Bolas de Sabão

Gosto de bolas de sabão. Desde sempre. Mas hoje vejo as bolas de sabão com outros olhos. São outras bolas de sabão.

São bonitas. São perfeitas. Têm cor, tanta cor. São leves e voam. Voam para onde o vento as leva. Deixam-se levar, sem receios do rumo que o vento lhes sopra. Sem receio dos obstáculos que lhes são fatais. E vão. E voam. E permitem-se ser assim, leves. Leves mesmo que nunca vazias, porque as bolas de sabão, ao contrário do que parecem, não são, não estão vazias. Todas elas por dentro são ar. Ar que se respira, ar de palavras, ar de beijos, ar de experiências, ar de memórias. E as memórias, essas, podem ser tão pesadas. Mas ainda assim as bolas de sabão permitem-se ser leves, por muito pesado que seja o ar que as enche, as memórias que as preenchem.

São, também, efémeras. Duram pouco, muito pouco. Tão pouco que por vezes quase não chegam a ser bolas de sabão. Mas enquanto duram, enquanto o são, são bolas de sabão cheias de cor, cheias de sonhos levados por um vento que lhes traça o destino. Enquanto duram, fazem, fazem-me, sorrir. E fazem-me sorrir mesmo depois de deixarem de ser bolas de sabão. Porque se transformam em memórias daquelas que provocam sorrisos.

As bolas de sabão, por serem leves, são capazes de provocar sorrisos e arrepios. Como aqueles provocados pelos dedos a tocar a pele ao de leve. Os sorrisos e os arrepios. As bolas de sabão são capazes de nos fazer querer parar o tempo para que durem mais tempo. Para que os sorrisos e os arrepios se mantenham mais tempo presentes e não apenas memórias.

As bolas de sabão? As bolas de sabão são o momento. São o aqui e agora. São o que são enquanto duram: bonitas, perfeitas, cheias de cor e voadoras. E o aqui e agora é, não sempre, mas é, bolas de sabão.

E há dias em que lhes sinto a falta, das bolas de sabão. E dos sorrisos. E dos arrepios.

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