Daily Archives: 03/11/2015

{do vinho, novamente o vinho}

Escrevia eu há uns meses, largos como se tivesse sido escrito ontem, que bebia para esquecer. Nunca esquecendo, claro, porque não se esquece. Mas esquece-se para beber. Ou esquecia-me, na altura, quando tanto precisava de parar um bocadinho o Mundo lá fora e esquecer-me dele.

Hoje apetece-me, muito, um copo de vinho. Tinto. Forte. Intenso. Não para esquecer. Nem para esquecer-me. Mas o contrário.
Hoje apetece-me, muito, um copo de vinho. Tinto. Forte. Intenso. Para me lembrar.
Para me lembrar de todos estes meses, longos que parecem ontem, e simplesmente comemorar. Celebrar. O simples facto de estar cá. E quantas vezes nos esquecemos de celebrar o facto, tão simples mas nunca garantido, de estarmos cá?

É aquela coisa do aqui e agora. Porque o ontem já foi e o amanhã…o amanhã quem sabe, sequer, se chega. E também por isso deixei de ter Tempo para perder Tempo. É o aqui e agora. Novamente. Sempre.

E hoje, hoje apetece-me, tanto, um copo de vinho pelo aqui e agora. E por estar cá. E por mim, simplesmente porque sim.

Mas não se bebe sozinho. Bebe-se a dois. Ou três. Ou tantos. Mas não sozinho. Porque o copo de vinho que me apetece faz-me soltar e conversar. Abertamente. Sobre tudo, sobre nada, sobre o que não tem importância, sobre o que é importante, ainda, conversar.

Hoje apetece-me, muito, tanto, um copo de vinho. Mas não se bebe sozinho para não continuar a guardar o que teimo em deixar por dizer.

Celebro, ainda assim, o facto de estar cá. O aqui e agora. O não ter Tempo para perder Tempo.
Porque o ontem já foi e o amanhã…não sei, não sabe ninguém, se sequer chego lá.

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#day442

Hoje, por cá, comemoram-se fora de tempo três aniversários de quatro gerações.

Hoje, cá dentro, desde manhã que sinto vontade de comemorar. Não aniversários. Apenas, apenas?, comemorar “mais um dia”.

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#day441

Hoje, como há um ano, inauguração da exposição Arte e Criatividade, concurso para pessoas com necessidades educativas especiais.
Hoje, como há um ano, o carinho daquelas pessoas especiais não pelas necessidades mas porque são, de facto Especiais.
O empenho que colocam nos trabalhos apresentados, o carinho com que nos abraçam a nós, o júri, na altura da recepção dos prémios ou dos simples certificados de participação, a gratidão quando nos apertam a mão durante a pose para as fotografias.
A gratidão deles, a gratidão minha. Porque é, de facto, gratificante receber este Amor em formato de expressão artística ou em gestos de gente pura.

Manhã de coração cheio, hoje. Que se prolongou depois por várias horas de esplanada em dia de chuva numa conversa de raparigas há muito prometida e há tanto adiada. Uma conversa de partilha. De partilhas. De alívio de pesos. De segredos de miúdas que são graúdas mas que teimam em não concordar com a idade da certidão de nascimento.
Conversas de molhar os olhos por instantes breves. E novamente a gratidão por saber que sabes o que eu sei. E porque, mais uma vez, não estou sozinha.
Conversas que se prolongaram para lá da esplanada até ao pátio depois de almoço e que só não se prolongaram mais porque a agenda não o permitiu. Mas fica a promessa de voltarmos a conversar assim, abertamente como as miúdas conversam, brevemente. Obrigada, tanto.

Dia que foi longo. Mas que soube tão bem em toda a sua extensão.

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