#day399

“I love mankind. It’s people I can’t stand!”
 
Há demasiadas semanas a sentir-me desiludida, triste, magoada com as pessoas. Ninguém em particular, mas muitas no geral. Dos comentários que se lêem de intolerância a quem tenta sobreviver. Dos comentários que se ouvem de umbiguismo puro por causa de um simples lugar de estacionamento. Das atitudes de ridicularizar o sofrimento alheio num grupo de Facebook, humilhando, por egoísmo, quem transparece uma dor enorme.
 
Não, não é fácil lidar com o sofrimento dos outros, ou até entendê-lo. Porque não é nosso. Mas não aceito que alguém humilhe outro alguém porque esse primeiro alguém não entenda que o outro alguém possa estar a sofrer. E, por não aceitar, não me calo. Não conhecendo nenhum dos intervenientes, reconheço pedidos de ajuda e reconheço humilhações gratuitas. E não as aceito, estas últimas. Como poderia?
 
Não é fácil, também, lidar com o medo. Do desconhecido. Ou de desconhecidos que tentam tão simplesmente fugir do caos. Especialmente quando esse medo é alimentado pela ignorância e, mais uma vez, pelo egoísmo. Porque os outros, os que fogem, sofrem como quem tem medo nunca sofreu e desconhece o que é fugir para sobreviver. Mais uma vez, a questão do sofrimento do “outro” não ser “nosso” quando na verdade também é.
 
Não é fácil lidar com pessoas que, por um simplesmente lugar de estacionamento, se transformam. Ou melhor…não se transformam, revelam-se. Porque, pelos vistos, um lugar de estacionamento é mais importante do que a educação, bom senso e respeito pelo outro.
 
Não é fácil lidar com pessoas. Ponto. E quanto mais me vou cruzando com pessoas que apenas alcançam o próprio umbigo, mais desiludida me sinto. Cada vez tenho mais vontade de me isolar, de me fechar, de fugir para o meio do mato e deixar-me ficar ali, longe disto tudo.
 
Mas depois…depois lembro-me dos outros. Que são exactamente o oposto. Que são tolerantes. Que aceitam o outro. Com ou sem dores. Com ou sem fugas. Simplesmente aceitam o outro pelo outro. E são esses outros, que são tantos afinal quando penso que são tão poucos, são esses outros que me recordam que existem pessoas grandes, enormes, que vêem para além do umbigo.
 
Não deixo de me sentir assim: triste, magoada, desiludida. Mas, pelo menos, sinto-me mais aconchegada. E agradeço a existência desses outros. E sou grata por eles.
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