#day373

Passar o Tejo de barco é uma espécie de fuga. Fuga ao trânsito, aos caos, à confusão. Ao pensamento.

{(…)”Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…“}

Mergulhar em exclusivo no trabalho é, também, um mergulho de fuga. Um escape. Que não me permite, que eu não permito, usar o Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo a pensar demais. Existe isso, pensar demais?

{“O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…“}

Porque, seja para onde for que olhe, vejo sempre o mesmo. Sinto sempre o mesmo.

{“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,“}

Sempre o mesmo não. Sinto em crescendo. E penso no que sinto. E tento não sentir. Tento não pensar. Tento, acima de tudo, não descodificar, não traduzir o que não é para ser traduzido.

{“Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…“}

E fujo ao que penso. Quero fugir ao que penso. Preciso fugir ao que penso. E ao que sinto.

{“Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…”}

E percebo que é impossível fugir ao que penso e ao que sinto. Porque a inocência ficou lá atrás com todas as respostas que o Tempo me foi dando. E com as respostas que eu fui dando ao Tempo, verdadeiras ou não.

É impossível fugir. Mas não é impossível tentar. A fuga, pelo menos.

image

{comentários}