#day23 out of 365plus1

“Tia, vai até à varanda. Agora espreita. Vês a Lua? Sabes que ela está mesmo aqui em cima de mim? Redondinha e muito brilhante! Está tão bonita, tia!”, diz-me o Meu Um.

“Quero ir para a tua casa já!”, porquê, pergunto-lhe, “Porque sim!”, responde-me o Meu Dois. “Vem para aqui. Podes vir para a aqui.”, respondo-lhe que vou assim que puder.

E falam alternadamente, o Um que viu “um avião da tropa e vi a ir para o aeroporto, que é aqui em frente. O aeroporto da tropa. Sabias que há tropas aqui na zona, tia?”, o Dois que “estive a lavar a loiça, esqueci de dizer a ti, tia! Fazes mais desenhos? Não esqueces de mim?”

O Um que está tão menino crescido, o Dois que se zanga quando o chamo bebé porque “eu não sou bebé, sou c’scido!” Os Meus Dois que são o Meu Tudo e que me enchem de mimos, cada um à sua maneira. Ainda que o Um raramente queira falar ao telefone e o Dois fale por ele, pelo irmão e por todos os carros e bonecos e invente histórias que podiam ser verdade, “tenho uma cama nova”, diz-me, “é mentira, tia! Não tem nada! O Filipe está a inventar outra vez!”, interrompe o irmão.

São meus. Tão meus. Os Meus Dois, os Meus Tudo. Já não são bebés, nenhum deles, mas são Meus.

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