#day482

Acordar de manhã cedo com o telefone a tocar. Dizerem-me “alguém quer falar contigo” e, enquanto o telefone não chega até mim, ouvir a vozinha do Meu Dois a repetir “a tia é Linda! A tia é linda! A tia é linda!” para se desmanchar em risinhos e gracinhas quando finalmente me ouve. “Desde que acordou, às 7 da manhã, que andava com o telefone na mão a pedir para ligar para a tia”, dizem-me depois. Não falámos às 7, falámos às 9, quase até às 10. Porque, mesmo não tendo ainda três anos, tem muita coisa para contar e outra tanta para dizer. E porque quer a tia com ele, seja em casa do pai ou em casa da tia. “Quando o carro estiver bom, vens! Vens, tia? Vens!” vou, claro que vou! “A tia é linda!” e a chuva e a tosse e pintar e brincar e o mano e o pai e os sapatos do Homem Aranha e a avó e os bonecos e o frio e o Panda e os patinhos e tanta coisa que por vezes não se percebe tal é a pressa de contar tudo. “Tchau, tia” e desliga para ligar de seguida porque ainda tinha coisas para contar.

Acordar cansada, de manhã cedo, com mimos destes sem tamanho. Para voltar a adormecer aconchegada e conseguir, finalmente, descansar.

Dia preguiçoso, de domingo chuvoso, lento, lentinho. Sair por um bocadinho para um café e confirmar que os dias de chuva, mesmo que atrapalhem os dias de trabalho, não têm que ser chatos nem cinzentos.

Dia que se arrasta em tons de preguiça porque também fazem falta esses dias. E mesmo que chuvoso e frio e cinzento e lento, sempre com pontos de cor aqui e ali.

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