agora, por favor, quando me ouvirem dizer que não consigo dar mais um passo, ACREDITEM em mim. Porque, naqueles últimos 400 metros, só EU sei as DORES e o ESFORÇO que fiz para conseguir voltar para casa.

Eu digo sempre que se é para ir, eu vou. Mas esqueço-me SEMPRE que também tenho que conseguir voltar…

Foram 3,8km. Não é nada, eu sei. Mas, para mim, já foi demais.
Andar faz-me bem, diz quem sabe. Mas, digo eu, andar tanto num só dia não me faz bem nenhum. E lembro-me sempre das palavras do Pedro, o professor de Yoga, quando alguém diz “não consigo“. Responde logo “essa frase aqui é proibida“. E eu aprendi a substitui-la por “vou continuar a tentar“. E, um passo a seguir ao outro, é isso que tenho feito: continuar a tentar.

Mas, 5 horas depois de chegar a casa, continuo com dores e a não conseguir dar 2 passos seguidos sem ter que parar.
Ainda vou ali pôr as pernas na parede, Viparita Karani, a minha mais recente BFF. Porque amanhã de manhã tenho 1km para fazer para lá. Mas também tenho que voltar…e não sei como…

{#193.174.2024}

Yoga à quarta feira ao final do dia sabe muito bem. E, já sabemos, à quarta feira, mesmo depois de uma aula muito dinâmica como a de ontem, vem o Yoga Nidra, aquele momento de relaxamento profundo e meditação guiada. E sim!, o relaxamento É muito profundo. E muito bom.

Logo após a primeira sessão de Yoga Nidra percebi que o dia seguinte pode ser muito lento. Lento para acordar de manhã cedo, lento para despertar para a vida, tudo acontece em câmara lenta… Tudo muito devagar, devagarinho.
É normal, diz o Pedro, o professor.

Hoje, quinta feira, o dia a seguir ao Yoga Nidra, não foi excepção. Consegui não ouvir o despertador das 7h da manhã, aquele que toca para tomar o antibiótico em jejum, mas fui acordada “à força” pouco antes das 10h. A muito custo.

Tomei o antibiótico, esperei uma hora para poder tomar o pequeno almoço (instruções do médico), bebi café. A manhã arrastou-se devagarinho até almoçar às 13h, 2 horas antes do que é normal por aqui. Acabei o almoço e bebi o meu café em casa. Mas o sono continuava e cada vez a apertar mais. Por isso, fiz o que nunca faço: beber um segundo café! Mas desta vez na rua, para não adormecer no cadeirão ou no sofá. Mas esse segundo café veio muito bem acompanhado! Um Cornetto Brigadeiro, um excesso de chocolate e leite condensado, a dose certa de uma coisa muito boa!

Continuei na esplanada e continuei prestes a adormecer. O relaxamento profundo de ontem ainda se fazia sentir. E já sabia que, quando voltasse para casa, mesmo querendo muito ir à vila, iria render-me ao sofá. Iria pôr os óculos, claro, mas já sabia que não seria para conseguir ver televisão mas sim para ver melhor os sonhos. Porque estava garantido que, rendendo-me ao sofá, rendia-me ao sono. E não estava nada preocupada com isso!

Se o gelado é bom? Não! É MELHOR do que isso!

Voltei para casa sozinha a muito custo, são 150 metros apenas, mas um piso muito irregular, muito difícil para manter o equilíbrio. Mas fui, fiz o caminho sozinha, apoiei as pontas dos dedos no muro as vezes que foram precisas.

Uma breve passagem pelo cadeirão antes de lanchar e finalmente render-me ao sofá. Seriam umas 19 horas quando, tapada com uma manta e aninhada, pus os óculos, ainda tentei olhar para a televisão mas, assim que deitei a cabeça na almofada, foi como se alguém tivesse desligado o (meu) interruptor.

Voltei à vida pelas 22h. Mas, apesar de terem passado 3 horas, foi como se tivessem passado apenas 5 minutos…

Já jantei, já bebi o meu descafeinado mas ainda não consegui levantar-me do cadeirão rumo à minha cama. Já é tarde, mais tarde do que gostaria, mas o sono é de tal maneira que me custa movimentar-me para toda a rotina pré-cama… Mas vai acontecer em pouco tempo, porque não aguento o sono que tenho e amanhã é dia de acordar cedo, quero ir à vila antes que chegue o calor insuportável que não me faz bem.

Mas, e desde que acordei há pouco no sofá, guardo comigo aquela frase que ele me enviou e que me retrata tão bem: “o Sol vê tudo o que eu faço, mas é a Lua que guarda os meus segredos.” O autor é desconhecido, mas podia ter sido eu a escrevê-lo. E por isso guardo esta frase enviada por quem me vê para lá do que é visível e me sente para lá da distância. E que, apesar da distância, está sempre presente, nem que seja à distância de um clique.

Posso dizer que foi mais um dia igual aos outros, vazio, a ver o tempo passar, porque foi realmente. Mas, depois das (boas) notícias de ontem, foi um dia muito mais leve, tranquilo, sereno e muito relaxado. E agora, que já é tão tarde, é altura de dar o meu dia por terminado. Amanhã? Também será um bom dia. Porque eu quero. E porque não estou sozinha. E isso sabe muito bem e é tão importante.

{#192.175.2024}

Os últimos dias não têm sido fáceis. Têm, mesmo, sido difíceis. A nível mental e emocional. Porque não ter respostas, mesmo a perguntas simples e básicas, corrói por dentro…

Mas, esta manhã, o telefone tocou. “Sem ID de chamada”, dizia-me o visor do telemóvel quando lhe peguei. Sei que grande parte das pessoas não atende números anónimos, mas eu atendo. E, mesmo antes de atender, lembrei-me daquela chamada que recebi no final do dia em que tive alta do internamento em Fevereiro. Imediatamente soube, antes de atender e com 100% de certeza, quem estava do outro lado. E não me enganei.

Era o médico, o especialista, o mesmo que não dava resposta a nenhum dos meus três emails e que hoje me pôs, finalmente, ao corrente do ponto de situação do meu processo que era a única coisa que eu pedia nos meus emails.

Falou-me de todos os resultados de todos os exames que fiz e que, em Março, ainda se aguardava resultados de três. Todos os resultados bons. Até o exame genético, signifique isso o que significar. Falámos da terapêutica preventiva que estou a fazer desde Maio e como me estou a dar com ela. Sabia que, de início, poderia dar alguma indisposição, algum desconforto, algum efeito secundário. Informei o médico que nada disso passou por mim. “E dormências nas mãos ou nos pés, teve alguma coisa?” Nada. Não tive qualquer reacção, qualquer sinal da medicação. “Isso é muito bom sinal”, respondeu ele animado. “Porque se é assim não é preciso mexer na terapêutica e pode avançar para a medicação”. E isto era tudo o que eu queria ouvir!

“Vou falar com o Hospital de Dia para lhe ligarem para agendar a transfusão. Esta é aquela medicação que tínhamos falado que é feita de 6 em 6 meses. É a melhor no seu caso.” Ainda tive oportunidade de lhe dizer que, se o Hospital de Dia quisesse marcar para ontem, eu estava disponível.

Falámos sobre a minha disponibilidade, se me iria ausentar agora no período de férias. Disse-lhe que continuo de baixa e não vou sair daqui, portanto a disponibilidade é total.

Falámos sobre os efeitos do calor. Que sim, é prejudicial e exacerba os sintomas, até mesmo aqueles que estão mais escondidos.

Falei-lhe da presença constante da visão dupla e de ter regredido muito no equilíbrio. A chamada não era uma consulta, eu sei, mas tinha que aproveitar para o actualizar sobre o meu estado.

Foram 10 minutos ao telefone. Não foi demasiado tempo, não foi pouco tempo, foi o tempo certo para ter a informação que precisava: vamos avançar com a medicação biológica em breve. “Muito breve”, nas palavras dele.

Sei que vou ter que voltar a esperar e a ter paciência, claro que sim. Mas desta vez não vou ficar à espera de emails que não chegam com as respostas que preciso. Agora é só mesmo esperar que o telefone toque novamente, mas desta vez com identificação de um número conhecido: o número do Hospital. E acredito (ou quero acreditar) que desta vez não vou ficar muito tempo à espera.

Dia 17 tenho consulta no Hospital. Não me custa nada passar no Hospital de Dia e perguntar se há alguma previsão.

A verdade é que, depois desta chamada, o meu ânimo melhorou. Muito. Ainda liguei para o secretariado para falar com a D. Paula que, assim que me identifiquei, me disse “já sei que o doutor já lhe ligou”. Confirmei e disse-lhe o que tinha para lhe dizer: muito obrigada. Porque tem sido incansável, inexcedível, para além de ser uma querida cada vez que falo com ela, desde o primeiro dia.

Sei que ela falou com o médico de manhã e só consigo imaginar aquela senhora a dar um puxão de orelhas ao médico. Porque a verdade é que depois dela falar com ele, ele pegou finalmente nos meus emails (que mesmo assim não leu, ainda estava a ler o de 17 de Junho quando me ligou), pegou no telefone e fez aquilo que devia ter sido feito há meses: ligou-me e informou-me sobre o estado do meu processo.

Esta noite já respiro mais tranquila. Já sinto o corpo mais leve como se me tivessem tirado uma tonelada de cima. Esta noite já não durmo ansiosa. E amanhã o dia vai ser bom novamente. Iniciou-se agora um novo período de espera, é verdade. Mas pelo menos já sei que o processo não está parado nem esquecido.

Sim, depois deste telefonema sem identificação de chamada, tudo melhorou. E até o céu voltou a ser azul.

{#191.176.2024}

Hoje, e novamente por recomendação da administrativa do secretariado da especialidade de onde devia ter respostas, enviei o TERCEIRO email. Também por sugestão dela, o assunto é precisamente “MUITO URGENTE – EMAILS SEM RESPOSTA“.

O primeiro email foi enviado a 17 de Junho. Resposta: silêncio absoluto.

Liguei para o secretariado, falei com quem falo sempre e que, ela própria o diz, já não sabe o que me dizer. Reenviei o primeiro email, acrescentei algum conteúdo importante no segundo no dia 1 de Julho. Resposta? Precisamente a mesma que deram ao primeiro: silêncio.

Hoje, cansada de esperar, voltei a ligar para o secretariado. A D. Paula, a administrativa com quem falo sempre, mais uma vez me disse: “já não sei o que lhe dizer…“. Pediu-me para reenviar os emails e acrescentar MUITO URGENTE – EMAILS NÃO RESPONDIDOS no assunto. E pediu-me também para escrever sobre o que estou a sentir sobre esta situação. E, desta vez, assim fiz.

Referi várias vezes que estou EXAUSTA de estar à espera, que tudo o que recebo é silêncio e que a própria SPEM me informou que o silêncio e a ausência de resposta ou informação não podem acontecer.

Não peço mais do que o ponto de situação do meu processo. Não peço antecipação de consulta. Não peço confirmação de diagnóstico. Não peço acesso rápido à medicação. Só peço o ponto de situação. Uma informação de nada! E é o nada que tenho recebido em troca.

Dia 17 tenho consulta no Hospital. E se, até esse dia, continuar o silêncio, faço a última coisa que queria fazer: exposição no livro de reclamações do serviço.

Todo o doente, seja de que especialidade for, TEM O DIREITO de ter informação sobre o seu processo. Eu, pelos vistos, não tenho esse direito. E não é por falta de tentar saber.

A última coisa que soube, e foi porque tive que apresentar um relatório do especialista numa Junta Médica da Segurança Social, foi em Março. Há QUATRO meses. A próxima consulta está marcada para Outubro. Faltam TRÊS meses. E eu só peço uma porra de um ponto de situação…

Vou continuar à espera. Estou exausta de tanto esperar. Mas o próximo passo no dia 17 É o livro de reclamações…

E tudo isto me está a afectar de uma forma que eu não queria…

Eu sou aquela menina que, no mesmo dia em que recebe a encomenda de café ou vai directamente ao Fórum buscar, divide as cápsulas de uma forma que só a mim faz sentido e arruma as caixas ordeiramente até ser necessário dividir novamente (porque o dispensador só leva 36 cápsulas e eu compro muito mais do que isso). Portanto, algo se passa nesta cabeça quando, 12 dias depois de ter ido ao Fórum buscar café, a confusão está instalada, as cápsulas estão misturadas e as caixas não estão arrumadas…

Sim, este caos É um reflexo de como está a minha cabeça hoje em dia. E isso NÃO É bom sinal… Falta muito para dia 17 para, finalmente, ter a primeira consulta com o novo psicólogo? É que eu preciso muito de ajuda para voltar a organizar esta cabeça que anda ao sabor do vento completamente perdida e sem rumo…

Não, não tenho vergonha em assumir publicamente e em dizer que preciso de ajuda. Às vezes o mais difícil é aceitar que se precisa de ajuda. E eu sei há muito tempo que preciso. Logo quando esta aventura começou, ainda a ser acompanhada pelo terapeuta fofinho, ele próprio me disse que iria ter que pedir acompanhamento psicoterapêutico no Hospital porque não estava preparado para me ajudar com o que me apanhou na curva. Eu entendi os motivos e aceitei. Mas, na consulta com o especialista, não tive oportunidade de referir isso. Não me preocupei muito, sempre tinha o acompanhamento de psiquiatria e aí seria mais fácil pedir encaminhamento, também como sugerido na urgência de psiquiatria quando estava muito aflita e tinha acabado de descobrir que a minha psiquiatra, com quem tive uma única consulta, tinha deixado o Hospital.

Esperei (sempre a esperar…) até me ser atribuído novo psiquiatra. De quem gostei, logo pela forma como se apresentou: “Olá, eu sou o Nelson”. Não houve uma daquelas caganeirices de “sou o DOUTOR nome e apelido”. Não. Apenas a informalidade do nome próprio e um sorriso. Deixou-me à vontade, admito. Perguntou-me como estava a Depressão e eu fui sincera: “cá vai andando, uns dias melhores, outros nem por isso. Mas com isto que me apanhou na curva está complicado, porque eu estou em negação…” E estava. E ainda estou. E, de imediato, veio a sugestão certa: “o que me diz a ter acompanhamento psicológico? A ajuda de um psicólogo?” Imediatamente respondi que sim!, que precisava de um psicólogo. “Vou tratar do encaminhamento, então.” E tratou.

Conhecendo-me como conheço, acho que toda a vida vou precisar de ter um psicólogo a acompanhar-me. Até porque toda a vida tenho tido um psicólogo a acompanhar-me. É coisa que já vem de muito longe. E acredito que, especialmente na adolescência e depois dos 42 dias em que estive grávida, as coisas teriam corrido muito mal se não fosse o acompanhamento psicológico. Especialmente depois daqueles 42 dias. Não me canso de repetir: o terapeuta fofinho salvou-me a vida. Com muito trabalho da minha parte, é verdade, mas foi ele que me disse, na primeira consulta, “tu agora estás perdida numa floresta muito escura, mas eu vou estar aqui a iluminar-te. E TU vais encontrar o caminho para saíres daí.” E assim foi. E saí daquela floresta escura em específico. E, ao sair, percebi que sem a ajuda dele provavelmente hoje não estaria cá para contar a história. Mas estou, muito graças a ele. Sei que ele não gosta que eu o diga, mas sim!, o terapeuta fofinho salvou-me a vida. Foi um enorme trabalho de equipa, porque ele diz que o mérito é todo meu e eu insisto que sem ele não teria conseguido.

Não sei quem vou encontrar no dia 17. Sei, sim, que dificilmente encontro outro terapeuta fofinho com quem tive empatia e uma boa ligação logo na primeira consulta. Mas seja quem for o psicólogo que me vai acompanhar agora, vai ser importante, muito importante, que me oiça e me ajude. Porque eu preciso de ajuda. Com o que me apanhou na curva e com o que me consome neste momento: o desprezo e total abandono por parte de quem tem obrigação de me acompanhar e dar informação.

Estou muito cansada. Mas também estou magoada. Frustrada. Desiludida. E absolutamente perdida, sem saber o que fazer, o que não fazer, no fundo sinto-me abandonada e desprezada pela equipa médica que, supostamente, me iria ajudar a lidar com o que me apanhou na curva.

Eu não pedi nada disto, não procurei nada disto, não merecia nada disto. Mas aconteceu. Não sei como nem porquê nem porque não. Não sei rigorosamente nada. E preciso de respostas. Sei que há perguntas que não têm resposta. A célebre pergunta “porquê a mim?” não tem resposta. Mas há perguntas que têm: como estou?, o que me vai acontecer?, o que esperar?, o que fazer e o que não fazer?, essas perguntas têm resposta. E só o médico, o mesmo que recusa responder aos meus emails, é que me pode responder. Mas só me dá silêncio. E eu não sei lidar com o silêncio, nunca soube…

Não, eu não estou bem. E acho que só eu percebo o quanto não estou bem. Cá em casa já se percebeu que não estou a 100%, mas estou convencida que mesmo assim não têm noção do quanto estou verdadeiramente mal. Estou em sofrimento? Estou. A enterrar-me novamente no fundo do poço? Claramente. Não tenho ânimo para coisa nenhuma. Obrigo-me a sair de casa só para tentar contrariar este meu estado. O apetite é cada vez menor. E outras coisas que parecem pequeninas mas que, vendo com olhos de ver, são enormes e sinais mais do que evidentes do quão mal estou neste momento. Ao ponto de me assustar a mim mesma. E isso preocupa-me. Muito. O estado das cápsulas de café é mais um sinal…

Há mais de um ano que digo isto: apetece-me muito chorar, e não consigo. Neste momento não só me apetece chorar como também preciso de chorar. E continuo a não conseguir… Por isso dia 17 é um dia tão importante para mim. Porque vou começar a ter ajuda. E quem sabe se essa ajuda não me põe a chorar! Não faço ideia de qual será a periodicidade das consultas e isso preocupa-me, claro. Mas em alguma consulta vou ter que conseguir chorar… Não resolve nada, eu sei! Mas alivia a pressão que trago cá dentro e que me está a consumir…

Hoje ainda é dia 9. Agora, e a estas horas muito tardias, só me resta fazer aquilo que toda a gente me diz: esperar e ter paciência. Amanhã? Logo se vê. Resposta aos meus emails duvido que haja. Mas uma SMS da médica de família já era uma ajuda para ganhar um bocadinho de ânimo que, neste momento, não tenho nenhum… E, para dia 17, já não falta assim tanto. É (sobre)viver um dia de cada vez. E continuar a esperar e a ter paciência… Depois? Logo se vê…

{#190.177.2024}

Há duas coisas que, desde cedo, me ensinaram e eu aprendi na perfeição: saber esperar e ter paciência.

Desde sempre que me lembro de ser assim: eu espero por qualquer coisa, por qualquer pessoa, às vezes até para lá do razoável. Mas espero. E, mesmo que muitas vezes diga que já não tenho, sou perita na paciência.

Mas, depois, há o telefone que não toca (e ainda não me convenci que, de facto, funciona nos dois sentidos; my mistake…), há aquele email enviado há 3 semanas com reforço de envio há duas semanas que continua sem resposta, há a SMS que não chega com a confirmação da referenciação pedida, há todo um Mundo que não se mexe.

Mas toda a gente continua a dizer-me que tenho que esperar e ter paciência. E eu continuo, à espera e a ser muito paciente.

Mas, no último ano, aprendi (à força da espera e da paciência) que não poder fazer mais nada a não ser esperar e ser paciente cansa. Muito. E eu estou exausta de tanto esperar e ser paciente e não poder fazer rigorosamente nada para que o Mundo se mexa. O que podia fazer, está feito. Mas, do outro lado, daquele lado que podia (devia?) fazer a diferença não recebo mais nada além de silêncio e ausência de movimento. E por isso mesmo estou tão cansada. De esperar e ter paciência. E de não poder fazer mais nada…

Quanto ao telefone, ainda caio na asneira de ser eu a tentar comunicar quando o telefone funciona nos dois sentidos. E até aí eu espero que me atendam e tenho muita paciência quando não o fazem…

Sim, estou cansada. Muito cansada. Exausta, na realidade. Mas vou fazer o quê? O costume: esperar e ter (muita) paciência…

Amanhã logo se vê se o Mundo mexe. Nem que seja um bocadinho pequenino só. Já fico contente com uma SMS porque já percebi que o email está a ser completamente desprezado.

Cansada. Tão mas tão cansada que nem quem está por perto tem a noção do quanto estou cansada disto…

{#189.178.2024}

Domingo, aquele dia de Julho em que acordei cedo com vontade de ir até à praia caminhar à beira mar. Acedi à beachcam e o Mar estava perfeito para o que eu queria: maré vazia e praticamente sem ondas. Às 9h15m da manhã a praia estava vazia. Ao mesmo tempo que estranhei achei (mais ou menos) normal: era cedo para multidões. Mas mesmo assim…

Até que a beachcam mudou de plano. E, logo ali em primeiro plano, a Bandeira Azul e a bandeira amarela bem direitas, enfunadas, endireitadas pela força do vento. Abri a app de Meteorologia e percebi a praia vazia: às 9h15m de uma manhã de Domingo em pleno mês de Julho, estavam 17 graus…! Frio. Muito frio e muito vento. E logo decidi: a praia vai ficar para mais tarde, se a temperatura subir e o vento acalmar.

Não aconteceu.

O dia foi, todo ele, para dormir. Com edredon e almofada térmica de trigo para garantir que adormecia quentinha. Numa manhã de Domingo em pleno mês de Julho. E todas as noites o cenário é o mesmo: edredon e almofada térmica. Onde, para além do calendário, se meteu o Verão…?

Saí ao final da tarde, fui beber café e fui ao parque. O vento frio tirou-me toda a vontade de ir até ao paredão. O melhor a fazer foi mesmo voltar para casa para aquecer.

E, ao chegar a casa, fui ler as mensagens que ouvi chegar durante o caminho. E mais alguém se faz presente. E, mais uma vez, agradeço. Porque ninguém imagina a importância que essas mensagens de presença têm neste momento, especialmente de pessoas que estão geograficamente longe, mas que me dizem “estou aqui”. São essas pessoas, essas presenças que me fazem não desistir. Que me fazem não querer desistir.

O caminho, desde o primeiro dia que o sabia, é difícil. Nunca pensei que fosse tão difícil. Mas, sabendo que não estou sozinha, torna o caminho mais fácil, mais suportável. E é tão importante saber que há quem me acompanhe neste caminho cuja rota ainda desconheço.

Amanhã não há fisioterapia. Estou à espera de novo ciclo que não sei quando irá começar. Por isso não há necessidade de acordar cedo. Claro que o despertador toca às 7h para tomar o antibiótico da terapêutica preventiva e assim será durante longos meses, mas vou poder voltar a dormir logo de seguida. Se conseguir… De resto, logo se vê como será o dia de amanhã. Será mais um dia igual aos outros, a ver o tempo passar, sem absolutamente nada para fazer…

Bem, será o que tiver que ser, como tiver que ser. E, se o tempo e o vento ajudarem, darei um salto à praia. Logo se vê.

{#188.179.2024}

Depois de uma noite muito má, I tranquila, pouco e mal dormida de quinta para sexta feira, o desânimo e insegurança ainda eram grandes na sexta feira à noite. Mas depois há vozes do outro lado do telefone, neste caso uma voz, que me tranquiliza e não me deixa desistir. Relembra-me que desistir não pode acontecer. E que continuará a seguir caminho de mão dada comigo. Se eu não desistir.

Foi uma espécie de chamada de volta à Terra. E foi o suficiente para eu me recentrar. Para eu me reencontrar comigo mesma. Eu nunca fui de desistir. De nada. Às vezes, e se calhar demasiadas vezes, até insisti demais quando devia ter desistido daquilo que não era nada.

Aquela voz dá-me segurança. Dá-me tranquilidade. Dá-me força. Dá-me as palavras certas. Aquela voz é a mesma que está sempre à distância de um clique há mais de um ano. E que eu quero muito que se mantenha presente por muito tempo, independentemente da distância e de todos os mas.

Ontem foi uma noite muito mais tranquila. Mais serena. Mais segura. De mim. De nós. De tudo.

O dia hoje começou cedo. Sábado é manhã Yoga. E hoje era para ser mais cedo no parque. Mas, ao chegar lá, percebeu-se que o Verão não quer chegar. Muito vento, algum frio. Mas não foi por isso que deixou de haver aula. Um pequeno desvio no percurso e fomos para a sala de sempre. Não éramos muitas. Mas éramos as suficientes para uma conversa com o professor Pedro que não trazia as melhores notícias no imediato mas que já se procura solução.

Depois, uma aula de Yoga restaurativa. De recuperação. De relaxamento. Calma. Tranquila. Duas horas que passaram a correr. E que, como sempre, souberam tão bem. Cada vez mais me faz sentido o que o Yoga me traz. Agora só tenho que deixar de ser preguiçosa e trazê-la para dentro de casa, como há tanto tempo ando a prometer a mim mesma…

Voltar para casa foi, novamente, a muito custo. Para lá as pernas colaboraram. Mas o regresso foi penoso e novamente a incerteza sobre se iria conseguir ou não… E, vou percebendo, o regresso está cada vez pior. E sentir e perceber isso assusta-me. Claro que sim. Para conseguir fazer o caminho de volta tenho que parar muitas vezes, demasiadas vezes. E não pode continuar a ser assim…mas não sei como vou conseguir ultrapassar isto.

A verdade é que cheguei. Parei na esplanada do costume para ter o meu momento. Beber um café e entrar naquilo a que chamo de modo de sobrevivência. Que nada mais é do que tentar manter-me o mais activa possível. Porque, já sei, à tarde sucumbo ao sofá. E hoje não foi excepção.

É verdade que o Sábado é o dia mais aborrecido da semana, mas não tem que ser assim tão aborrecido. Queria ir até à praia. Mas o vento não convidava ninguém a ir até lá. As pernas não iam aguentar. E, mesmo com vento, o Sol e o calor são-me prejudiciais. Por isso, a melhor opção foi mesmo o sofá. Aconchegada, a olhar para a televisão por muito pouco tempo até apagar de vez. Acordar para jantar. E assim se passou mais um sábado.

Para amanhã é acreditar que o vento vai abrandar e dar uma hipótese de ir até à praia ao final do dia quando o calor já não me prejudica tanto. Vamos ver como corre. Caso contrário, parece-me um bom dia para iniciar rotinas de Yoga em casa. Porque não?

Agora, e apesar de ter dormido a tarde toda, está na hora de recolher. Disse-me a voz ontem que eu preciso de descansar e que o descanso é muito importante. E é verdade. Por isso, por hoje já chega. Amanhã? Logo se vê.

{#187.180.2024}

Na noite passada escrevi isto no blog e partilhei no Facebook: “Estou tão cansada… E tão perto de desistir. Da espera a que me obrigam. Do acompanhamento que preciso e não tenho. Do tratamento que não chega. E é tão fácil desistir disso tudo. E é tão fácil desistir de mim mesma…”

Deviam passar 2 ou 3 minutos da meia noite. À meia noite e cinco minutos o meu telemóvel tocou. Outro P de Presente, desta vez geograficamente mais afastado mas há mais de 20 anos sempre próximo. A pergunta imediata foi “como é que estás?” Nem foi preciso pensar muito para lhe dizer “estou na merda…”

E estava. Já tinha debitado no éter tudo o que trago cá dentro em formato de post de blog. Post diário há praticamente 10 anos. Onde me permito dizer tudo o que me mói e me dói.

Falei com ele, desabafei, senti o apoio que nem a distância impede. Falei com a mulher dele também. E novamente o apoio. E a promessa de não desistir.

Fica difícil fazer este caminho sozinha. Mas depois há estes Presentes que a vida me trouxe que me ajudam a enfrentar as outras surpresas também trazidas pela vida.

A noite foi muito difícil, muito curta, o dia demasiado longo e também ele difícil. Mas eu cumpro o que prometo. E prometi não desistir.

Hoje foi mau. Amanhã basta ser só um bocadinho melhor. Depois? Logo se vê. Por enquanto ainda estou na merda. Mas com uma noite bem dormida pode ser que passe…

{#186.181.2024}

Às vezes é preciso parar. Às vezes é preciso virar o Mundo de pernas para o ar.
Viparita Karani, a minha mais recente melhor amiga. Ajuda-me a parar, aliviar as dores, relaxar e respirar.

Deve ser a isto que chamam morcegar. E são (por agora) 15 minutos só meus. Com o tempo os minutos para mim irão aumentar.

E, durante esse tempo, não quero saber de nada, nem do Mundo lá fora e não estou para ninguém. Nem para a minha gata que, em pânico, tenta perceber se estou bem e o que é que estou ali a fazer deitada no chão e com as pernas na parede…

E, disseram-me hoje meio a sério, meio a brincar, que a minha sina é esperar. E parece que é mesmo. Continuo à espera de uma resposta a dois emails que, aparentemente, são irrelevantes. Para um médico. Para aquele que é suposto ser o meu médico. Especialista. Que, acreditei eu no primeiro momento, era quem me ia ajudar e tratar isto que me apanhou na curva. Mas, pelos vistos, não. Não quer saber. É-lhe indiferente? Talvez. Tem casos mais graves? Não duvido que possa ter. Mas silêncio? Ignorar um doente? Não dar uma única informação tão simples como o ponto de situação do meu processo? “Tem que esperar”, disse-me em Março quando o encontrei por acaso no secretariado. Mas isto foi em Março. E Julho já chegou e está a passar a correr. E o primeiro email enviado está quase a fazer 3 semanas. E, parece-me, nem o segundo email que iria ser impresso, como foi o primeiro, com a anotação manual de “MUITO URGENTE” mereceu qualquer atenção, qualquer resposta. Silêncio. Absoluto. E, porque estou muito cansada de esperar, amanhã vou novamente insistir. Porque eu preciso de ter informação… Estamos aqui a falar de um assunto sério, que trata da minha saúde e traz implicações sérias na minha vida. E, neste momento, só estou a pedir um ponto de situação…

Por outro lado, sei que noutro lado estão dispostos a receber-me de braços abertos e a dar-me toda a ajuda que preciso e todo o acompanhamento urgente e necessário. Mas até para isso tenho que esperar… Mensagem enviada à médica de família com toda a informação e com pedido de orientação. Mensagem enviada ontem…percebi hoje que há SMS minhas que não estão a chegar ao destino. Pode ser o caso. Pelo que arrisquei reenviar pelo Whatsapp. E, para alguém que responde sempre e por vezes até telefona, não é normal também ela se remeter ao silêncio…

Eu tenho a solução ali à minha espera de braços abertos. Só falta o pedido da médica de família. E eu à espera…

À espera, sempre à espera. De tudo. Seja o que for, tenho sempre que esperar. E estou cansada. Tão cansada de esperar. Tão cansada de burocracias. Tão cansada de falta de interesse em situações sérias. Tão mas tão cansada…a vontade é de baixar os braços, desistir de tudo, incluindo de mim mesma, e chorar. Simplesmente desistir e chorar. Porque, pelos vistos, a minha sina é, de facto, esperar. E eu não quero esperar mais. Eu não posso esperar mais. Só me resta desistir. De tudo, o que implica também desistir do mais importante: eu.

Estou cansada. Tão cansada. Eu não pedi para ser apanhada na curva por coisa nenhuma! Mas fui! E, a única coisa que me dizem é “tem que esperar”…isto quando já sei que noutro lado também esperam por um pedido simples, que é feito por computador, que chega ao destino de imediato, onde me irão receber de imediato e tratar de mim como eu preciso.

Às vezes dou por mim a pensar que mereço tudo isto. O que me apanhou na curva e o silêncio e abandono de quem me deveria ajudar. Pergunto a mim mesma porquê e não sei a resposta. Mas sim, sinto que algures no tempo fiz alguma coisa muito errada e agora estou a pagar por isso. Não encontro outra explicação para todo este silêncio. Toda esta inactividade. Todo este desprezo, no fundo… Sinto-me cada vez mais sozinha e desamparada por parte de quem tem obrigação profissional de se mexer, de me acompanhar, de me seguir, de ir sabendo do agravamento da sintomatologia e de me ajudar a combater uma coisa que não tem cura, que é progressiva, que é neuro-degenerativa, que é séria. Não é terminal, não é letal. Se fosse, da forma como o processo se está a desenrolar, talvez já não estivesse aqui hoje a escrever…

Sim, estou muito desanimada. Muito perdida. A sentir-me abandonada. Desprezada. E só quero sair deste filme! Quero acordar um dia e perceber que foi só um longo sonho muito mau e, depois de acordar, seguir para a minha vida normal que já não acontece há 10 meses…! Mas, como não é um longo sonho muito mau, amanhã vou acordar para mais um dia de espera, de ver o tempo passar e de nada a acontecer…

Estou tão cansada… E tão perto de desistir. Da espera a que me obrigam. Do acompanhamento que preciso e não tenho. Do tratamento que não chega. E é tão fácil desistir disso tudo. E é tão fácil desistir de mim mesma

{#185.182.2024}

De novo as dores nas pernas. Fisioterapia de manhã em que para lá não houve qualquer problema com a marcha, exercícios ligeiros que não justificam o que veio depois…

Ao voltar para casa, sair do autocarro já com algum incómodo nas pernas, ir até à esplanada que fica em frente à paragem para um café, deixar-me ficar por ali um bocado e ganhar coragem para me fazer ao caminho. São uns 400 metros da paragem até casa, portanto nada de extraordinário. Mas, se não fosse a presença da minha mãe, não sei mesmo como iria conseguir voltar para casa… As pernas, mais uma vez, não obedeciam e gritavam-me já não terem forças para dar mais um passo…mas tiveram que dar porque eu tinha que voltar para casa. E era logo ali… Foram 400 metros com muitas pausas, muitas paragens, muitas dores que não sei de onde vêm.

Já em casa, não havia posição para estar…as dores, a falta de força, a minha vontade de chorar e não conseguir…

Lembrei-me das aulas de Yoga. Tinha que recuperar para a aula de hoje. Mas tinha também, já há uns dias, um asana sugerido pelo professor que sabia que me poderia ajudar. E hoje deixei de ser preguiçosa e fiz o que tinha que fazer. Deitada no chão, pernas na parede, respirar de forma profunda e consciente. Tempo recomendado pelo professor: 10 minutos. E assim foi.

10 minutos dedicados exclusivamente a mim e, mais uma vez, inspeccionados pela gata que, a primeira vez que fiz isto em casa, ficou assustada por me ver no chão sem reagir aos miados, às cabeçadas, aos toques com as patas. Até que, terminados os 10 minutos, me levantei e ela percebeu que estava tudo bem. Estávamos só as duas em casa e percebi que ela estava um bocadinho em pânico dessa primeira vez. Mas, na vez seguinte, sabendo que estava tudo bem, deitou-se em cima da minha barriga e do meu peito e ali ficou os 10 minutos.

A verdade é que, hoje, percebi o poder dos asanas. As dores que sentia nas pernas antes desses 10 minutos foram lentamente desaparecendo. A descoordenação e falta de força também. Quando terminei, era outra. Sem dores, a conseguir andar, sem queixas e com energia para, dali a pouco tempo, caminhar até à aula de Yoga.

Tive algum receio que as dores voltassem no final da aula, especialmente por ter sido uma aula intensa. Mas hoje também era dia de Yoga Nidra, o tal relaxamento profundo que me permitiu descansar e recuperar antes de me fazer ao caminho de volta.

Consegui fazer o caminho de volta para casa a bom ritmo, sem muitas dores ou mesmo nenhumas. Voltaram depois de parar. Mas não tão fortes como de manhã ou como ontem.

Dizem-me que o calor é o meu maior inimigo nesta coisa que me apanhou na curva. E estas dores e falta de força só podem vir daí. Não vejo outra explicação. E amanhã prevê-se, novamente, um dia muito quente. E eu tenho um compromisso marcado na vila para as 12h30, hora da torreira do Sol em que, no caminho até lá, escasseiam as sombras. Já sei que o ir até é fácil. O problema está sempre no regresso. Mas agora também já sei o que fazer para aliviar as pernas e combater as dores: Viparita Karani.

Comentei com o Pedro, o professor de Yoga, o resultado deste asana esta tarde. “Se ficaste 10 minutos, para a próxima ficas 15. E vais aumentando o tempo. Quanto mais tempo conseguires manter, melhor te faz.” Portanto, sim!, é de introduzir o Yoga no meu dia a dia devagarinho. Já há algum tempo que digo que duas aulas por semana já não me são suficientes, por isso nada melhor do que introduzir alguns asanas, mas sempre com a orientação do Pedro, claro.

E sei que o Yoga me vai ajudar. Não a melhorar, porque nesta coisa que me apanhou na curva não há melhoras, mas a manter o equilíbrio mental que necessito para trabalhar o equilíbrio físico que cada vez está pior… E enquanto não tiver acompanhamento adequado, então é que não melhoro mesmo. Se é que é possível melhorar de uma condição neuro-degenerativa…

Mas, pelo menos, hoje tive boas notícias da responsável da SPEM com quem falei ontem. Está um serviço de referência disponível para me ajudar, só falta chegar o papel da médica de família. A quem já expus a situação e de quem ainda não tive resposta, mas que sei que irá responder. Ao contrário do médico especialista que se mantém em silêncio desde Fevereiro sobre o meu processo…

Enfim. É esperar só mais um bocadinho. Mas, saber que tenho para onde me virar para pedir apoio e saber que há uma equipa de especialistas dispostos a tratarem de mim, não tem preço. A ver se isto desbloqueia de alguma forma. O que não pode acontecer é eu não ter qualquer acompanhamento do especialista. Existe agravamento de sintomatologia, existe um pedido de ponto de situação sem resposta, existe uma consulta marcada para daqui a três meses. E eu não posso esperar por Outubro para ter uma resposta que precisava ontem.

Vamos ver o dia de amanhã, como corre. Agora, e a esta hora que já é tão tarde, o mais urgente é ir descansar.

Mas é triste ver que as coisas só se mexem porque alguém conhece alguém que conhece alguém que está no sítio certo…

Enfim…é, mais uma vez, continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar. Não posso fazer muito mais.

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Dia estranho este. Sair de casa antes do calor em excesso para perceber que às 10h já não se aguentava o calor.

Ir à vila buscar o resultado de análises, beber um café na sombra da esplanada servida de um pouco de vento fresco. Ficar ali por um tempo a ganhar coragem para fazer o caminho de volta. O caminho para lá nem custou muito, mas o que custa sempre tanto é o regresso…

E o regresso foi penoso… Doloroso até. Os últimos 200 metros ainda não sei como foram feitos. As dores. A falta de força nas pernas. E o destino já ali à minha frente e eu sem conseguir alcançá-lo tão depressa como noutros tempos…

Chegar a casa, mudar de roupa, almoçar e uma dificuldade tremenda em deslocar-me do cadeirão para o sofá. Dores. Nas pernas. Nos joelhos. Resultado de uma caminhada de 2,810km. Que não é nada. Mas que, no meu caso, é imenso. E que me custa horrores arrastar a minha mãe para isto quando, antes disto, eu ia e vinha sozinha…

Receber entretanto uma mensagem de alguém que conhece alguém que conhece alguém que está no sítio certo para me ajudar: a SPEM. “Ela quer falar contigo, liga-lhe.” E liguei. E percebi que está ali alguém com o coração no sítio certo e que, para além disso, tem todas as ferramentas para me poder ajudar. Vamos começar aos poucos, devagar, mas já com tanta coisa que eu tenho que fazer para fazer valer os meus direitos decorrentes desta coisa que me apanhou na curva.

Agora é começar a organizar-me. E tenho mesmo que o fazer rapidamente. Amanhã é o último dia de tratamento deste ciclo de fisioterapia e depois terei que aguardar por uma vaga. Portanto, vou ter tempo para me organizar. Só preciso que o meu corpo corresponda e não ceda ao cansaço ou à fadiga e me permita fazer algo por mim, especialmente agora que tenho quem me dê a mão e me oriente…

Claro que, mais uma vez, queria deitar-me cedo. Claro que, mais uma vez, não vai acontecer. E a vontade de chorar não me larga…mas, para variar, não choro porque não consigo…

Preciso de colo, preciso de um abraço. Mas só os consigo ter à distância de um clique. E ainda bem que os tenho! Porque me fazem não desistir de mim mesmo sem saber. Já lhe disse isso. Tinha que o dizer. Por isso, agora que já é hora de enroscar e aninhar, vou só ali receber e sentir esse colo e esse abraço que tanta falta me fazem, que tão bem me fazem.

Amanhã? Logo se vê. Mas, dependendo de mim, será um dia bom. Porque é o que eu quero, é o que eu procuro, é o que eu preciso.

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Segunda feira é sinónimo de cansaço. Muito cansaço. De quê? De nada!

Dormir tarde e acordar cedo não ajuda, é um facto. Mas o dia resumiu-se a uma manhã na Fisioterapia que, já sei, é para continuar e uma passagem rápida pelo Centro de Saúde para deixar o relatório do Fisiatra e o pedido de prescrição de continuação dos tratamentos.

Depois, foi aguentar o calor e o Sol. O chapéu, claro, ficou em casa e não pode. O Sol e o calor, já sei, não me fazem bem nenhum. Muito pelo contrário…

A visão dupla que continua presente e, ao fim de duas semanas, ainda a ausência de resposta ao email enviado ao cuidado do Neurologista onde apenas peço um ponto de situação. Reenviei o email, reforcei o pedido de resposta, informei da persistência e agravamento dos sintomas. Ainda não tive resposta ao email, claro, mas tive um telefonema da administrativa do secretariado que me tem sempre recebido tão bem e que tem sido incansável, mesmo não podendo fazer muita coisa. Garantiu a recepção e encaminhamento do primeiro email, confirmou a recepção do email de hoje e assegurou que o mesmo será encaminhado para o médico e ainda impresso com indicação de “Muito Urgente“. E, tanto num como no outro, apenas peço um ponto de situação. Nada mais.

Referi a ansiedade gerada pela ausência de informação, o agravamento da depressão e a sensação de abandono relativamente ao processo de algo que me apanhou na curva e com a qual eu não sei lidar por total ausência de informação…

Vamos ver se desta vez consigo alguma resposta. E eu só quero saber o ponto de situação. Nada mais…

Estou cansada disto. Que, já sei, é um processo longo e demorado. Mas a ausência de informação não é benéfica para ninguém…

Claro que tinha prometido a mim mesma começar a deitar-me mais cedo esta semana. Já não vai acontecer, agora que passa das 23h45. Claro que tinha prometido a mim mesma começar os exercícios de Yoga em casa hoje. Não aconteceu. Claro que tinha prometido a mim mesma começar a fazer em casa os exercícios da Fisioterapia. Também não foi hoje que aconteceu. A falta de ânimo faz-me falhar comigo mesma. E não pode continuar…

Amanhã é dia de ir buscar resultados de análises. Amanhã é dia de estar muito calor. Amanhã vamos ver como se vão conjugar esses dois factores…

Por agora, dormir é preciso. Não posso continuar a ir para a cama tão tarde. Mas a minha cabeça está sempre numa constante luta que não me permite desligar mais cedo…

Amanhã? Logo se vê. Vou tentar sobreviver ao calor e não me esquecer do chapéu em casa quando sair. De resto, é o que tiver que ser. Mas, confesso, quero muito receber uma resposta aos meus emails. E só peço um ponto de situação…

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Domingo. Mais um dia. Menos um dia.

Menos um dia sem ti. Mais um dia contigo. À distância de um clique.

Até que um dia os meus cuddle buddies serão postos de lado. Porque a 211 vai-se impregnar na minha pele.

Um dia. Não sei quando. Não sei como. Não sei onde. Mas sei porquê. E não duvido que um dia.