#day217

Sempre que, na escola, no teatro ou acções de formação, me diziam para escolher um animal para interpretar, perguntava sempre “não posso antes ser uma árvore?”. Só no teatro me deixaram ser uma árvore e sentir as raízes a afundarem-se na terra enquanto o tronco e os ramos resistiam ao exterior.
E, ao mesmo tempo que resistiam, cresciam mais fortes. Vergando tantas vezes à força dos vendavais, mas nunca quebrando completamente.

Ser árvore. Receber a energia da terra através das raízes, crescer em direcção ao Sol. Lutar contra ventos e tempestades para me manter inteira. E cada vez mais forte.

Observar o que me rodeia. Reter histórias. Aconchegar na minha sombra.
Albergar pássaros que voam nas asas dos sonhos. Acolher criaturas que não se vêem mas que estão lá, carregadas de sabedoria.

Ser árvore. Ser fonte de vida, de vidas, tantas. Ser presente, sempre. Mesmo quando, de tanto estar presente, já não se dê pela presença.

Hoje, cada vez mais, ser árvore faz{-me} todo o sentido. Porque tantas vezes é isso mesmo que sou: uma árvore.SavedPicture-2015323224351.jpg

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