Monthly Archives: November 2014

#day85

Todo o santo dia nisto. Assim.
Ela a dormir enrolada na manta. Eu também enrolada na manta, mas nem por isso a dormir.
Com a cabeça a mil, cheia de ideias e projectos. E intenções. Porque planos deixei de fazer. Assim, tudo o que vier é bem vindo.

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#day84

Porque mesmo nos dias cinzentos aparece o arco-íris.

E não, não me apetece falar do cinzento. Prefiro lembrar o arco-íris que trago comigo.1457530_10152596919523800_4541571035206655109_n

#day83

Hoje, um ano.

Hoje, dia de homenagear.

Hoje, dia de recordar a vulnerabilidade, a fragilidade dos dias.

Hoje, acreditar sempre.

Hoje, agarrar com força o aqui e agora.

Porque amanhã quem nos garante sequer que chega…?
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365 dias, Alexandre

Parece que foi ontem, ao mesmo tempo parece que já foi há uma vida inteira. Mas ainda só passaram 365 dias. Ou já passaram 365 dias. Ainda não sei bem se é só ou se é já.

Não me lembro do último dia do ciclo de 365 dias que antecedeu este ciclo que termina hoje. Foi, muito provavelmente, uma sexta feira igual às outras, sem novidades, sem acontecimentos, sem nada para relatar. Mas lembro-me, tão bem, da noite. As minhas noites, que nunca são boas, por vezes parecem alertas. E essa noite, lembro-me tão bem, foi estranha. Passada em branco até ser de manhã. Inquieta com alguma coisa que nunca soube explicar, que ainda hoje não sei explicar. E recordo-me de pensar “mas que raio…eu estou bem, porque é que não consigo dormir? Que agitação é esta que tenho cá dentro?”.

Lembro-me de pensar nisto, e naquele sonho que tive umas semanas antes que me recuso a relatar novamente. E lembro-me também de outro pensamento que me assaltou uns dias antes e que não, não quero repetir nem recordar.

Que noite estranha aquela. Senti-a assim. Mas não imaginava que, à hora em que finalmente adormeci, já de dia, já manhã feita, tu já cá não estavas connosco. E tinha começado, poucas horas antes, o maior pesadelo dos teus pais e da tua irmã.

Nunca mais nada foi como era antes, Alexandre. E como poderia sê-lo? Não bastava tu já cá não estares. Tinhas que ter sido roubado de nós da forma atroz que todos sabemos. Porque, sempre o disse e tu sabes, Alexandre, o meu primeiro pensamento quando soube que já não te tínhamos foi que tinhas tido um acidente numa qualquer curva daquela estrada que eu detesto. Seria a única coisa lógica para a tua partida. E seria tão mais fácil de aceitar e encaixar.

Quando, finalmente, soube a razão de já não estares connosco, não entendi. Ainda hoje não entendo. Digo que sim, que já encaixo. Talvez. Mas continuo sem entender.

Sabes, sinto a tua falta. E sinto, também, a falta dos teus pais e da tua irmã que nunca mais foram, e dificilmente voltarão a ser, os mesmos que eram até ao 365º dia do ciclo anterior a este. Nenhum de nós voltará a ser. Mas eles menos ainda. E tenho saudades de todos. De quando os dias eram mais fáceis, independentemente dos problemas normais que se cruzam connosco. De quando via o teu pai rir e sorrir espontaneamente sem aquela tristeza no olhar. De quando a tua mãe era mais fácil de acarinhar, apesar daquela armadura que sempre teve. Hoje, a armadura que veste é muito mais impenetrável e por vezes mesmo intransponível ao ponto de não lhe conseguir chegar lá dentro, onde importa. E a tua irmã, a tua irmã continua sozinha, sem ti, e é outra pessoa que já não conheço, não reconheço.

Mas quero que saibas, Alexandre, que apesar de vos ter perdido a todos, de formas diferentes daquela que te levou de nós, os teus pais e a tua irmã continuam comigo. Ou melhor, eu continuo com eles. E lamento apenas a impotência que sinto, que vivo, por não poder tornar os dias deles mais fáceis. Ou apenas menos difíceis.

Os últimos 365 dias tiveram altos e baixos. E os baixos bastante baixos, como sabes. E eles estiveram sempre lá para mim. E fizeram com que esses meus dias muito maus fossem um pouco mais fáceis. Souberam como fazê-lo. Mas eu, Alexandre, não sei como melhorar os dias deles. E  gostava tanto que me dissesses como…

{sim, já me mentalizei que o portão não se vai abrir para tu entrares. Já consegui encaixar que não voltas. Já consegui fechar um ciclo de tantos ciclos. Já falo de ti em paz. Ou, pelo menos, mais tranquila. Mas não é por isso que me fazes menos falta. Que NOS fazes menos falta.}

365 dias que se encerram hoje.

Um ano amanhã. Já. Ainda. O que for.

Parece que foi ontem. Parece que foi há uma vida.

#day82

Pegar no telefone e ligar para ele.
Ele atende com aquele tom de voz meigo a que já me habituou.
Pergunta quem é. Digo-lhe olá chamando-o por aquele nome que só eu chamo.

E oiço, do outro lado, uma resposta com um sorriso anunciando a quem está por perto: “É A TIA CATARINA KOOKA!”

{e logo depois vem o outro microhomenzinho da minha vida, chama tiiiiia, diz olá, já conversa, diz que está bom mas não está a brincar. E manda beijinhos, muitos, tantos, todos. E diz “xau” e volta a encher o telefone de beijinhos.}

São estes dois, o mini e o micro, os homens da minha vida. Que à distância de um telefonema enchem de cor um dia de chuva ♥1466200_10152591798068800_5514417282082365859_n

#day81

Se tenho medo dos dias cinzentos e escuros? Claro que sim.
Mas enquanto houver cor no aqui e agora é na cor que me foco. Aqui. Agora.

Amanhã? Logo se vê.

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#day80

Finalmente ter força para sair de casa para beber um café. Sair porque me apetece e não porque tenho que ir aqui ou ali.

Sim, estas pequeninas coisas contam. E tanto.

E o telefone que toca todos os dias. Conta tanto. E é tão bom ♥

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#day79

Dos efeitos do Outono: dia de ronha. A 2. A minha gata e eu.

Ainda a curar a constipação, com um sono do tamanho do mundo.

Mas, e o mais importante, têm sido mais os dias bons que os menos bons. E é isso que conta.

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#day78

Os meus melhores amigos do momento.
Lado positivo da constipação: dá para pôr o sono em dia 🙂10687135_10152584574803800_7646178910359032757_n

#day77

Inaugurou hoje a exposição Arte e Criatividade na Oficina da Cultura em Almada.
Exposição de trabalhos de pessoas portadoras de deficiência e/ou necessidades educativas especiais.
Dia de inauguração é, também, dia de entrega dos respectivos prémios e de conhecer os autores das 109 fantásticas obras apresentadas a concurso.

Estas pessoas são, de facto, especiais. Não pelas necessidades, não pela deficiência. Mas por serem genuínas. Por terem orgulho, tanto, nos trabalhos que criaram. Onde transmitem tanto do que trazem “cá dentro”.
E vê-los vibrar quando outros que não eles são chamados para receberem um prémio mostra-nos que os outros, os ditos “normais”, numa grande maioria já se esqueceram do que é ficar feliz pelas conquistas dos outros.

Aconselho, tanto, a visita à exposição até ao próximo domingo. A entrada é gratuita.
Faço questão de lá voltar, agora sem a “farda” de júri que é sempre ingrata mas que muito me honrou e gratificou ♥ e que hoje, conhecendo aquelas pessoas, me deixou de coração aconchegado.
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#day76

Cansada. Muito. Tanto.
Dores nos pés. Nas pernas. Por todo o lado. Resultado de um fim de semana longo, pesado, intenso. Intenso de trabalho, intenso de emoções, intenso de partilhas, intenso de conversas. A dois.

Saber que {ainda} vou do sorriso às lágrimas em poucos, tão poucos, segundos. Mas sentir, e saber, que apesar das lágrimas serem só minhas, do outro lado há quem me permita chorar e falar. Dizer o que nunca disse a ninguém. E poder fazê-lo com a certeza de um abraço. Que me acolhe. Que me aconchega.
Um pedido que faço de lágrimas nos olhos. Um desejo que me confessam ao ouvido mesmo sabendo que ainda me dói, mas um desejo sentido, sincero, verdadeiro, honesto. Que mesmo no meio das lágrimas me soube tão bem. Tanto.
Uma pergunta, hoje, a que me recusei responder em voz alta. Que pedi que não me perguntassem para que as lágrimas não voltassem. Mas a resposta, dada a mim mesma por mim mesma, depois do desejo confessado ontem ao ouvido, a resposta que jurei a mim mesma que não iria dar, mas dei.

As lágrimas surgem. Facilmente. Mas não. Não é momento de lágrimas. Não é tempo de lágrimas. É, isso sim, o oposto. É tempo de sorrisos. Daqueles no olhar, daqueles ao canto da boca, daqueles na voz.

Sorrisos de várias cores e sabores. Sorrisos em sintonia. Sorrisos em conversas. Sorrisos em silêncio.

Não são sorrisos de castelos na areia. São, sim, sorrisos de raízes que se encontram, se cruzam, se entrelaçam e projectam pontes.

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#day75

Dos dias que passam, a correr ou em calmaria:

– como assim, já estamos no mês 11, mês cujo nome aprendi a recusar por rimar com aquilo que ninguém quer viver? Tal como o mês 7, que mesmo sendo 7 o meu número de eleição passou a ter outro peso no calendário e que faço por não pensar. {e lembro sempre das palavras de Kot Kotecki: “respira. Não pensa. Não pensa, não dói.”}

– dói na mesma, não pensando. Tanto o 7 como o 11. O 11 “resolvido” cá dentro, aceite. O 7 longe, tão longe disso. Mas perto, tão perto, tão demasiado perto dos olhos molhados de lágrimas não aceites, não resolvidas.

– ao mesmo tempo, o regresso ao aqui e agora. A um novo aqui, um novo agora. Que me aconchega. Que me acarinha. Que me acalenta. Que me sorri e faz sorrir também. Sorrisos que aconchegam, que abraçam, que dizem tudo sem ser preciso dizer mais nada.

– conversas que duram horas, que parecem segundos, que se encontram de surpresa e ao mesmo tempo sem surpresas porque é mesmo assim, porque há coisas que não se explicam, simplesmente acontecem. Simplesmente se sentem.

– é, outra vez, o aqui e agora. Em progresso. Em processo. Porque é só isso que importa, porque amanhã pode ser tarde. Tão demasiado tarde. Que se lixe o amanhã. É aqui. É agora.

E sim, são dias que passam a correr. Que passam em calmaria. Que, precisamente por passarem, os agarro para que não me fujam.

E, para quem não sabe, o comboio sempre foi o meu meio de transporte favorito, desde sempre ♥

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