Daily Archives: 11/11/2015

#day450

{I’ll sing it one last time for you
Then we really have to go
You’ve been the only thing that’s right
In all I’ve done}

Disto de enviar postais. Dizia-me há dias uma amiga, aquando da peça da SIC sobre cartas de amor, que ainda viria a ser trend setter e pôr meio mundo a enviar postais. Ri-me. Disse-lhe que não. Nada disso. Mas que, se uma única pessoa começasse a enviar postais, ficaria feliz. Já teria ganho o dia.

{And I can barely look at you
But every single time I do
I know we’ll make it anywhere
Away from here}

E ganhei, já. Tanto. Mais do que simplesmente uma pessoa a enviar postais. Mais do que simplesmente o facto de ainda haver quem envie postais. Ganhei tanto mais para além disso. Ganhei o efeito borboleta que se transformou em efeito Violeta e tudo o que daí veio, vem e, tenho a certeza, ainda virá.

{Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you dear}

Ganhei cor. Cores. Misturas de cores. Paletas. Pincéis. Lápis. Aguarelas. E, com essas cores, pintam-se sorrisos. Daqueles que já me tinha esquecido serem possíveis. Ou simplesmente reais. Olho em frente quando durante tanto tempo me mantive a olhar para trás. Quando na realidade o que está para trás já foi. E recordo-me novamente que o que importa mesmo é o agora. Aqui. E agora. O que ficou para trás é lá que tem que ficar. Mesmo que me faça vestir a armadura apertada. Visto-a, mantenho-a justa, mas permito-me aos poucos ir alargando as faixas que me apertam e mantêm esta couraça de durona que não sou.

{Louder louder
And we’ll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can’t raise your voice to say}

Olho em frente. Sei, claro que sei, que o amanhã ainda está longe. E nunca sei, sequer, se lá chego e não é de agora. Mas mesmo por isso olho em frente. Porque é por ali, em frente, o caminho. Longo, eu sei. Lento. A seu Tempo. Não tenho Tempo para perder Tempo, mas tenho Tempo para olhar em frente e acreditar que sim, que irá chegar o Tempo certo. O Tempo de voar. Sem amarras. E quero muito esse vôo. A vertigem vai aos poucos desaparecendo e a vontade de voar aumenta. Sem pressas. Sem pressas porque com certezas. Com sorrisos. Com cores. Tantas. Mas basta uma feita de duas.

{To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do}

Não quero olhar para trás. Mas olho, ainda, tantas vezes. E olho e penso, lembro-me, que podia hoje não ter alcançado aquele amanhã de há uns meses. E que o hoje podia simplesmente não existir. Olho e penso, lembro-me, que é um olhar ainda dorido, moído. Mas sorrio porque, apesar de tudo, estou cá. Quando podia não estar. E ainda bem que estou. Porque por simplesmente estar cá permito-me conhecer um mundo de cores que há tanto tempo, demasiado tempo, não me lembrava. E olho para trás e lembro-me que o caminho tem sido longo, mas que acabou por valer a pena. Porque me trouxe até aqui, até ao ponto Azul, no momento certo por me permitir, eu mesma, ver as cores. Ser cor. Sentir cores.

{Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you dear}

Não olhes para trás, digo a mim mesma. Olha em frente. E olho. E vejo. E sinto. E permito-me dizer a mim mesma que sim, vai! Porque aquela voz que há pouco mais de um ano me dizia “não vás!” hoje sussurra-me num sorriso “vai, deixa-te ir e vai…” e é essa voz que me tranquiliza, que me diz que sim, que vou, porque pode não fazer sentido, mas faz sentir.

{Louder louder
And we’ll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can’t raise your voice to say}

Um dia atrás do outro atrás do um. Sempre. Mantenho a táctica. Porque a sei segura. Mas quase tenho pressa que a noite corra depressa para chegar amanhã e voltar a olhar a cor do céu. E ser acompanhada por bolas de sabão. Quase tenho pressa de correr para o momento certo. Quase tenho pressa de tudo. Quase porque um dia atrás do outro atrás do um. Não vale a pena ter pressa. E assim vou caminhando tranquila, olhando em frente, fixa no Azul da cor do céu.

{Slower slower
We don’t have time for that
All I want’s to find an easy way
To get out of our little heads}

Irás voar com certeza. Não tenhas pressa. Digo a mim mesma. Mas não te prendas pelo risco da aterragem. Todas as aterragens são atribuladas. Mas não te preocupes agora. Não agora. Ainda o vôo não começou. Ainda agora estás na pista de descolagem em direcção ao Azul. Não penses na aterragem. Digo e repito tudo isto a mim mesma. Cada vez repito menos. Porque cada vez mais o Azul do céu faz sentido. E é para lá, para o Azul, que quero voar. Tanto.

{Have heart, my dear
We’re bound to be afraid
Even if it’s just for a few days
Making up for all this mess}

Espero. Pelo momento. Pelo Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo mas que em Azul não perco Tempo. Ganho. Sempre. E canto. E sorrio. E sonho. E pinto. E escrevo. Para ler. Nas linhas e nas entrelinhas. Até mesmo as letras pequeninas que ninguém lê. E canto o dia todo, saltarico novamente em bicos dos pés por aí e por ali. E sorrio sempre. E rio também. E mesmo que o momento não seja imediato já o é. E faz tanto sentido mesmo que pareça não fazer sentido nenhum! Como o que escrevo hoje…que parece não fazer sentido. Mas sei que vai fazer. Sei que faz. Sei que sorrio e sinto sorrir e sei sorrirmos. Sei porque sinto. E só sentir importa.

{Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you dear}

Nunca pensei que enviar postais me fosse trazer tanto. Tanto mais do que postais na caixa do correio. Tanto mais, tanto mais, tanto mais! Mas trouxe. E, porque trouxe, estou aqui. E estou cá. Sempre. Ao lado de onde tenho porque quero estar. Na NLV. Porque AV. Tão simples. Tão bom. Tão isto.

{Snow Patrol . Run}

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