Monthly Archives: December 2015

{apetece-me poesia}

Apetece-me poesia.
Desenhos a lápis de cor.
Pinturas em aguarela.
Tela de pele com pele.

Apetece-me poesia.
Palavras escritas no papel.
Marcas de água em selos postais.
Partilhas em fusão.

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#day483

Voar. No tempo que é Tempo. Que é meu.
Nas nuvens, brancas de algodão, ou de cor, cores, Cor.

Vôo. Enquanto é Tempo. Enquanto há Tempo. E mesmo depois desse Tempo.

Estrelas que são pontos de luz, que são luzes de presença, que são pozinhos de perlimpimpim.

Lua que muda de cor, na fusão de cores. Vôo até ela, à Lua. E fico por lá. E com ela, nela, mudo de cor também. E permito-me ficar. Porque sim. Porque é lá o meu lugar. O lugar certo. No tempo que é Tempo. No Tempo que é meu.

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#day482

Acordar de manhã cedo com o telefone a tocar. Dizerem-me “alguém quer falar contigo” e, enquanto o telefone não chega até mim, ouvir a vozinha do Meu Dois a repetir “a tia é Linda! A tia é linda! A tia é linda!” para se desmanchar em risinhos e gracinhas quando finalmente me ouve. “Desde que acordou, às 7 da manhã, que andava com o telefone na mão a pedir para ligar para a tia”, dizem-me depois. Não falámos às 7, falámos às 9, quase até às 10. Porque, mesmo não tendo ainda três anos, tem muita coisa para contar e outra tanta para dizer. E porque quer a tia com ele, seja em casa do pai ou em casa da tia. “Quando o carro estiver bom, vens! Vens, tia? Vens!” vou, claro que vou! “A tia é linda!” e a chuva e a tosse e pintar e brincar e o mano e o pai e os sapatos do Homem Aranha e a avó e os bonecos e o frio e o Panda e os patinhos e tanta coisa que por vezes não se percebe tal é a pressa de contar tudo. “Tchau, tia” e desliga para ligar de seguida porque ainda tinha coisas para contar.

Acordar cansada, de manhã cedo, com mimos destes sem tamanho. Para voltar a adormecer aconchegada e conseguir, finalmente, descansar.

Dia preguiçoso, de domingo chuvoso, lento, lentinho. Sair por um bocadinho para um café e confirmar que os dias de chuva, mesmo que atrapalhem os dias de trabalho, não têm que ser chatos nem cinzentos.

Dia que se arrasta em tons de preguiça porque também fazem falta esses dias. E mesmo que chuvoso e frio e cinzento e lento, sempre com pontos de cor aqui e ali.

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#day481

“Entrega e confia”, digo a mim mesma constantemente. Hoje não foi excepção. Hoje foi repetir constantemente porque às vezes esqueço-me que tudo acontece como tem que acontecer, quando tem que acontecer. E apenas e só se tiver que acontecer.

Entrega e confia e sorri. Ainda que o sorriso hoje tenha sido mais difícil do que a entrega e a confiança.

Entrega e confia e mesmo que o sorriso não queira aparecer faço por me lembrar de todos os motivos que tenho, e são tantos, para sorrir.

Sol de aquecer, sol de aconchegar, sol de iluminar. Mas ainda assim faltou-me a cor, ainda que rodeada dela, de tanta, de tantas cores, de todas as cores. Rodeada de abraços apertados, de visitas que aconchegam, de pessoas bonitas porque o são de facto mesmo que o dia comece com as outras, as pequeninas e feias e completamente sem noção.

E o dia que se arrasta, com Sol sempre, com luz, com cor e com mentalidades pequeninas e formatadas e que me fazem pensar, tantas vezes, que eu não pertenço aqui, a este colectivo onde cada vez a única medida conhecida é a distância ao próprio umbigo.

Ainda assim entrego e confio. E não, o sorriso não sai. Aparece por momentos ao ouvir o Meu Dois que quer que a tia lhe chore ao telefone para que ele se ria, enquanto o Meu Um lhe diz que a tia está na feira e é melhor não chorar porque “depois as pessoas ficam envergonhadas e não compram nada à tia”. E o Meu Dois insiste para que lhe chore “para as pessoas não comprarem nada à tia!” e ri-se e quer ir para casa da tia já.

Entrego e confio e novamente o sorriso que se esconde. E que teima em desaparecer depois de mais uma ultrapassagem pela direita de sonhos que são vontades de sonho. Mais uma ultrapassagem que me dói e que por isso mesmo faço de conta, mais uma vez, as vezes que forem, faço de conta que não vi.

Entrego. Confio. O sorriso acabará por regressar. Porque já não passo sem ele e sinto-lhe a falta quando não vem.

Entrego. Confio. A cor que hoje me faltou estará de volta rapidamente. Porque tudo acontece como tem que acontecer, quando tem que acontecer, se tiver que acontecer.

Entrego. Confio. Mas não, hoje não sorrio.

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#day480

Não, nem todos os dias o Sol brilha. Ou, mesmo que apareça tímido, nem sempre aquece, nem sempre aconchega.
Ou, até, não aparece tanto tempo como se gostaria. Tempo suficiente para iluminar, aquecer, aconchegar.

Como hoje.

Mas basta acreditar que ele está lá, mesmo que escondido tímido por trás das nuvens, para saber que o calor acabará por voltar. Assim como a luz. E o aconchego.

O brilho, esse, procura-se em locais encantados, de magia, de histórias de príncipes e princesas e fadas madrinhas. E encontra-se sempre, desde que se acredite.

E eu quero continuar a acreditar nesse brilho, mesmo que o Sol se esconda tímido para lá das nuvens.

Não, hoje não foi um dia bom. Não foi mau, também. Foi apenas frio. E cansado.

E continuo sem Tempo.

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{há um ano}

um ano dizia que cá em casa não há árvore de Natal. Que, aliás, cá em casa não há Natal. Pelo menos não aqui, em casa.
Cheguei a pensar que, pela primeira vez em muitos anos, iria finalmente ter o meu Natal em minha casa. Enganei-me como me engano sempre que faço planos. Acabei por ter exactamente o Natal que não queria: fora de casa, acompanhada por grávidas e bebés.

Este ano continua a não haver árvore de Natal cá em casa. Mas, desta vez, por falta de tempo apenas. Porque, pela primeira vez em muitos anos, este ano quero ter árvore de Natal. Já não faço questão de passar o meu Natal em minha casa, como tanto desejei há um ano.

Aprendi a reconhecer um outro Natal que não aquele das decorações datadas e das prendas porque sim. Aprendi a olhar para esta altura do ano com olhos de quem observa e acompanha e sente ciclos. Aprendi que esta altura do ano é um fechos de ciclo, ainda que seja o início do Inverno.

Apetece-me a tal árvore que lhe chamam de Natal. Com decorações carregadas de símbolos e significados. Daqueles símbolos e significados que, finalmente, me dizem algo. Não as fitas e as bolas e as estrelas e as luzes só porque sim. Mas porque cada peça presente tem um significado específico neste final de ciclo.

Não, a árvore, a tal árvore que lhe chamam de Natal ainda não existe cá em casa. Tanto porque a tradicional árvore de plástico, mais ou menos farfalhuda, há muitos anos que não existe por cá como porque o tempo está contado ao minuto, ao segundo e ainda não me permitiu dedicar-me a ela. Não sei sequer se conseguirei ter essa tal árvore que alguns chamam de Natal e que eu prefiro chamar de Inverno. Não sei sequer se conseguirei concretizá-la como já existe na minha cabeça. Mas sei que mesmo que não consiga concretizá-la não ficarei triste por isso. Não sentirei o vazio que tantos anos me acompanhou nesta altura do ano.

Os símbolos e os significados estão comigo, estão em mim. A árvore, essa também. Assim como está presente também o Amor que existe sempre por cá, com ou sem árvore, em minha casa ou em casa de outros.

O meu Natal já o trago comigo. Trouxe com ele cor. E tudo o mais que só a mim e a meu Natal faz sentido fazendo sentir.

Não, cá em casa não há árvore de Natal. Ainda. E pode nem chegar a haver. Mas há tudo o resto. Tranquila e em paz.

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#day479

Fairy Godmother: At the last stroke of midnight, the spell will be broken.

Cinderella: Midnight?

Fairy Godmother: Midnight.

Cinderella: That’s more than enough time!”

Fadas e pozinhos de perlimpim, gnomos e feiticeiros.

Abrir as asas e voar. Céu Azul, imenso, intenso.

Viver a magia até à décima segunda badalada que marca a meia noite. Porque, à meia noite, tudo volta ao normal.

…e até à meia noite é mais do que Tempo suficiente.

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#day478

Dias sem histórias não significam dias sem História.

Não foi só trabalho, tendo sido apenas isso.

Cansada. Mas aconchegada. Tranquila. Certa.

Mais um dia de todos os dias que são os meus dias. Um dia atrás do outro atrás do um. E o que é, é de facto. O que for, será o que tiver que ser.

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{dos sonhos que já foram os meus}

Já tinha desistido deles, dos sonhos. Ou dele, o único que ao longo de tantos anos se manteve comigo.
Hoje não sei, já, se era sonho ou apenas vontade. Ou uma vontade de sonho. Sei apenas que durante tanto tempo era o que queria. A única coisa que queria, com todas as forças, fosse meu apenas se tivesse que ser.

Um dia percebi que há sonhos que não se alcançam porque não nos estão reservados. Não são para serem nossos. Ou assim pensava até ao dia em que parte desse sonho que era vontade ou essa vontade de sonho começou a tomar forma. Lembro-me da enxurrada de emoções, algumas contraditórias, outras apenas contrárias a tanta coisa. E lembro-me também da força da realidade que nos puxa de volta à Terra, numa espécie de Lei da Gravidade e que nos acorda.

Aceitei que a minha realidade não tem espaço para alguns sonhos. Ou vontades. Ou vontades de sonho. Aceitei há tanto tempo que cheguei a achar que seria sempre assim, uma vontade não realizada, um sonho não concretizado.

Aceitei novamente depois do regresso à realidade. E desisti. Abri mão. Repeti para mim mesma que essa realidade de sonho ou de vontade não me pertence. Não é para mim. Encaixei. Entranhei. Incorporei. Resignei.

Deixei de aceitar entretanto. Não sei quando, não sei porquê, não sei onde no caminho. Sei, sim, que ao mesmo tempo que digo que não quero cá dentro sinto-me a querer. E dou por mim a conversar comigo mesma e a dizer que já sabes que não, que não vai acontecer, porque o Tempo não pára, não espera e não pode ser. Como poderia? Não. Essa realidade não te pertence, digo-me. Repito-me. Tento aconchegar-me e abraçar-me, é possível abraçarmo-nos a nós mesmos?, e em jeito de embalo repito sozinha baixinho que não faz mal, não faz mal, não faz mal.

Os sonhos, ou vontades, ou vontades de sonho, sabem o caminho. Têm o mapa. Mas nem sempre adianta segui-los porque tantas vezes esse mapa, esse caminho, não leva a lado nenhum, em jeito de labirinto sem saída.

Não. Esse sonho, essa vontade, essa vontade de sonho não vai ser realidade. Porque, aceito, ou tento aceitar, há realidades que não me pertencem. Como esta.

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#day477

A medida dos dias. Mais curtos, mais longos, mais rápidos ou eternos.
Um dia atrás do outro atrás do um, claro. Sempre. Mas já sem pressa de sobrevivência. Sem pressa de alcançar o que já trago comigo. Em mim.

Sem Tempo para perder Tempo, sempre. Mas sem pressa de fazer planos que, já sei há tanto tempo, não vale a pena fazer. Porque “life is what happens when you’re busy making other plans”. E por isso não os faço. Os planos. Deixo fluir. Deixo ser. E agarro cada segundo como uma oportunidade única que não pode ser desperdiçada.

Não faço planos, mas traço objectivos. E se há um ano o objectivo era sobreviver, hoje o objectivo é Viver. E sorrir. Muito. O Tempo de chorar já lá vai. Sei que foi necessário para hoje saber sorrir. Mas já ficou para trás. Mesmo que lá à frente me espere novamente um Tempo de chorar. São ciclos, fazem parte. Mas sei que dependendo de mim, do Eu que sou hoje, o meu melhor lado é o sorriso.

Não faço planos, mas traço vontades. E a vontade hoje é aproveitar cada um dos dias que 2015 ainda me reserva. Cada um dos dias que ainda são meus, são do e o Meu Tempo. 2016 traz um dia extra mas já promete pouco Tempo para perder Tempo. E é também por isso que quero Viver cada um dos dias em que ainda dou dona do meu Tempo.

Novo ciclo que se aproxima. Com incertezas e outras tantas certezas. Não me assustam, no entanto, as incertezas. Assustam-me um bocadinho mais as certezas que, como os planos, por vezes não são tão certas assim. Mas não me assusta o calendário, que traz um dia extra, e que ainda não começou a ser contado e já está tão marcado.

Quero o Agora. Que é Aqui. Cada segundo que ainda me pertence enquanto dona do meu Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo. Este Tempo que é meu por poder dizer sim, por poder dizer quero, por poder dizer vou, por poder dizer estou, por poder dizer sou. Poderei dizê-lo sempre. Mas o calendário que ainda não começou a ser contado diz-me já que nem sempre poderei dizer vou, ainda que aceite, que queira, que esteja mesmo não estando, que seja mesmo não sendo.

E nada disto me assusta, nada disto me enfraquece, nada disto me dói. Porque a medida dos dias será aquela que for, que tiver que ser, se tiver que ser. E o calendário que ainda não começou a ser contado e já está tão marcado também me diz que vou continuar sem Tempo para perder Tempo.

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#day476

Descansar de manhã, regressar ao trabalho à tarde.
Aconchego.
Calor.
Sorriso.
Certezas.
Histórias ao ouvido.

Dia tranquilo.
Eu tranquila.

Tão bom.

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#day475

Ser árvore. É ser forte, para mim, por mim, para os outros, pelos outros.
É ter ramos que se estendem quando são necessários. Estão lá, sempre. Como estiveram hoje novamente, como estiveram ontem, como estarão quando forem necessários.

Mas também as árvores precisam, tantas vezes, de apoios quando começam a vergar com o peso dos próprios ramos. Quando só as raízes e a força que trazem em si não são já suficientes.

Tantas vezes que deixei de ver esse apoio. Via, mas não entendia. Hoje vi, entendi, aceitei e sorri, ainda que não tenha sorrido em escadinhas. Mas alcancei, ainda assim, o patamar do sorriso. Um abraço retribuído, uma visita inesperada ainda que quase fugaz, um toque firme. O suficiente para alcançar novamente o patamar do sorriso, mesmo não tendo sorrido em escadinhas.

O frio. Tanto. O cansaço após uma noite pouco dormida que me soube por uma noite inteira. Porque a senti assim. As árvores do Jardim, em particular a minha árvore.

Perceber que, de facto, a História se repete. Como as histórias. Com diferentes personagens porque o livro é já outro. E este livro, esta história, tão melhor que o livro anterior.

Perceber, também, que tudo tem um prazo. Esperado ou não, delineado ou não, ele está lá. Sempre. E o que fazer quando existe um prazo delineado? Deixar o Tempo passar até lá chegar sabendo que o que vem depois é tão diferente? Ou viver, Viver, esse Tempo sem ter Tempo para perder Tempo? Opto por Vivê-lo. O que vier depois é tão demasiado incerto. E eu estou Viva. E opto por Viver esse Tempo sem ter Tempo para perder Tempo.

Este Tempo é meu. Irei Vivê-lo. Contando os dias até ao #day500, daqui a 25 dias.

O que for Tempo depois desse Tempo, será.

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#day474

“Em fim de semana de feira não estou para ninguém. Nem para outros planos que não trabalho.” digo sempre.

Até que um dia me apetece quebrar as regras. Porque “uma coisa em forma de assim” me devolve ao Bairro Alto num sábado à noite. E há quantos anos não vinha ao Bairro?

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#day473

O dia hoje é teu, Carla. Teu e das lições que nos ensinaste. De Amor, de luta, de força, de coragem. Mãe Coragem, Mulher Guerreira. Sempre te chamei assim e será assim que te vou guardar.
O teu sorriso. De luz e amor. A tua generosidade. O teu tamanho imenso.

Nunca te disse, mas de todas as vezes em que te vi existia brilho à tua volta. Luz. Dizem que pessoas que brilham são especiais. E tu és. Não uso o passado porque as pessoas especiais nunca deixam de o ser mesmo quando deixamos de as ver. De as ouvir. Quando deixamos de poder tocar-lhes.

As pessoas que brilham, como tu, que têm luz própria mesmo que durante momentos de escuridão como tu tiveste, nunca deixam de ser especiais.

Descansa agora. E voa com asas de borboleta. Ou de passarinho azul! A recordar que foi através do passarinho azul reduzida a 140 caracteres que chegaste e tocaste tanta gente.

O teu sorriso, Carla, vou guardá-lo comigo sempre. O teu carinho. A tua garra. A tua força!

Hoje o dia é teu, Carla. O dia em que todos empobrecemos por nos teres deixado deste lado. Mas sei, sabes também, que desse lado vais continuar a tocar tanta gente com o teu sorriso de menina, o teu sorriso que agora é de Luz.

Obrigada por nos termos cruzado. E obrigada por tudo o que nos ensinaste. E obrigada pelo teu Amor.

……e é em dias como o de hoje que reforço que não tenho Tempo para perder Tempo. Porque há coisas que de tão pequeninas são insignificantes quando o que realmente importa é o Amor. É Viver todos os dias como se fosse o último. Porque o que ficou para trás já foi, e amanhã…amanhã quem sabe se sequer lá chego?

Até qualquer dia, Carla. E obrigada.

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#day472

De manhã, turista em Lisboa. Sol. Lua também, que ainda lá estava quando cheguei. Calor. Lá fora e cá dentro. Sorriso. Saltaricar e cantarolar.

De tarde, Kooka Patroa a orientar Kooka Costureira. O Natal está quase aí, há muito trabalho a fazer e pouco tempo disponível.

O Gaspar. O gato que não era meu, mas eu era dele.

O Azul.

O ano a chegar ao fim. Faltam 28 dias. E poucos dias depois desses 28 há novos ciclos a começar. Novos desafios.

Até lá, não tenho Tempo para perder Tempo. E mesmo por isso aproveito cada um desses 28 dias com toda a energia que trago comigo: Cor de Rosa. Porque este Tempo é o meu Tempo.

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#day471

Lá fora os dias estão mais frios. Cá dentro vão ficando cada vez mais aconchegados.
As noites do relógio mais longas. As minhas tranquilas.

Dias de Sol. E Lua. E sempre que as nuvens apareçam e com elas tragam sombra escolho colorir os meus dias. Porque as nuvens, essas, são apenas passageiras. A cor é permanente.

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#day470

Cansada, mas um cansaço diferente. Bom. Cansada de andar, tanto como há muito tempo não andava. Moída mas aconchegada. Às vezes estar sem carro pode ser bom. E hoje soube muito bem. Não ter horas, não ter pressa.

Hoje o oposto de ontem. Em tudo. Ontem a enxurrada de palavras sentidas e doridas. Hoje novamente a minha paz, a minha tranquilidade, o sorriso hoje onde ontem havia lágrimas. É preciso chorar às vezes. Deitar tudo cá para fora. Cair. E voltar a levantar-me. Porque já não sei ser de outra forma.

A cor, prefiro-a ao cinzento. A luz, prefiro-a à sombra. O sorriso, prefiro-o às lágrimas. A partilha, prefiro-a à desconversa.

Agora o merecido descanso depois de um dia longo. Mas bom.

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