#day428

{que afinal é #day429}

Hoje não é um bom dia, uma boa noite, para estar sozinha. Numa casa que não é minha. A tomar conta do que não é meu.

Hoje foi um bom dia. Até cruzar a ponte. Porque, desde esse momento, não consigo esquecer-me do Rapaz de Azul na Ponte Encarnada.

E de como, desde o meio da ponte, fiz 10 km com lágrimas no rosto, um nó na garganta, um aperto no peito, um tremor no corpo todo. E a vontade de encostar o carro ali mesmo e dizer-lhe que não vale a pena o salto. Que tudo vai ficar bem.

Hoje não é uma boa noite para estar sozinha. Numa casa que não é minha. Sem ninguém com quem falar. A quem dizer o quanto me doeu passar o meio da Ponte Encarnada e ver o Rapaz de Azul. Ele já do outro lado. O resto do Mundo do lado de dentro.

…não vale a pena…

Hoje não é uma boa noite para estar sozinha. Sem um abraço que me aperte e uma voz que me diga que está tudo bem. E que eu estou cá quando podia já não estar e ainda bem que estou.

Quero acreditar que o Rapaz de Azul da Ponte Encarnada também cá está. E ainda bem que está. E quero acreditar que alguém o irá abraçar e dizer-lhe “ainda bem que cá estás”. Tal como eu gostaria também de ouvir.

Mas estou. E só por isso é um dia bom.

…e eu podia não estar cá…

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