Da vulnerabilidade da mente num corpo exausto

Num corpo dorido do peso dos dias que começam ainda de noite, atravessam a manhã ainda a correr, sobrevoam a tarde e terminam com o brilho da Lua que marca presença sempre.

Num corpo que pede descanso, a mente solta-se, liberta-se de filtros e vagueia em ideias recorrentes de reciprocidade. De afectos. De sorrisos escondidos ao canto da boca. Não. Escondidos não. Assumidos. Como o brilho nos olhos que se detecta à distância e não precisa de legendas. A tradução é óbvia. É clara. E é simples.

E é nessa vulnerabilidade da mente que o corpo exausto procura o corpo conhecido onde encaixar. Pernas que procuram pernas para se enrolarem. Dedos que procuram dedos para se entrelaçarem. Olhos que procuram olhos para devolver o brilho dos sorrisos. Dos sorrisos assumidos, pintados de beijos que são sopro de vida.

E com essa vulnerabilidade da mente num corpo exausto é deixar-me levar sem pressas porque o tempo não tem pressa nem tem tempo para se perder. E é ficar assim, quieta, a viver o momento, em silêncio porque as palavras são dispensáveis quando os olhos já disseram tudo e o sorriso denunciou o que assume.

É simplesmente deixar-me ficar com dedos a enrolar o cabelo, a arrepiar a nuca. Sem mais que não seja tudo.

E é viver nessa bola de sabão até ao próximo nascer do Sol, mesmo que o Sol apague a Lua.

Porque nessa vulnerabilidade da mente num corpo exausto, sem filtros, sem freios, sem receios, nada mais importa que não seja tudo. E tudo, sendo tanto, pode ser tão pouco como uma bola de sabão ou o nascer do Sol. E eu quero o nascer do Sol.

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