Monthly Archives: July 2015

#day347

Hoje faço batota nas fotos. Vou repescar uma de há um ano. Uma das duas únicas de há um ano que sobreviveram. Como eu.

Lembro-me deste dia como se tivesse sido hoje. Sei exactamente a que horas acordei. Os passos todos que dei desde que saí da cama até sair de casa. O abraço apertado que deixei ao microsobrinho como que a pedir-lhe um bocadinho da força e coragem que sempre teve. A frase da minha mãe antes de fechar a porta, “vá, agora vai com calminha, está bem? Vai telefonando.”

Sei exactamente onde fui tomar o pequeno almoço e o quanto me custou aquele percurso de 500 metros a pé. Não pela distância, mas pela direcção quando tudo o queria era voltar para trás.
Sei exactamente o que pedi ao balcão e o que pedi interiormente. Lembro-me da empregada do costume comentar a minha ausência de sorriso naquela manhã. Naquele sítio onde me recebem sempre com um sorriso, onde respondo sempre com um sorriso. “Muito sono, hoje. Noite difícil, esta”, menti.

A boleia que chegou. A viagem para Lisboa praticamente em silêncio. Numa espécie de cumplicidade. Ou entendimento mútuo.

As escadas, os corredores, a sala, a espera. A ansiedade. O frio daquilo tudo num dia cinzento de final de Julho. Mas sem chuva. Não conseguir ficar sentada à espera. Deambular pelo corredor. Tirar fotos só porque sim a tudo e a nada só para apagar a seguir. A música no telemóvel. Yann Tiersen, que mais?

O silêncio. Gelado. O não conseguir falar. O não querer falar. O querer sair dali rapidamente.

A chamada, finalmente. Respirar. Simplesmente respirar. E a saída.

…e as dores que aumentaram logo ali. O enjôo. O almoço que não se aguentou no estômago muito tempo quando foi preciso regressar porque algo estava errado. O calor. Muito. Tanto. A espera, novamente a espera. Dia cinzento mas demasiado quente. Gelado cá dentro.

Os telefonemas. As lágrimas. As primeiras depois de muitas. As mais contidas porque só choro a sério em casa. As mensagens. Novamente os telefonemas. E quero lá saber se amanhã é dia de ligar para Belém! Quero o contrário disto! Mas o contrário era impossível há já vários dias.

O corpo cansado. A alma quase inexistente porque não estava realmente ali. Dormir. Dormir ajuda, apesar das dores.

O jantar. Lembro-me tão bem dele como do almoço. Teve melhor sorte.

As conversas, poucas. Pouco havia para dizer, para conversar. Não naquele momento, não assim.

O meu corpo e o meu espírito num turbilhão. Por fora uma tranquilidade falsa. De faz de conta. Percebo hoje, um ano depois, que já era muito boa nesse jogo. Do faz de conta. Hoje, um ano depois? Sou perita.

Um ano depois. Um muito longo ano depois. Em que revivi este dia 365 vezes, pelo menos. 366 hoje.

Não, não me esqueço de nada deste dia. Mas gostava de esquecer. Gostava que o nó na minha garganta não estivesse cá como tem estado o dia todo há já uns dias. Gostava de conseguir respirar novamente sem romper em lágrimas quando o ar já não entra. Gostava de recuperar aquele sorriso ao canto da boca que tinha há uma semana. E o brilhozinho nos olhos de quem olha em frente e não para o chão.

Gostava. Mas esquecer não é possível. Nem opção. É mais uma história da minha História. A mais dorida e doída de todas as minhas histórias. Não posso, também, fazer de conta que não aconteceu. Embora seja perita a fazer de conta tanta coisa.

Mas, um ano depois, apesar das memórias e da intensidade da memória, apesar de sentir hoje no meu corpo tudo o que senti naqueles dias que começaram neste dia, apesar de ter revisitado hora a hora, minuto a minuto, tudo o que vivi nesse dia, estou serena. Apesar da pressão no peito que não me deixa respirar, apesar do nó na garganta que me impede de {voltar a} chorar, apesar da tristeza que hoje me acompanha, estou serena. Sem ter que fazer de conta.

E só por isso este dia foi um bocadinho menos mau do que poderia ter sido.

Mas a memória, as memórias……está cá tudo.

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{Fazer de conta}

Fazer de conta. Ando a ficar perita nisto.

Hoje, como há um ano. Uma calma aparente, a camuflar um turbilhão interior.

Hoje, como há um ano, a precisar de um colo, de um abraço forte, de uma mão a segurar a minha.

Hoje, como há um ano, sem chão, sem rumo, sem força.

Hoje, como há um ano, sem sorrisos ao canto da boca nem brilhozinho nos olhos.

Hoje, diferente de há um ano, sei que amanhã vai ser melhor. E que vou continuar a viver e não apenas sobreviver.

De resto, hoje como há um ano.

{a memória de calendário, o meu pior pesadelo…}

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#day346

365. Fecho de ciclo.

Se me apetece falar? Muito.
Se o vou fazer? Nem por isso.

Mas, por muito que tente, não passo um dia sem me lembrar.

E, por muito que tente, há uma frase que não me sai da cabeça: “se não aconteceu não é para ser falado”…{dói hoje tanto como doeu há um ano. Porque não, não aconteceu. Mas sim, é para ser falado. Sempre que eu quiser ou tenha necessidade de o fazer…}

Tanto que aconteceu em 365 dias. Tanta coisa que mudou. Tanta coisa que permaneceu igual. Eu? Não sou a mesma. Mas continuo a ser apenas eu.

Respiro? Sim. Hoje, fecho de ciclo, com um bocadinho mais de dificuldade. Mas respiro. Serena.

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#day345

Quando 364 é igual a 40 que vem antes de 19 depois de 42 e é também igual a 345 que vem depois. Nunca ninguém disse que a matemática era uma ciência estranha, sempre me disseram que era exacta. Que seja. Que esta ordem faça sentido só a mim, não importa.

Respiro hoje como não respirava há muito, tanto, tempo. Como não respirava há 364 dias, nem mesmo há 345. Nem mesmo há 160 ou até 200. Mas respiro.

Sinto a falta de algumas pessoas. Não que me falhem. Simplesmente me faltam. Não o sabem, não saberão nunca. Há coisas que não se dizem, apenas se sentem, mesmo que se digam outras coisas que também se sentem.

Olho para trás? Olho. Vejo. Recordo. Como não…? Não comparo porque não há como. Mas olho. Recordo. Sinto de novo, mas com a tranquilidade que a distância dos dias me vai trazendo. Serenidade. É isso. Tanto que me disseram “tens que serenar” que acabei por conseguir fazê-lo.

Tempo, dizem-me. Tempo, disseram-me. Sim, Tempo. Todo o Tempo que precisasse, nem mais nem menos Tempo. Já o tive, ainda preciso dele. Vou precisar sempre.

Assim como preciso de quem me falta. De quem me faz falta. Mesmo que nunca lhes diga. Simplesmente porque não. Não quero. Não o vou fazer. Mas sim, há pessoas que me fazem falta mesmo não o sabendo. Nem desconfiando, talvez. E, provavelmente, se me perguntarem, irei negar. Porque sim. É melhor assim, tantas vezes. Não gosto de faltar à verdade. Não gosto de distorcer o que sinto. Menos ainda de o negar. É melhor assim. Tantas vezes é melhor assim.

Fazes-me falta. E tu. E tu. E tu. Tu, um bocadinho mais. Porque sim, e porque sabes porquê mas nem sabes que sim. Mas sim, tu.

Turbilhão. É isso. Turbilhão. É possível um turbilhão no meio da serenidade. Sim. Sim, é possível. Vejo agora que sim. Sinto agora que sim. Porque, como sempre, sinto tudo. Intensamente. Como se fosse a primeira vez. Como se me faltasses a primeira vez. Como se tudo isto me estivesse cravado na pele. Sinto tudo. O bom. O menos bom. O mau.

Hoje? Hoje sinto o menos bom que já foi mau, muito mau. Hoje olho para trás e quero recordar apenas como menos bom mesmo sabendo, sentindo, que foi tão pior que apenas isso.

Mixed feelings. Uma e outra vez. Incessantemente.

E um simples copo de vinho hoje fazia toda a diferença. O vinho acompanhado da minha Lua. Para acalmar novamente. Para agradecer. Para sorrir serenamente. E dizer “está tudo bem”.

E está…11781890_10153201303408800_9137667695491530202_n

{em paz}

Furacão de inquietação no fim de semana. Pés no chão, descalça na relva.

Em paz.

Emoções ao rubro. Sorriso ao canto da boca.

Em paz.

Saltaricar por aí. Cantarolar a cada segundo.

Em paz.

Abro as asas. Leve, permito-me voar. Sem a vertigem dos sussurros. 3 palmos acima do chão. Pés descalços na relva.

Em paz.

Sei exactamente o que não quero. Começo a perceber o que realmente quero.

Em paz.

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#day344

E basicamente é isto, assim. Se é para agarrar, que seja com unhas e dentes.

{Ou então estou só cansada de um fim de semana de cinco dias intensos de sensações e emoções…}PSX_20150728_215316

#day343

A fazer as pazes com o Verão.
Se há uns dias queria passar rapidamente para Outubro, hoje já não tenho pressa. Mesmo que o Verão seja todo passado a trabalhar. Não importa. É Verão. E eu já começo a gostar dele novamente.

#day342

Namorar barrigas alheias.

Conversas de nada que levam a conversas de tudo. Como dizerem “e de repente percebes como o tempo passa”.

A correr, penso eu. Eu, que sou calendário, que me lembro das datas todas mesmo que as queira manter lá longe. Que sei onde estava há precisamente um ano. No mesmo local onde estou hoje, mas em circunstâncias tão distintas. E assim passou um ano desde essa noite emque joguei snooker pela primeira vez em tantos anos e que foi a última vez também em já tanto tempo.

Corre, o tempo. Voa na verdade. E tanta coisa acontece que nos leva para sítios onde nunca pensámos estar. Mas estamos. E hoje, hoje não jogo snooker, mas namoro uma barriga. Que não é minha, mas que nem por isso me deixa menos feliz.

Dia tão mais tranquilo. Sem inquietações. Irrequietações. Mas com emoções. Das boas ♥11798189_413490645518251_800469104_n

#day341

Dia estranho, este. De poucas horas dormidas, mas acelerada na mesma. Mixed feelings, strange feelings, lots of feelings.
Música a toda a hora. Escrita. Mensagens. Tudo isso e ao mesmo tempo nada disso foi suficiente para acalmar o turbilhão que corre solto cá dentro.

Um turbilhão bom, ainda assim. Mas em que os sinais de alerta estão lá todos, os alarmes a tocar. Tudo.

…respira…respira novamente…

Já sabes o resultado, por isso porque te empolgas tanto, Kooka Maria?

Respira mais uma vez. Pés no chão. Mesmo que flutues 3 palmos acima do chão.

Amanhã é mais um dia… =)

{e apetece-me}

Apetece-me cantarolar e saltaricar descalça na relva, a sentir o vento no cabelo solto e o Sol a queimar a pele.

Apetece-me rir e, sobretudo, sorrir. Com sorrisos declarados ou tímidos ao canto da boca.

Apetece-me abraçar o céu azul e as nuvens brancas de algodão.

Apetece-me voar. Ou melhor: flutuar a 3 palmos do chão.

Apetece-me recordar o que há dias não me sai da memória. Apetece-me tentar traduzir o que se calhar é simplesmente como é sem ter tradução. Ou o que simplesmente foi assim porque foi, sem mais implicações. Mas a dúvida, essa, fica sempre. Porque é uma dúvida com sabor a certeza, mesmo que não assumida ou, até, consciente.

Apetece-me continuar com as noites em branco, mas tranquila. Apenas uma inquietação pequenina, mas suficiente para não me deixar dormir, porque em vez de dormir canto. E rio. E sonho acordada. E recordo. E comparo.

Apetece-me escrever sobre tudo e sobre nada.

Apetece-me tudo isto porque aprendi que:

– cantar todos sabem cantar, até eu, ainda que não seja afinada

– saltaricar recorda-me que já não sinto o peso do Mundo em cima dos meus ombros

– andar descalça na relva liga-me à terra, acalma-me, tranquiliza-me

– o cabelo comprido solto ao vento dá a sensação de vôo sem o risco da vertigem

– o Sol revigora não só corpo como o {estado de} espírito

– rir é {tão} melhor que chorar

– sorrir tira-nos o tom de cinzento e pinta-nos de cor de rosa, sejam sorrisos assumidos ou tímidos ao canto da boca

– os abraços são remédios mágicos que nos voltam a encaixar as peças

– flutuar 3 palmos acima do chão permite-nos sonhar sem perder o pé da realidade

– há memórias boas, muito boas, que se vão construindo ao longo do tempo, um ano, 3 anos, 5 anos, 7 ou 9 ou…mesmo que não se entenda o significado dos gestos, das palavras, das acções, porque se calhar não há nada mais para entender; e ainda assim sabe bem fazer essas compilações de pequenas histórias

– as noites em branco também podem ser de todas as cores e não apenas de um tom cinzento escuro e frio; e a inquietação não tem que ser apenas ansiedade da que faz deixar de respirar

– escrever para mim ou para {os} outros é terapêutico, libertador, chegando a ser, em muitas ocasiões, catártico. E ajuda tanto a pôr as ideias em ordem.

Foram 2 horas e meia mal dormidas. Entre inquietação e cantorias, entre reviver tudo aquilo que, novamente, me deixa dúvidas com certezas não assumidas, conversa de primas que se prolongam pela madrugada até ser dia há 1 hora e meia, nervoso miudinho pelo primo que está prestes a chegar.

Foram 2 horas e meia mal dormidas das quais acordei como adormeci: a cantar, a saltaricar, a pisar a relva, a abraçar o céu, a querer escrever.

Porque, também isto, é o tal do copo meio cheio. Que já não sei vê-lo de outra forma.

…já tinha saudades de me encontrar assim… =)tumblr_m5vd1b78kA1qjx19ao1_500

 

#day340

Já faltou mais para voltar a isto. Tanta tecnologia e afinal…também ela falha =)

Por outro lado, estar “desligada do mundo”, mesmo que à força, nem sempre é mau.WP_004608

#day339

É sempre importante voltar à casa de partida. Não andando para trás, mas na continuação da volta ao tabuleiro. Ao passar na casa de partida novamente recebemos um bónus. Não necessariamente os dois mil escudos do Monopólio de infância. Mas a certeza que se continua a avançar.

Regresso, portanto, à casa de partida. Ou melhor: volto a passar na casa de partida. E recolho o meu bónus. Confesso que tive receio de não voltar a passar lá. Receio de continuar a avançar sem voltar a passar por ali. Por ter tomado outro caminho no tabuleiro. Ou por me ter calhado alguma carta com sanção que me dissesse “não voltas a passar lá”. Mas passei. Recebi o bónus. E continuo a avançar.

#day338

Visitas habituais por caminhos diferentes. Caminhos habituais em horários diferentes. Andamos nisto há uns dias. Andamos? Ando. Eu. Que por cada nova alteração de percurso ou de horário fico com um sorriso no canto da boca. Porque caminhos diferentes podem levar-nos, e levam-nos, aos sítios de sempre. Porque horários diferentes em que se percorrem caminhos de sempre levam-nos a sítios onde pertencemos de uma ou outra forma.

Não, não tem que fazer sentido para mais ninguém que não eu mesma. Como acordar cedo depois de dormir pouco e ainda assim andar em passo de saltarico, em pontas dos pés. Só não salto de poça em poça porque não está a chover, mas chovesse e seria eu a primeira a não abrir o guarda-chuva e iria saltar de poça em poça cantarolando por aí com um brilhozinho nos olhos e um sorriso ao canto da boca.

Brilhozinho nos olhos e um sorriso ao canto da boca…? Sim. Brilhozinho nos olhos e um sorriso ao canto da boca por ter fechado uma porta. Por ter decidido perder a chave, porque é uma porta que não me interessa reabrir. Porque, por trás dessa porta, vem uma corrente de ar resultado de uma instabilidade pior que a atmosférica ou marítima. Vem uma instabilidade que de manhã diz, docemente, “branco” e poucas horas depois agride com “preto”. Fecho a porta e não olho para trás. Não por receio, não por mais nada que não seja isto: aquela corrente de ar é provocada por uma energia que não é para mim. Fecho a porta. Fecho o capítulo e termino o livro. Fica lá, na prateleira da memória. Porque, apesar de tudo, faz parte da minha História apesar das histórias. Mal contadas, mal vividas. Sentidas, todas elas, como tinha que as sentir. Mas agora, agora é memória, apenas. Não quero. Não mais. Mas sigo serena. Em paz. Comigo. Com o Mundo.

Fechar uma porta, reabrir outra. Seguir conforme a corrente. Ir. Reagir. Pedir. Aceder. Fazer. Estar. No fundo, viver. O momento, acima de tudo o momento, seja ele quando for. Porque sobreviver já não é o meu caminho. Foi. Durante o tempo que teve que ser, foi sobreviver. Hoje, hoje é viver. De novo. Novamente, um dia de cada vez. O hoje, o agora. Relembro-me todos os dias: ontem já foi, hoje estou cá, e amanhã? Estarei? O aqui. O agora. O já, se assim for. E vou.

E é tudo isso, tudo isso num só dia, num só fim de dia, num início de noite. E é tudo isso, portas que se fecham, que se abrem, que se reabrem, caminhos que se percorrem, habituais a horas diferentes, diferentes para chegar ao mesmo destino. Seja! É tudo isso que me faz ter um brilhozinho nos olhos e um sorriso ao canto da boca. E que me faz saborear cada minuto de espera pelo barco que se perdeu por dez minutos e ainda faltam 50 para partir o próximo. E que me faz deixar ficar dentro do carro com o rádio ligado alto enquanto canto a acompanhar o ritmo da travessia do Tejo, os 30 minutos de travessia. Mas sempre, sempre, com um sorriso ao canto da boca.

E recordo-me que ontem, ontem dia de fechar uma porta, me irritei profundamente ao decidir-me, de vez, a bater com ela. E poucas horas depois ria. Não um riso de gargalhada, mas risadinhas que se podiam confundir com álcool do vinho gelado, ou até mesmo com risinho nervoso. Mas que não era nada disso. Ou não era apenas isso. Era a certeza. A certeza que rir é tão melhor que me irritar. A certeza que, afinal, ainda sei rir. E ainda consigo rir. Pensei durante demasiado tempo que não voltaria a ter vontade. Mas aos poucos fui recuperando essa vontade de rir e fui-me permitindo fazê-lo. E o risinho de ontem, 9 graus de risinho, dizem, foi mais uma certeza. Que, sim, tudo está bem. E que, se por um lado há coisas que mudam, outras há que se mantêm. E é-me tão importante que algumas coisas não mudem. Não tenham mudado. Enquanto outras tenham que mudar terminando.

“Ainda bem”…ainda bem, sim. Ainda bem que volto aos saltaricos de poça em poça mesmo quando não chove, ao brilhozinho nos olhos e o sorriso ao canto da boca. Ainda bem. E sabe tão bem o ainda bem.

Nada disto tem que fazer sentido, mas para mim faz. Tanto. Porque é meu. Porque é para mim. Porque é de mim, de dentro.

E repito(-me): ainda bem.

Sim, hoje foi mais um dia bom. Ainda bem. E, penso agora nisso, são já mais os dias bons do que os outros. Ainda bem. São dias de bolas de sabão, como aquela em que decidi viver, abrindo a porta só para o que me faz bem, enquanto me envolvo de todas as cores do arco-íris.

E é assim que embarco neste foco: não há mais pontos de fuga. Mas mantêm-se os pirilampos, as luzes de presença e a minha Lua.

Tranquila. Calma. Serena. Acima de tudo? Em Paz. “Ainda bem”. Ainda bem ♥11036617_10153186945353800_8797878582806270080_n

{das bolas de sabão}

Sempre gostei de bolas de sabão. Mas só há pouco tempo aprendi que, sim, podemos viver numa bola de sabão. Podemos pintá-la de uma única cor ou preenchê-la com todas as cores do arco-íris.
Pode ser opaca, mas eu prefiro-a translúcida.
Aprendi, também, que na nossa bola de sabão só entra o que e quem nós quisermos. Estranhamente só há poucos dias decidi mudar a casa que é a minha bola de sabão de todas as cores. Mudei-lhe também a porta de entrada (as bolas de sabão também têm portas de entrada) e a respectiva fechadura. A chave velha deitei-a fora, embora goste e “coleccione” chaves antigas. A chave nova só abre a porta nova ao que e a quem eu quiser. À porta, do lado de fora, fica tudo aquilo que não me faz bem.

Porque, na minha bola de sabão, sou eu que lá vivo. E na minha bola de sabão apenas pode entrar quem merece o meu tempo. Aquele que eu não tenho Tempo para perder.

Já tinha saudades das bolas de sabão. Mas tinha ainda mais saudades de me sentir assim: serena, tranquila, em paz. Comigo e com o Mundo.

E com o peso de uma bola de sabão: extremamente leve…♥

#day337

A minha sorte: gostar do que faço e fazer o que gosto. Concentro-me, portanto, no que me faz bem.

O que não me faz bem nem traz nada de bom: que vá para não voltar. Já chegou o que chegou. Foi o que tinha que ser quando teve que ser. Mas o tempo já passou. E, percebo agora, algum desse tempo foi perdido. Desperdiçado por quem não mereceu um segundo que lhe foi dado.

Agora? Sorriso no rosto. E no olhar também. Porque fecho uma porta para, decididamente, não voltar a abrir. E abro outra, nova e tão mais colorida: a do meu tempo. Que não tenho tempo para perder tempo.

No fundo, estou bem. E estou feliz.

#day336

E há um gato. Um gato que não é meu mas é. Que dormiu comigo meses a fio quando era pequeno mas já não bebé. Que fazia ninho no meu cabelo e me arranhava o pescoço enquanto “amassava pão”.
E há um gato. Que não é meu mas dormia ao meu ombro entre indecisões dos donos. E brincávamos com bolas, elásticos, sacos onde se escondia de orelhas de fora.
E há um gato que acolhi como meu até que os donos finalmente encontraram casa. Para eles e para o gato que não é meu mas é também um bocadinho.

O tempo foi passando, o gato foi crescendo. Aquele gato que era doce e simpático passou a antipático e quase anti-social. Escondeu a doçura, passou a ser quase indiferente. Mas nunca mau, porque nunca o foi.
De repente, nova mudança na vida do gato que não é meu. Deixa de ter dois donos, passa a ter um. Casa nova com telhado para passar horas ao sol a ver as andorinhas.

Lentamente voltou o gato simpático. Lentamente voltou a miar à porta à nossa chegada. E se antes vinha cumprimentar-nos à chegada só se lhe apetecesse e ainda assim só de passagem sem paragem, hoje mia à porta e não pára até lhe tocarmos e dizermos olá.
Lentamente voltou a ronronar e a dormir comigo nas minhas visitas de sofá. Lentamente voltou a deixar-se pegar ao colo quando foge para explorar as escadas que lhe são, ainda, novas.

E há um gato. Que não é meu mas que age como se fosse. Que vem em meu auxílio quando me ouve gritar por uma pancada na coluna que me fez mudar de cor e me molhou os olhos enquanto todo o corpo tremia de dor. Um gato que me defende da minha mãe por pensar que era ela a causa do meu grito, da minha dor. Há um gato que arranha de aviso à primeira. Que morde à segunda. Porque me defendeu numa atitude de lealdade que desconhecia nos gatos mas conhecia nos cães.

E há um gato que não é meu mas eu sou dele.

Há um gato que se chama Gaspar e se ao longo destes últimos 8 anos já gostava muito dele, mesmo quando estava armado em GasParvo,depois de ontem e do dia de hoje ainda gosto mais.

#day335

De volta ao telhado. Onde pousam bichos estranhos. Ainda assim bem menos estranhos que muitas pessoas.
Estes, os bichos, pelo menos não me fazem gastar tempo que se torna perdido.

Porque o tempo, para ser bem gasto, não pode ser perdido. E volto a dizer: não tenho Tempo para perder Tempo.

Venham daí mais bichos, então. E menos pessoas que desperdiçam o Tempo que lhes dou. As outras, as que, como eu dão valor ao Tempo, são muito bem vindas.

#day333

Nunca achei bom alguém estar-se nas tintas para outro alguém.
Mas depois cresci e aprendi que, por vezes, estar-me nas tintas é a melhor forma de estar.

Por isso, bom dia para mim =)

#day332

Cores. Em qualquer formato. Quero-as e tomo-as todas.

{digo-me em paz. No meio de um turbilhão interior por tempestades exteriores.}