#day192

Do dia de hoje? Nada e tanta coisa. Cabeça num turbilhão e sem tolerância para o caos que Lisboa pode ser. Querer despachar-me para atravessar a cidade dos arrabaldes até à baixa e encontrar estradas cortadas com obras, o trânsito infernal das 17h, os condutores que, certamente, têm as lâmpadas dos piscas fundidas. Ou um código da estrada exclusivo para eles. Ou ambas.
E a cabeça sempre a mil depois daqueles 50 minutos quinzenais que nunca começam à hora marcada mas que terminam sempre à hora certa e que, sinto-o, já não me ajudam tanto como deveriam. Como era suposto. Como eu gostaria. Ou…

Cabeça a mil no caos do trânsito de Lisboa. Ir do Campo das Cebolas até Santa Apolónia atrás de uma carripana que nas rectas não dava mais de 40 e na subida atingiu uns maravilhosos 20km/hora. Sem conseguir ultrapassar porque quem vinha atrás tinha pressa e não havia como escapar.
Conseguir finalmente fugir dali. Para mais ou menos 1 km mais à frente, no Poço do Bispo, encontrar um camião que tive que acompanhar até ao final do IC2. Porque, lá está, havia mais quem tivesse pressa e ultrapassar e fugir daquilo era tarefa impossível.
E a cabeça a mil. A dez mil. A cem mi! A vontade de encostar mesmo ali, largar o carro e simplesmente fugir para parte incerta. Porque ter a cabeça a mil não ajuda.

Chegar ao destino exausta. Não fisicamente mas com a cabeça completamente esgotada. A vontade de me sentar à mesa do café, deixar cair a cabeça nos braços e chorar porque a cabeça está exausta, esgotada.

Não gosto de andar a correr de um lado para o outro. E neste momento não só não gosto como não tenho capacidade para. Não depois daqueles 50 minutos quinzenais, sempre mal medidos e de que já pouco me adiantam. Quando tudo o que quero quando saio de lá é parar. Parar para respirar. Para me reencontrar. Para me recentrar.

Mas terminar o dia com material reposto sabe bem. Mesmo que para isso tenha que atravessar o caos de Lisboa dos arrabaldes à baixa com ruas cortadas. Distribuir cor num dia cinzento. Sabe bem. Faz-me bem. Mesmo que esgote fazer vários, muitos kilómetros atrás de carripanas e camiões.

Tudo para proporcionar à minha Mãe um jantar especial em família e ainda trazer comigo o sorriso de felicidade do meu Um, do meu Miguel, do meu Minhoca. E as brincadeiras a dois. A todos. Os abraços. Os beijos. Os “gosto de ti” ditos por mim e os “oh, eu já sei” dele.

Olhando para trás? Dia de contrastes. O cinzento e as cores. Os arrabaldes e a baixa. O vazio e o cheio. E, a esta hora, ainda a cabeça a mil.

Mais um dia. Dos menos maus, apesar de tudo. Cansativo. Esgotante. Mas, ainda assim, menos mau. Por causa da cor. Das cores. De vários tipos num dia cinzento.
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