#day490

Doze dias. Diz o calendário que é o tempo que falta para terminar mais um ciclo. Doze dias que, como sempre, vão passar a correr. Ou a voar. Provavelmente a voar, sim.

Doze dias que tinha prometido a mim mesma que seriam de descanso e dedicados apenas a mim. Não vão ser, claro. Porque não vale a pena fazer planos.

Não me queixo. Queria muito estes doze dias só para mim, mas não ter esse tempo é bom também.

Apetece-me esta época. De Natal, Yule, Solstício, Prazeres de Inverno, o que lhe quiserem chamar. Chamemos-lhe Natal para simplificar. Esta época que durante tanto tempo cheguei a odiar, que cheguei a pedir que o calendário andasse mais depressa. Aprendi, com o tempo, a não odiar, a apenas não ligar. Hoje, hoje apetece-me esta época.
Apetecem-me os jantares de Natal com amigos, ou apenas colegas de trabalho. Apetecem-me as prendas escolhidas para os outros, os meus. Apetece-me a azáfama na cozinha dos meus tios, o jantar à mesa cheia de tantos que éramos sempre. Que durante tantos anos éramos uns e hoje somos outros. Somos menos ao mesmo tempo que somos mais. Mas seremos sempre menos por muitos que cheguem entretanto.

Apetecem-me as prendas, mas apetecem-me mais os presentes. Os que estão. Apetece-me ser presente. Estar presente. Em casa dos meus tios ou em qualquer outro lado. Estar presente, Ser Presente. Porque estar, Ser, presente fui aprendendo que é a melhor de todas as prendas. Seja nesta data de calendário, seja noutro dia qualquer.

Apetecem-me os presentes. Os que estão. Como uma luz de presença. Daquelas luzes que me acompanham, que me guiam, que me estão, que me São.

Apetece-me o Natal. Apetece-me o Amor. Apetece-me a Cor. Apetece-me o Presente. Dar. Receber. Estar. Ser.

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