Daily Archives: 15/08/2015

#day362

Há dias menos bons. Dias quase maus. Há dias como o de hoje. Em que não me reconheço em comparação com os últimos meses.

É normal, dizem, haver dias melhores e outros não tão bons. É normal, dizem-me.

Mas, para mim, esta normalidade, ou será esta normalização?, para mim este estado é apenas a desestabilização de um percurso que é já longo. E hoje, hoje sou eu quem diz “só quero estabilidade”. Sei tão bem como voltar a estabilizar. Sei que basta cortar, de vez, com o que me faz mal. Sei que basta voltar a guardar o livro na prateleira onde, pensava eu, já o tinha depositado de vez. Mas um livro com dois autores só fica definitivamente fechado quando ambos assim o decidem. E por muito que eu já tenha escrito o meu último parágrafo, colocado o último ponto final, a outra parte insiste em não colocar o seu ponto final por muito que diga que sim e aja quase como tal. Mas toda a ausência da realidade só podia resultar nisto: entregar-me a pena para continuar a escrever ao sabor etílico de outrem.

Não quero nada disto. Quero apenas fechar este livro. Que foi o que foi. Não o que eu cheguei a julgar que era. Ou o que tu juravas que era. Não. Nunca foi. Foi, isso sim, mais uma fuga à realidade. De ambos os lados, admito a minha culpa. Eu, por carência. No meio de um turbilhão emocional. Deixei-me levar por palavras, muito mais do que por gestos, porque esses sempre foram, os teus, manipuladores e umbiguistas, movidos a um combustível cuja realidade já tinha ouvido falar mas que desconhecia na primeira pessoa. Que eras tu. Que és tu.

Quero, de uma vez, fechar esse livro e arrumá-lo na prateleira daqueles que não vou voltar a abrir. E já falta tão pouco…basta que o permitas. Mas a realidade, aquela que é, de facto, real, não é o teu forte e sei que vais continuar a deturpá-la e atirar para mim a continuação de capítulos que não fazem sentido. Deixa-me ir, por favor…

Deixa-me continuar com os outros livros que mantenho em aberto. Deixa-me continuar a escrever a minha história sem interrupções de realidades alternativas, ébrias, que nunca fiz questão de conhecer, muito menos acompanhar, menos ainda alimentar.

Existem outros livros por fechar. Um que mantenho em aberto e que, provavelmente, acabará por se fechar sozinho. Porque há histórias que se terminam assim, sozinhas. Sem darmos conta de quem colocou o último ponto final ou escreveu o último parágrafo. Mas, nessas histórias, não é importante saber quem escreveu o quê. Porque são histórias contadas, e vividas, na realidade dos dias sem deturpação.

Existe, também, um outro livro. Que é o meu. Que faço questão de continuar a escrever todos os dias. Onde vou recolhendo, apontando, partilhando, excertos de todos os outros livros que vou lendo, escrevendo, vivendo. Esse livro, o meu, tão cheio de capítulos. Abertos. Fechados. Em branco, ainda. E, ainda, um processo em curso. Um processo unicamente meu ainda em curso.

E dou por mim prestes a rebentar de novo. Porque tenho saudades tuas, mas tuas não tenho nenhumas e tuas terei sempre.

E dou por mim com o caminho livre para seguir em frente. Desde que não continues estacionado à porta.

Por favor, deixa-me ir.
Por favor, chama-me para ti.
Por favor, não te esqueças de mim como eu nunca me vou esquecer de ti.

3 capítulos tão distintos. 3 livros tão diferentes. E apenas um, aquele da realidade irreal, mantém-se estacionado à minha porta. Ainda que diga que não. Ainda que eu insista em querer arrumá-lo. De vez.

11905385_10153243364483800_5940340161159433819_n