Daily Archives: 09/12/2015

#day478

Dias sem histórias não significam dias sem História.

Não foi só trabalho, tendo sido apenas isso.

Cansada. Mas aconchegada. Tranquila. Certa.

Mais um dia de todos os dias que são os meus dias. Um dia atrás do outro atrás do um. E o que é, é de facto. O que for, será o que tiver que ser.

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{dos sonhos que já foram os meus}

Já tinha desistido deles, dos sonhos. Ou dele, o único que ao longo de tantos anos se manteve comigo.
Hoje não sei, já, se era sonho ou apenas vontade. Ou uma vontade de sonho. Sei apenas que durante tanto tempo era o que queria. A única coisa que queria, com todas as forças, fosse meu apenas se tivesse que ser.

Um dia percebi que há sonhos que não se alcançam porque não nos estão reservados. Não são para serem nossos. Ou assim pensava até ao dia em que parte desse sonho que era vontade ou essa vontade de sonho começou a tomar forma. Lembro-me da enxurrada de emoções, algumas contraditórias, outras apenas contrárias a tanta coisa. E lembro-me também da força da realidade que nos puxa de volta à Terra, numa espécie de Lei da Gravidade e que nos acorda.

Aceitei que a minha realidade não tem espaço para alguns sonhos. Ou vontades. Ou vontades de sonho. Aceitei há tanto tempo que cheguei a achar que seria sempre assim, uma vontade não realizada, um sonho não concretizado.

Aceitei novamente depois do regresso à realidade. E desisti. Abri mão. Repeti para mim mesma que essa realidade de sonho ou de vontade não me pertence. Não é para mim. Encaixei. Entranhei. Incorporei. Resignei.

Deixei de aceitar entretanto. Não sei quando, não sei porquê, não sei onde no caminho. Sei, sim, que ao mesmo tempo que digo que não quero cá dentro sinto-me a querer. E dou por mim a conversar comigo mesma e a dizer que já sabes que não, que não vai acontecer, porque o Tempo não pára, não espera e não pode ser. Como poderia? Não. Essa realidade não te pertence, digo-me. Repito-me. Tento aconchegar-me e abraçar-me, é possível abraçarmo-nos a nós mesmos?, e em jeito de embalo repito sozinha baixinho que não faz mal, não faz mal, não faz mal.

Os sonhos, ou vontades, ou vontades de sonho, sabem o caminho. Têm o mapa. Mas nem sempre adianta segui-los porque tantas vezes esse mapa, esse caminho, não leva a lado nenhum, em jeito de labirinto sem saída.

Não. Esse sonho, essa vontade, essa vontade de sonho não vai ser realidade. Porque, aceito, ou tento aceitar, há realidades que não me pertencem. Como esta.

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