Ouvido por aí

“O Amor são duas solidões que se encontram”

e

“O passado já ficou lá atrás, só podes garantir o futuro”

Erros tão grandes, em duas frases que podiam ser bonitas. Ou só bonitas. Mas erradas. Porque o Amor, esse, se construído na base de duas solidões que se encontram tem a mesma resistência que castelos de areia moldados a copos de vinho ou chávenas de café. Porque duas solidões que se encontram, mesmo que deixem de olhar para o que ficou lá atrás, moldando os castelos que se querem fortalezas que resistem ao tempo, apenas conseguem alcançar o que já foi e o que ainda não é. E carregam em si areia, amontoando sobre si mesmas, as solidões, mais areia ainda.

Não importa se moldar a areia em copos de vinho ou chávenas de café tem um efeito bonito. Porque a areia é temporária quando apenas se tenta olhar para o que ainda não veio. Para o que ninguém garante que venha. O futuro.

Duas solidões que se encontram serão sempre isso mesmo: duas solidões. Daí só nascerá Amor quando ambas deixarem de existir e passarem a ser outra coisa que não solidão. Porque na solidão não há a ocupação do Amor. E por muito que duas solidões se encontrem falta preencher, em ambas, essa ocupação que não existe.

E essa ocupação pode ser preenchida com areia. Mas olhando sempre a única coisa que é garantida: o aqui e agora. E sim, pode ser areia moldada a copos de vinho ou chávenas de café. Mas precisa também de tantos outros materiais. Que chegam sempre com o aqui e agora e fortalecem esse castelo que se quer de todas as cores, de todos os formatos, com toda a força do Amor.

Não. O Amor não são duas solidões que se encontram. O que podemos garantir não é o futuro porque amanhã quem sabe. Não. O Amor não é nada disto. Mas é, também, a areia que se molda e fortalece no aqui e agora.

 

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