Daily Archives: 09/11/2015

#day448

Uma espécie de efeito borboleta. Não um furacão no Pacífico provocado pelo bater das asas de uma borboleta em África. Mas quase.
Não um furacão porque os furacões são cinzentos e este momento é violeta.
A junção de duas cores primárias dá uma cor secundária. Magenta, também chamado cor de rosa, e azul resulta em violeta.

E os dias violeta, que resultam do encontro inesperado de duas cores, são tranquilos, de descoberta, de partilha.

Não sei o que é mais importante: se a descoberta, se a partilha. Mas não importa, porque ambos acontecem e é isso o mais importante.

Um sorriso cor de rosa encontra um sorriso azul. E o resultado violeta, inesperado porque não programado, resulta numa vontade de voltar a voar. Vôo baixinho, em segurança. Perto do chão. Dizia eu há não tanto tempo assim que não queria mais voltar a flutuar três palmos acima do chão. Que não queria mais a vertigem. Que não queria mais borboletas.
Aprendi, já devia ter aprendido, que tudo o que digo não querer acaba por acontecer exactamente ao contrário do que queria. Ou melhor, não queria. E a descoberta do violeta veio confirmar isso mesmo.

Parto à descoberta. Partilho magia. Recebo cor de volta. Azul. Azul que já de si vem carregado de pirilampos. E há tanto tempo que sentia falta dos pirilampos… E vem a Lua. As fadas. As cores. Todas. E vou descobrindo. E descobrindo-me. Não me descubro como quem se encontra. Descubro-me como quem vai deixando cair aos poucos a armadura.

A armadura está cá, no entanto. Provavelmente estará sempre. Como sempre. Mas permito-me ir deixando cair as peças como quem deixa que lhe dispam a alma: sem me dar conta.

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