Daily Archives: 22/11/2015

#day461

Dia sem muitas histórias mas não dia em branco. De volta ao trabalho, devagar, sem pressa apesar dos prazos. Cor. No trabalho e fora dele.
Mimos em jeito de música. Em jeito de palavras. Em jeito de fusão.

Sou uma sortuda. Abençoada, talvez. Por ter tanta gente bonita à volta.

É impossível não olhar para trás, para este mesmo dia no ano passado, e não fazer comparações. Chovia. Muito. Choveu todo o fim de semana. Fim de semana que, desde o primeiro instante, foi acompanhado por aquela vozinha que me dizia “não…” e que eu insisti, uma vez mais, em contrariar. Quantas vezes, logo desde o primeiro impacto, do primeiro aviso, tive vontade de voltar para trás?
Deixei-me ir. Carência pura, sei-o hoje. Querer acreditar à força em algo que sempre soube não ser real. Um turbilhão de emoções ainda recentes e por acalmar. Uma busca por raízes que nunca se criaram porque simplesmente não existia como.

Os sinais, meus e não meus, estavam lá. Todos. Desde exactamente o primeiro momento. Vi-os, claro. Mas recusei-os. Todos. Acreditei que era exactamente aquilo que procurava. Que merecia. Porque, dizia a mim mesma, já merecia.

Um ano passou desde aquele fim de semana que foi tudo menos normal. Um ano passou em que caminhando, tropeçando, caindo, reerguendo-me aprendi e cresci e acalmei emoções.

Aprendi que não adianta procurar. Nada. Tudo o que precisamos, o que merecemos, acaba por nos encontrar. Na hora certa. No momento certo. No Tempo certo. Na medida certa.

Cresci à força. Com dores de crescimento como é natural, embora com dores mais ou menos naturais. Não. Naturais todas elas, todas as dores. Cresci, mas sem perder a capacidade de continuar a acreditar em fadas, magia e pozinhos de perlimpim.

Acalmei emoções. Tantas vezes repeti “estou em paz”, não estando. Tantas vezes acreditei que sim, que estava, mas as noites em branco e os olhos molhados e o nó na garganta e o aperto no peito e o frio no estômago gritavam-me o contrário. Recusei sempre ouvi-los e repetia insistentemente “estou em paz”.
Hoje já não o digo nem repito até à exaustão. Hoje oiço dizerem “és tão tranquila”. E sou. Ou estou. Ou…
Ser e estar são posições diferentes. No entanto assumo ambas.

Não tenho pressa. Aceito o Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo e todo o Tempo que vou ganhando e vivendo e sentindo.

Encontro, ou encontra-me, ou encontramo-nos, não sei, o que já tinha desistido de procurar. Porque não vale a pena procurar. Nada. Tudo o que precisamos, o que merecemos, acaba por nos encontrar.

Não tenho pressa. O Tempo é este. Certo. Na hora certa. E não há um ano, naquele fim de semana de chuva constante que podia ter sido tão diferente se simplesmente tivesse ouvido aquela vozinha que me dizia “não…”

Se sou a mesma de há um ano? Um furacão de emoções à flor da pele, dúvidas, inseguranças e pura carência? Não. E ainda bem. Porque aprendi a construir e manter esta tranquilidade que trago comigo e que partilho no Tempo certo com quem a sente comigo, em mim.

Um dia sem histórias, hoje. Mas longe de ser um dia em branco. Cores, muitas, em fusão de arco-íris e nuvens de algodão e bruma numa Terra de cor, de magia. E longe, tão longe, do cinzento escuro de há um ano. E é tão bom ser Tempo do Tempo certo. Ser hoje.

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