Daily Archives: 01/11/2015

#day440

Sabes que estás no bom caminho quando a entrada em Novembro não te rouba o ar.

Saber respirar e conseguir fazê-lo. Aceitar e avançar. Mesmo que nunca esquecendo. Um dia de cada vez.

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#day439

Do meu Um:

– enquanto brincamos os três no quarto, diz-me muito sério baixinho ao ouvido “sabes, tia, as pessoas velhotas dão puns fora de prazo” e depois afasta-se a rir, a dizer que é polícia e vai prender os ladrões que fazem a rua dar puns; está um crescido, muito adulto, muito independente, mas mantém os 5 anos de menino pequeno; não dá beijinhos à tia, só à avó, e se lhe mando beijinhos voadores apanha-os no ar para deitá-los fora, “vês, não gosto nada dos teus beijinhos e não quero guardá-los” diz-me com ar sério e olhos de gozo, mas guarda na caixa do tesouro, escondida debaixo da cama, os postais que a tia lhe envia; fala pelos cotovelos e já não se atrapalha como quando era pequenino, surpreendendo pelo discurso adulto e pelas conversas de menino crescido; “não gosto da tia” mas não passa sem ela e daqui a uns dias, quando lhe disser que também não gosto dele porque ele não gosta de mim, vai voltar a dizer “tu não percebes mesmo nada, tia! Não vês que tenho estado a gozar contigo sempre?!”

Do meu Dois:

– agarra-me as mãos e sobe pelas minhas pernas que nem macaquinho; não quer beijinhos mas ri-se quando diz que não quer; roubo-lhe um beijo na bochecha ao jantar e afasto-me para o ouvir dizer “ai tia…chata!” e, mais uma vez, ri-se; pede colinho porque está chocho e que ver outra vez a tia na televisão, “pões, pai? O Pipo quer ver a tia Cananina na televisão!”; diz, outra vez, que “a tia é chata e Maguel é fixe”; vem a correr sentar-se ao meu colo e enrosca-se porque “estou canxado”; tem os caracóis a crescer mas não fica quieto para as fotografias; “olha tia, é gorda a Lua”, fala pelos cotovelos mesmo que ainda se atrapalhe e chateia-se quando não o percebemos; diz “xau xau” quando nos vimos embora mesmo que a vontade seja vir para casa da tia.

Dos meus Tudo:

– são lindos os dois, por dentro e por fora; são meus para sempre, sou deles desde sempre. Crescem demasiado rápido, e ainda ontem o Miguel estava ainda por nascer, e ainda ontem o Filipe nascia 8 semanas antes. E ainda ontem não sonhava sequer com eles e hoje não passo sem os meus Dois, os meus Tudo.

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