Quando 8 do 8 são 9 {arquive-se para memória futura IV}

Impaciente. Intolerante. Impossível de aturar. Incapaz de suportar o mínimo de barulho, seja ele o da rua ou o das conversas das mesas do lado.
Parcialmente neurótica, à beira do irracional.

Vontade de gritar e ao mesmo tempo de não emitir um som que seja.
Vontade de desaparecer para parte incerta, sem data ou prazo de regresso. Ou simplesmente fechar-me em casa, sem televisão, sem telefone a tocar, sem ter que responder a perguntas sobre se “já” estou melhor. Apenas aceito no meu telefone e respondo sempre às mensagens de um único remetente. De resto, a vontade é bloquear todos os números, é desligar o fixo e simplesmente cortar com o mundo.

Apetece-me vomitar palavras escritas à velocidade que me passarem pelos dedos. Fazendo sentido ou não, mas sentidas todas elas.

Faz-me falta o meu blog para isso mesmo. Porque é lá que essas palavras pertencem. É lá que tenho que depositar o vazio que trago cá dentro. Mas o blog tarda em voltar, por isso vomito aqui. Porque tenho que o fazer, porque sufoco nas palavras que tentam sair para algum lado.

Pouco me importa quem lê ou quem não lê. Não é para os outros, é para mim. É para um dia reler e perceber que os piores dias já passaram. E nessa altura vou perceber que, afinal, “já” estou melhor.

Por agora? Deixem-me estar. Assim. Doída. E a debitar palavras que me engasgam.

{comentários}

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