Daily Archives: 11/12/2015

#day480

Não, nem todos os dias o Sol brilha. Ou, mesmo que apareça tímido, nem sempre aquece, nem sempre aconchega.
Ou, até, não aparece tanto tempo como se gostaria. Tempo suficiente para iluminar, aquecer, aconchegar.

Como hoje.

Mas basta acreditar que ele está lá, mesmo que escondido tímido por trás das nuvens, para saber que o calor acabará por voltar. Assim como a luz. E o aconchego.

O brilho, esse, procura-se em locais encantados, de magia, de histórias de príncipes e princesas e fadas madrinhas. E encontra-se sempre, desde que se acredite.

E eu quero continuar a acreditar nesse brilho, mesmo que o Sol se esconda tímido para lá das nuvens.

Não, hoje não foi um dia bom. Não foi mau, também. Foi apenas frio. E cansado.

E continuo sem Tempo.

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{há um ano}

um ano dizia que cá em casa não há árvore de Natal. Que, aliás, cá em casa não há Natal. Pelo menos não aqui, em casa.
Cheguei a pensar que, pela primeira vez em muitos anos, iria finalmente ter o meu Natal em minha casa. Enganei-me como me engano sempre que faço planos. Acabei por ter exactamente o Natal que não queria: fora de casa, acompanhada por grávidas e bebés.

Este ano continua a não haver árvore de Natal cá em casa. Mas, desta vez, por falta de tempo apenas. Porque, pela primeira vez em muitos anos, este ano quero ter árvore de Natal. Já não faço questão de passar o meu Natal em minha casa, como tanto desejei há um ano.

Aprendi a reconhecer um outro Natal que não aquele das decorações datadas e das prendas porque sim. Aprendi a olhar para esta altura do ano com olhos de quem observa e acompanha e sente ciclos. Aprendi que esta altura do ano é um fechos de ciclo, ainda que seja o início do Inverno.

Apetece-me a tal árvore que lhe chamam de Natal. Com decorações carregadas de símbolos e significados. Daqueles símbolos e significados que, finalmente, me dizem algo. Não as fitas e as bolas e as estrelas e as luzes só porque sim. Mas porque cada peça presente tem um significado específico neste final de ciclo.

Não, a árvore, a tal árvore que lhe chamam de Natal ainda não existe cá em casa. Tanto porque a tradicional árvore de plástico, mais ou menos farfalhuda, há muitos anos que não existe por cá como porque o tempo está contado ao minuto, ao segundo e ainda não me permitiu dedicar-me a ela. Não sei sequer se conseguirei ter essa tal árvore que alguns chamam de Natal e que eu prefiro chamar de Inverno. Não sei sequer se conseguirei concretizá-la como já existe na minha cabeça. Mas sei que mesmo que não consiga concretizá-la não ficarei triste por isso. Não sentirei o vazio que tantos anos me acompanhou nesta altura do ano.

Os símbolos e os significados estão comigo, estão em mim. A árvore, essa também. Assim como está presente também o Amor que existe sempre por cá, com ou sem árvore, em minha casa ou em casa de outros.

O meu Natal já o trago comigo. Trouxe com ele cor. E tudo o mais que só a mim e a meu Natal faz sentido fazendo sentir.

Não, cá em casa não há árvore de Natal. Ainda. E pode nem chegar a haver. Mas há tudo o resto. Tranquila e em paz.

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