#day287

De volta a casa. A minha casa. À minha casa. Depois de três semanas ora em casa do meu irmão ora na casa cor de rosa que não é minha mas que sabe um bocadinho a “podia ser”. Mas não é.

De volta a casa e o telefone todos os dias a tocar a perguntar “quando é que voltas” à casa cor de rosa. E a minha vontade é ir. Sempre. Sem olhar para trás.
Mas três semanas fora de casa, de minha casa, da minha casa, significam três semanas sem trabalhar, sem pegar nos tecidos, nas agulhas, nas linhas, nas tesouras, na máquina de costura. E daqui a poucos dias é dia de montar a banca novamente e é preciso trabalhar. Mas a vontade, a minha, mas que (percebo) não é só minha, é voltar à casa cor de rosa que não é minha mas que sabe um bocadinho a “podia ser”. Ou “podia também ser”. Mas não é. Não é. Não é.

De volta a casa. Há tanto tempo que não sentia vontade de voltar a casa. A minha casa. À minha casa. Tanto tempo que sentia, apenas, vontade de não estar em casa. Em minha casa. Na minha casa. E, no meio disto tudo, aquela dualidade de “quero voltar para minha casa” e “quero voltar para a casa cor de rosa que não é minha mas que sabe a ‘podia ser’ mas não é”.

E entramos em Junho e recordo Junho de há um ano. Tão diferente de hoje. Tão sem respirar nesta altura. Tão sem Norte. Tão em busca de cafezinhos e vinho e idas ao telhado mas agora está a chover, não vamos. E fomos quando não choveu. E o vinho que se bebeu. E os cafezinhos que foram isso apenas mas também tanto mais porque me ajudaram a respirar. Como o vinho que também acabou por me cortar a respiração.

Três semanas fora de casa. Um ano depois de Junho. Tanta coisa diferente hoje. Já não procuro o vinho. Subo ao telhado, mas a um telhado diferente, com e para experiências diferentes. Sem cafezinhos. E não sinto falta de nada disso. Porque já respiro. Já sei respirar sozinha. Mesmo sabendo, aprendi no último ano e à força, que não estou sozinha. Nunca. ♥

Não marco cafezinhos nem procuro vinho. Acolho-os se surgirem. Claro que sim. Mas hoje já não para respirar como há um ano. Hoje apenas, apenas?, apenas para disfrutar. Do vinho como do café.

Em Junho de há um ano não passava três semanas assim, fora de casa. Porque tudo era tão diferente. Tão mais calmo lá fora, tão tempestade cá dentro. Não havia, também, uma casa cor de rosa que não é minha e nem sabia, na altura, um bocadinho a “podia ser” porque simplesmente não era, não me existia.

Hoje estou de volta a casa. A minha casa. À minha casa. E olho para trás. Estranhamente com um sorriso desde Junho de há um ano. Apesar de tudo, com um sorriso. E em paz. E com uma vontade imensa de voltar para a casa cor de rosa que não é minha mas já tem um bocadinho de mim por lá.

Um ano desde Junho. Três semanas fora de casa. Um semana longe da casa cor de rosa.

Novamente o aqui e agora. Mas aqui em minha casa agora. ♥
10984160_10153077649898800_3175341462372178285_n

{comentários}

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.