Daily Archives: 01/06/2014

{escrever ou não escrever. escrever sempre}

Escrever é terapêutico. Por isso escrevo. De preferência à noite, quando são horas de dormir mas a cabeça está a mil.

Como ontem. Ou como hoje à tarde. Quando, com poucas horas de sono em cima, queria dormir e não podia.

E é a escrever com sono e a cabeça a mil que os filtros caem. E nada do que fica escrito faz sentido. Ou se calhar faz. Mas não faz. Nem tem que fazer. Talvez faça mais tarde, quando voltar a ler. Com a distância que o tempo nos traz sobre aquilo tudo porque passamos ou vivemos ou escrevemos ou sentimos ou queremos ou sonhamos ou nada disso, mas tudo.

Como tudo, nada tem que fazer sentido no imediato. Acabará por fazê-lo depois.

Como tudo o que foi escrito ontem. À noite. Depois de um dia com tanto e tão pouco e tanta coisa e nada e sempre muito, porque de pouco se faz muito.

E o que foi escrito à tarde é a sequência do que não me deixou dormir à noite. Porque a cabeça, essa, sempre a mil. Confusa. Ou nada confusa. Sei lá. Sei lá o que é isto. Sei lá o que vai aqui dentro. Sei que falo de bichos e borboletas e dessas coisas.

Mas não falo de sorrisos ao canto da boca. Pequeninos mas não tímidos, apenas escondidos porque sim, porque para já são para serem vistos apenas por quem têm que ser vistos. Ou apenas sentidos. Sentidos por mim. Porque me é importante, tanto, sorrir. Devagar. Sem pressas.

E sim, há sorrisos e bichos e borboletas. Mas apenas porque sim, porque gosto de estar cá. E a companhia, essa, em existindo é sempre boa. Porque não sendo boa não é companhia, não existe, não conta.

Continuemos em boa companhia, então =)

E sim, continuemos a escrever. Sempre.

{…e agora}

…e agora encostava, aninhava, enroscava. Pele com pele, pernas entrelaçadas, mão na mão, mão no cabelo, beijos no ombro. A entranharem-se no pescoço.
Olhos a pesar, sem pensar, só sentir.
Sonhar de olhos abertos, projectos de arco-íris e borboletas. Na barriga. Na barriga não, em todo o lado. Borboletas e bichos que crescem sem porquê, para quê. Mas sempre com os pés no chão, sempre sem flutuar.

Porque não quero que as borboletas me elevem a dois palmos do chão. Não quero a vertigem. Mas quero tudo isso na mesma. Os bichos, as borboletas, o flutuar, a vertigem.

Mas agora, agora encostava, aninhava, enroscava. Pele com pele, pernas entrelaçadas, mão na mão, mão no cabelo, beijos no ombro. Assim, só.

Do aqui e agora, sempre o aqui e agora

Daquela coisa de não ter tempo para perder tempo, do aqui e agora porque amanhã quem sabe, logo se vê. Da pele com pele, das surpresas, das mensagens trocadas, nunca perdidas. Do estar aqui porque sim, porque estou. Das visitas com pré-aviso e das outras que já chegaram.

Das conversas que são como as cerejas, ou isso são as palavras? São palavras que não dizem nada, mas dizem tanto e que significam menos ainda.

Mas são os actos. Sim, esses. Sem procura, mas de encontro num qualquer {des}encontro porque sim. Gosto de quem actua, de quem age. Gosto de agir e é só para isso que tenho tempo agora. Porque, já o disse, não tenho tempo para perder tempo e agir é viver, é o aqui e agora.

E sim, estou a gostar. E a achar piada. Não daquela de fazer rir, da outra mais importante, de fazer sorrir.

Aqui. Agora. Porque amanhã não sei, não sabemos. Não quero saber. Quero, primeiro, lá chegar. E então amanhã, em chegando, é um novo aqui, um novo agora. E aí, aí se vê e aí se age e aí se está e aí se sabe o que é estar aí.

Dêem-me, dá-me, {mais} um copo de vinho. Tinto. Aqui e agora. Tão só isso.