Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac…

E de repente percebo que o tempo passa. Passou. Continua a passar. Sem pedir autorização, licença ou qualquer outra coisa. Passa, apenas. Mesmo sem que dê por ele, passa e leva lá para longe o que já foi, o que já não é, o que nunca chegou a ser, o que agora é e pode continuar a ser. Haja tempo e dê o tempo tempo ao tempo.

Nunca percebi porque gosto tanto de relógios. Talvez porque me relembram que as 23 horas e 44 minutos de hoje não sejam, nunca, porque nunca poderiam ser, iguais às 23 horas e 44 minutos de ontem, e nunca serão, porque nunca poderão ser, iguais às 23 horas e 44 minutos de amanhã. Essas que nem sequer sabemos se irão chegar. Essas que, em chegando, serão tão diferentes das de hoje. Porque o tempo passa e não pode ser outra coisa que não preenchido de coisas novas. Boas, menos boas, más, não-más, o que for. Acho que é isso, acho que é isso que me faz gostar de relógios, saber que nunca nada é igual, nem foi nem será.

Diz o tempo que o tempo passa porque tem que passar. Porque, diz o tempo, quando o tempo deixar de passar nada acontece, nada está a acontecer nem voltará a acontecer. Seja esse nada o que for, seja um nada ou seja um tudo.

É a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia. É a cada momento que páro e penso “é agora”. E é aqui. Não é ali num qualquer lugar que pode nem existir porque posso nunca lá chegar, sequer. É aqui. E, claro, é agora.

E é tudo tão confuso quando é tudo tão simples. Tão simplesmente confuso, ou tão confusamente simples. Nem sei. Sei lá. Não importa. O que importa é o que escolho agora. E o que escolho agora é o que me faz bem. Embora o agora-agora não seja tão exactamente aquilo que escolhi, mas é. Porque podia ter escolhido o oposto e o agora-agora não existiria, seria apenas um qualquer outro agora. Não sei se um outro agora melhor do que o agora-agora. Nem sei se pior. Sei apenas que diferente do agora-agora. E o agora-agora é bom. Ou melhor, o agora. O que é hoje. O que quero que continue a ser daqui a 10 minutos. O que quero que continue a ser amanhã. O que quero que continue a ser, um dia de cada vez.

Sim. O tempo passa. Tão depressa e tão devagar ao mesmo tempo, tão cheio de nada e tão vazio de tudo. Ou é ao contrário? Tão cheio de tudo e tão vazio de nada. Só sei que é tão tão. Tão cheio. Tão vazio. Apenas tão. Tanto. Raio do tempo! Passa tão depressa porquê? E tão devagar porquê?

Espera tempo. Espera. Deixa-me aproveitar-te. A cada minuto. Porque não quero perder nem um segundo de agora. Já te disse que o agora é bom? É esse agora que quero manter. Mas não. Não posso pedir-te que esperes, pois não? Porque tu passas, tempo, sem pedires licença, sem pedires autorização, sem pedires nada. Mas, ao mesmo tempo, esperas tanto em troca da tua passagem. E é isso que quero dar-te. Tanto. Com tempo.

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