Daily Archives: 04/11/2015

#day443

Gosto: de pegar no carro e ir. Simplesmente ir. Seja com rumo ou sem ele, seja em trabalho ou lazer. Ou simplesmente não pegar no carro e não ir porque não tenho que ir, mas sabendo que está ali à porta à minha espera.

Não gosto: de depender dos outros enquanto o carro não está arranjado. Porque preciso de ir aqui e ali em trabalho e não posso. E nem sempre os outros podem também.

Gosto: de fazer rabiscos em papel que acabam por ganhar formas concretas e exactamente como as imaginei. Desenhar na mesinha de centro da sala, que mesmo sendo baixa é onde gosto mais de pegar no papel e no lápis e, de joelhos ou sentada no chão, preencho a mesa com folhas e riscos e rabiscos que mais tarde se tornam em algo concreto.

Não gosto: de me sentar à mesa da sala para trabalhar, seja para desenhar, marcar, cortar ou coser. Não gosto de mesas de vidro, sempre com medo de riscar ou partir. Não gosto de não poder, ainda, ficar de joelhos para desenhar. Porque, apesar do joelho estar bastante melhor, dobrado e em esforço dói, ainda, bastante.

Gosto: de desafios. Sejam eles de desenhos que nunca pensei conseguir fazer, sejam eles de conversas, encontros, gestos, actos. Palavras ditas ou escritas.

Não gosto: de manter tanta coisa cá dentro por falta de coragem para deitar para fora. Seja em desenhos, seja em palavras. Ditas ou escritas.

Gosto: de sentir que o que sinto hoje é tão melhor do que o que sentia há um ano.

Não gosto: de não saber, não querer, lidar com isto como adulta, porque me sinto, novamente, adolescente.

Gosto: de gostar. Assim. Sem mais. Porque sim.

Não gosto: de gostar. Assim. Exactamente sem mais. Exactamente porque é mesmo assim.

Gosto: de sorrir. De me fazer sorrir (e esqueci-me desta parte, tão importante, durante tanto tempo). Que me façam sorrir. De fazer os outros sorrir. De te fazer sorrir.

Não gosto: quando não posso fazer{-te} sorrir.

Gosto vs Não gosto. Equilíbrio, dizem. E eu cá vou, um dia atrás do outro atrás do um, num equilíbrio que já não é tão frágil como há um ano {“ainda bem”}, equilibrando também o que sinto hoje como nunca pensei que pudesse sentir. Mas sinto. E gosto. Muito.

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