#day469

O que fica de hoje? Mais uma vez a confirmação que a estabilidade é, ainda, frágil.
Que doentio é insistir em fazer de conta. Insistir em que se faça de conta.
Que há feridas ainda demasiado abertas e gavetas que não se devem abrir de rompante, ainda que o que leva a essa abertura seja outro assunto qualquer, quase banal.

Continuo a contar os dias. Continuarei a fazê-lo enquanto me for necessário. Porque doentio não é contar os dias. Doentio é insistir em continuar a fazer de conta.

Conversas no éter que deviam ser frente a frente, cara a cara. Porque no éter perde-se tanta coisa. Perde-se, no fundo, a conversa e desentende-se a desconversa.

Tempo. Tenho direito ao Tempo que for preciso até chegar aquele dia em que falar, mesmo que não falando directa e abertamente, no éter ou cara a cara, até chegar aquele dia em que falar já não traz as lágrimas que caem sem aviso. Tenho direito à minha contagem de Tempo. Porque preciso de confirmar, comigo, que a distância aumenta e que o número de dias bons é cada vez maior em relação aos outros, os menos bons e especialmente os maus.

Continuarei a contar o Tempo. O Meu Tempo. Do Meu percurso. Sozinha. Porque é sozinha que o percorro. Porque foi sozinha que percorri estes 469 dias. De pura sobrevivência. E foi sozinha que sobrevivi, mesmo que me tenham dito que não estaria sozinha.

Do dia de hoje fica este furacão de emoções à flor da pele novamente. Que não quero. E que não preciso.

Mas fica também a certeza que, apesar da carga cinzenta deste dia, mantenho a cor em mim. Porque já não sei ser de outro modo: cor de rosa.

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