#day364

Sempre fui mais de letras do que rabiscos. Embora tenha rabiscado muito por aí, é nas letras, com as letras, que me encontro. Que me escondo e me revelo. Que entrego e me refreio.

Contam-se, hoje, 364 dias de um “desafio” programado para 100. E percebo que, sim, ainda {me} é preciso contar os dias. Por muito que repita de mim para mim que estou bem, os olhos ainda se humedecem demasiado facilmente.

{“podia não estar cá”}

Desenhar, pintar, colorir, rabiscar. Acalma-me. Atenua-me a neura. Faz-me desligar. Mas as letras, as frases, os textos, é com eles que páro todos os dias para pensar. Reflectir. Respirar. Digerir. E perceber.

{“podia não estar cá”}

Perceber onde ainda me dói. Perceber que me dói, já, uma dor diferente. Que é dor ainda assim.

{“podia não estar cá”}

Perceber, olhando para trás, que já percorri um longo caminho. E é também por isso, para me recordar do caminho, que de vez em quando me releio. Palavras cruas, algumas. Doridas, muitas. Serenas, já tantas. Mas curadas, nenhuma.

{“podia não estar cá”}

Faltam-me, ainda, tantas palavras, tantas letras. Que resumem Tempo. Aquele Tempo que eu não tenho Tempo para perder Tempo.

Leio-me. Releio-me. Não me arrependo de nenhuma das palavras que soltei no éter. Que solto e vou continuar a soltar.

{“podia não estar cá”}

Escrevo, continuo a escrever, de mim para mim. Mas escrevo, acima de tudo, para me exorcizar de mim mesma. E releio-me para me recordar de onde já estive e onde não quero, não vou, voltar.

{“podia não estar cá”}

Um dia de cada vez. Mesmo que sejam, já, 364 quando eram para ser 100 e que eu sempre achei que nunca chegaria, sequer, aos 10.

{“podia não estar cá”}

{mas estou}

………e com vontade de ouvir “ainda bem” mesmo sabendo que não vou ouvir………

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