Daily Archives: 05/11/2015

#day444

Já o tinha dito antes, eu gosto mesmo é de meias às riscas.
Não importa se o equilíbrio entre os dias bons e os outros ainda {me} consegue ser frágil. Há meias às riscas.
Não importa se há quem ainda me vire do avesso mais depressa do que percorrer a distância até ao próprio umbigo. Há meias às riscas.
Não importa se ainda ecoa na minha cabeça num volume insuportável que “se não aconteceu não é para ser falado”. Há meias às riscas.
Não importa se me fazem sentir parva por ser simplesmente como sou, sempre disponível, sempre tão demasiado disponível sem pedir nada em troca e, quando preciso dessa mesma disponibilidade em sentido inverso, essa disponibilidade só conhece o sentido único. Há meias às riscas.
Não importa o desnorte dos outros para coisas tão simples como ir daqui ali sem passar por além quando bastava ter ido acoli. Há meias às riscas.
Não importa se as dores, as físicas, voltaram em força ao mesmo tempo que as outras, as de dentro, tenham acordado daquele sono leve em que têm estado. Há meias às riscas.

Não importa nada disso. Importa, sim, que há meias às riscas. E eu gosto mesmo é de meias às riscas.

Hoje choveu. Lá fora e cá dentro. E, antes de chover cá dentro, saboreei a chuva lá fora. Senti-a no rosto, no cabelo, a encharcar-me a roupa. Já tinha saudades de andar à chuva. Mas não tinha saudades da chuva de dentro.

O que eu gosto mesmo é de meias às riscas.

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