Monthly Archives: May 2015

#day266

O que é que a Arruda dos Vinhos e Foros da Catrapona têm em comum?
Nada que não eu própria.

{hoje é um bom dia para começar uma espécie de Volta ao Mundo em 80 dias…}11205588_10153017928158800_5783472181961772807_n

#day265

Dia de encontros e reencontros.
Mestres e discípulos. Guias de caminhos.
Viagens em estado alfa.

Dia de sol e calor. Muito de ambos.

Um dia azul, portanto =)

E eu, mais uma vez, agradeço ♥10420307_10153016169613800_1495927701110638214_n

#day264

Hoje bateu-me a saudade. Saudade de uma coisa tão simples como um fim de semana digno desse nome.
Um fim de semana sem horários, sem trabalho, sem pressões nem preocupações, sem rotinas.
Bateu-me a saudade de ficar na ronha, de ficar a vegetar no sofá a ver televisão ou a dormir a sesta ou a ler ou simplesmente a conversar.

Diz que o último fim de semana digno desse nome aconteceu em Novembro. Já vai para seis meses.

E agora a pergunta que se impõe: para quando um fim de semana digno desse nome?

Se não for por mais nada, que seja para dar descanso às minhas costas, que doem e desesperam por descanso.

Por outro lado, e apesar de estar a coser há mais de 6 horas, faço o gosto e não me queixo ♥ {mas também mereço um fim de semana digno desse nome}11209628_10153014314828800_3715398131571514578_n

#day262

Em modo “música alta, cantarolar alto e dançaricar a conduzir”. Sem motivo em particular, apenas porque sim e porque também e porque sabe bem e faz bem.

E porque os dias são azuis e refletem todas as cores ♥11193352_10153010574208800_8305389296764326026_n

#day261

Os cemitérios são locais estranhos. Ou melhor, não são estranhos, mas parecem.
São uma espécie de museu, onde são depositadas memórias. Porque o que lá se deixa, o que lá se deposita, não passa disso mesmo: memórias.
Dos que foram, dos que partiram à nossa frente, é só isso que fica.

Porque quando entregamos alguém a um cemitério entregamos apenas o que é palpável, físico. Que se desfaz com o tempo, que também ele deixa de existir.
A outra parte, aquela que não é visível, não é palpável, a mais importante, já lá não está. Já não pertence ao plano físico.

Restam, então, as memórias. E as presenças na ausência.

Hoje fiz as pazes com os cemitérios.
E percebi que é possível sentir-me em paz ali.

Percebi hoje o que é aquilo que sempre senti num cemitério. Uma paz difícil de explicar. E ao mesmo tempo uma espécie de inquietação que não sei, ainda, explicar. Mas que está lá. Como um sussurro.

Quantas histórias conta um cemitério? Quanta História está depositada num cemitério?

Dei por mim hoje em paz num cemitério e a sentir novamente aquela paz estranha e aquela inquietação. E a recordar-me de, na infância, passar horas a brincar no cemitério ao lado dos escuteiros. A visitar o túmulo da minha tia-bisavó, que Portugal conheceu mas eu não. De ficar ali, a apanhar pedrinhas e flores. De me sentar na beira da pedra tumular como se estivéssemos a conversar, eu e a minha tia-bisavó.

Fazia o mesmo noutros túmulos que me eram desconhecidos. Mas que de alguma forma pareciam chamar-me.

Percebo, agora, que era para mim algo perfeitamente natural e normal brincar no cemitério e ficar à conversa com os túmulos e jazigos e campas, mesmo sem emitir um som. E percebi também que, ao crescer, essa naturalidade se perdeu. Por se ter perdido a inocência ganhando em perdas que nem sempre se entendem como partidas, fins de ciclos.

Percebo agora que encaro os cemitérios de forma mais pacífica do que até há bem pouco tempo. Porque voltei a sentir o que sentia na infância. Porque voltei a conversar, a ouvir, a sentir. As histórias e a História que os jazigos de hoje partilharam comigo. Alguns com 160 anos de História e histórias.

Não, não enlouqueci para falar de cemitérios. Não enlouqueci para dizer que converso com campas, túmulos ou jazigos. São, apenas, coisas minhas. Metáforas ou não. Mas que apenas têm que fazer sentido para mim.

E saí de lá em paz, como entrei. Leve. Muito leve.

E pela primeira vez tudo se encaixou e fez sentido.
E voltei a ter 7 anos, altura em que saltaricava pelo cemitério e apanhava pedrinhas e cantarolava baixinho.

Não, não enlouqueci. Mas também nunca escondi que não sou muito normal =) e é tão bom não o ser ♥11036898_10153008871453800_6098891820320015968_n

#day260

Mensagens bonitas via redes sociais.

Jogos de tabuleiro depois do jantar.

Uma Lua linda a nascer, majestosa, por cima do rio.

Sou uma sortuda, é o que é ♥11150776_10153007228578800_6940879476664272463_n

{como desestabilizar em menos de nada}

O dia inteiro a fazer de conta que a data não é importante. Que não é minha. Que não me é, simplesmente. Porque não é.
No meio de uma converseta de parvoeira de fim de feira, de brincadeira, receber como resposta “tu ainda não és mãe. Se um dia fores…”

………respirar fundo, morder o lábio, tentar aliviar o nó na garganta, secar os olhos que de repente ficaram húmidos com a violência do murro no estômago.

Não, ainda não sou mãe. Ou sou não sendo. Ou fui. Não sei.

Sei que não pensei noutra coisa o dia inteiro. Sei que fiz por esquecer. Sei que fiz por não lembrar.

Sei, também, que foi uma resposta inocente. E que, no contexto, fez sentido.

Mas bolas…os murros no estômago doem, cortam o ar, apertam a garganta e humedecem os olhos e fazem o queixo tremer………SavedPicture-201553233012.jpg

#day257

Ir ao Jardim da Estrela no primeiro fim de semana de cada mês é mais do que apenas “ir vender para a feira”. Muito mais.

É lidar com o mau feitio do vizinho do lado que de mau não tem nada. É desde as 7 da manhã lidar com as provocações do vizinho e responder à altura e à letra. E a cada nova provocação rir de doer a barriga. E provocar de volta. Porque enquanto um diz “Mata!” já o outro foi e esfolou!

É ter uma afilhada que é uma espécie de segunda mãe. Diz ela que também tem mau feitio, tal como o filho que também é o vizinho do lado que mata e esfola e provoca e faz rir e ri também. Ele e ela, a mãe, a minha afilhada que é um bocadinho mãe de todos.

É alguém dizer “dão chuva para amanhã” e poder responder “já devias saber que ninguém dá nada a ninguém! Por isso não há chuva!”. Ou então ouvir “vai chover” e ouvir como resposta “vai tu, mal educado”…

É falar de coisas sérias quando é de falar de coisas sérias. Mas acima de tudo é rir de doer a barriga, de ir às lágrimas ou de pedir que párem de nos fazer rir ou temos que pôr a bomba da asma.

É amizade. Companheirismo. Respeito mútuo. Uma espécie de família. A Família Estrela. Que só quem faz parte desde o início entende.

E se ir a Mafra a casa dos meus tios é ir à terra visitar a família, ir ao Jardim da Estrela é uma reunião de família, mensal, que me faz ligar à Terra.10985436_10153000991388800_2705970842075895601_n

#day256

Há sempre uma primeira vez para tudo, dizem. E hoje houve. E mexeu cá dentro novamente. Mas não vou permitir que vá mais longe.

Voltemos ao aqui e agora. E às coisas pequeninas que me fazem sorrir.

Duzentos e cinquenta e seis depois de dezanove depois de quarenta e dois. Tanto tempo que parece tão pouco que parece uma eternidade.

Aqui e agora! Porque eu sou mais, eu posso mais. Estabilidade em mim. Para mim. Por mim.11193388_10152998550903800_2674753317456922694_n