#day393

Há dias bons. Mas também há os outros. Ainda há os outros. Vai sempre haver os outros.

Há dias de sorriso no rosto e brilhozinho nos olhos. Mas também há dias sem sorrisos e olhos húmidos.

Há dias de cantarolar e saltaricar. Mas também há dias de ficar em silêncio imóvel a um canto.

Há dias em que as palavras correm soltas misturadas com risota e gargalhadas. Mas também há dias em que as palavras não saem porque o esforço para não chorar as abafa. Não há risota. Não há gargalhadas. Há um nó na garganta depois de um murro no estômago.

Há dias em que a falta é quase tranquila. Mas também há dias em que a ausência dói ao ponto de querer rasgar a pele. Porque rasgar a pele dói muito menos.

Há dias em que a memória se torna suportável. Mas também há dias em que as memórias do que não foi porque não era para ser, não podia ser, essas memórias parecem o momento presente. E dói tanto hoje como doeu há 393 dias depois de 19 depois de 42.

Há dias em que não conto os dias, já não os sei de cor. Mas também há dias, como hoje, em que sei exactamente e sem grandes contas que são 393 depois de 19 depois de 42.

A ausência dói.
A ausência pesa.
A ausência traz saudades. Mesmo daquilo que não chegou a ser, porque não era para ser, porque não podia ser. Sim, é possível ter saudades do que nunca se chegou a ter. Do que nunca chegou a ser.

E tantas vezes, tantos dias, todos os dias penso, sinto, sei que preferia trocar esta ausência permanente por uma outra temporária. É tudo uma questão de perspectiva…

Não. Hoje não foi um bom dia. Não está a ser. Mas, novamente em perspectiva, está a ser melhor hoje do que foi há 393 dias depois de 19 depois de 42.

(e, admito, estou zangada. Talvez só comigo. Talvez não só comigo. Mas sim, no fundo apenas comigo. Por ter dito sim quando a vontade era gritar não…)

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