Daily Archives: 23/09/2014

#day36

Mabon. Ou Equinócio de Outono. O momento em que o dia e a noite se equilibram.

Festa das colheitas. Agradecer ao Deus Sol, à Deusa-mãe Lua.

Gosto de Equinócios como gosto de Solstícios. São ciclos que se fecham, outros que iniciam. E sou grata por cada um.

Ou então é só o primeiro dia de {mais um} Outono.

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Luz de Presença

A noite. As minhas noites. É quando as luzes se apagam e o silêncio envolve a cidade adormecida que os meus demónios e os meus fantasmas se mostram. Presentes, sempre. Mas especialmente visíveis e audíveis à noite.

Não são fantasmas ectoplasmas, nem demónios de chifres e caudas pontiagudas. São piores. Porque não são fantasias nem folclores. São meus, são reais, mesmo que não sejam visíveis a olhares externos, nem audíveis por outros.

Caminham comigo, todos os dias, lado a lado. Consigo por vezes silenciá-los, porque como fantasmas e demónios que são, temem a luz do Sol e deixam-se ficar mais ou menos quietos. Nunca completamente parados, mas pelo menos mais quietos, sossegados. Mas à noite, à noite  acordam e soltam-se e fazem-se presentes. Gritam-me aos ouvidos, abanam-me para que não adormeça. Estão lá sempre. A rir. A apontar os meus erros. Os meus defeitos. Que conheço todos. Os erros e os defeitos. Ou a grande maioria, pelo menos. De ambos.

E com os gritos destes fantasmas e destes demónios as minhas noites não são feitas para dormir. São para ficar acordada a tentar domá-los, a tentar, pelo menos, silenciá-los. Porque se adormeço, quando adormeço, invadem-me os sonhos e mesmo aí se fazem presentes.

Para isso preciso de luz. De uma luz de presença. Já que o som de presença não existe, já não existe, falta-me a luz de presença. Que me recorde que é com a luz que os meus fantasmas e os meus demónios se acalmam, sossegam. Por isso procuro pirilampos para me acompanharem. Porque os pirilampos dão-me luz, dão um ponto de foco, dão-me uma referência para onde fugir quando os gritos dos meus fantasmas e demónios se tornam ensurdecedores.

A luz de presença dos pirilampos mostra-me o caminho quando estou perdida e relembra-me que com a luz do Sol tudo fica mais calmo. Mas está-me a faltar essa luz. Para poder focar-me nela e tentar desligar do resto. Tentar esquecer-me dos meus fantasmas e dos meus demónios. Que todas as noites estão lá, ao meu lado, activos, a abanarem-me e a gritar aos meus ouvidos.

……e eu não consigo, pelo menos, silenciá-los……

E os meus gritos por socorro, esses, ninguém os ouve. Por isso preciso, muito, tanto, de uma luz de presença que me recorde que a noite são só umas horas que passam a correr. Mesmo que para mim consiga ter o peso de uma eternidade.

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