#day75 out of 365plus1

Pergunto-me, por vezes, de que cor se pinta a correria da contagem dos dias para lá da minha janela. Do lado de cá vou pintando cada dia de sua cor, cada dia com um número próprio como um código cromático. E do lado de lá? De que cor se pintam os dias? Se forem sequer pintados. Ou serão apenas contados? Ou nem isso e apenas passados, corridos, um atrás do outro mas não atrás do um, apenas atrás de tantos ou até mesmo nenhum. Qual será a cor predominante do outro lado da minha janela marcada pela poeira dos pinheiros e pelos risos e sorrisos da chuva?

Pergunto-me, por vezes, se os dias de cores existem realmente ou se são invenção minha, da minha cabeça que de tantas vezes andar no ar já não sabe ao certo se os dias são realmente preenchidos de cor. Ou será tudo cinzento do outro lado da minha janela? Como num desenho a lápis de carvão que não é carvão mas sim grafite, como num desenho de um cenário do lado de lá da minha janela. E se for realmente a preto e branco, a vários tons de cinzento? A grafite ou até carvão?

Se for realmente a preto e branco, a vários tons de cinzento, a grafite ou até carvão, a minha cabeça diz-me que posso usar os meus lápis de cor e até os de cera. Diz-me, também, que posso arriscar a aguarela mesmo que a técnica seja precisamente o meu oposto. A delicadeza da aguarela contra a robustez do pastel. Arrisco o meu oposto, aposto na aguarela. Mantenho os lápis de cor. Preencho de cor cada um dos espaços em branco dos dias de grafite do outro lado da minha janela. Porque, diz-me a minha cabeça numa voz que suavemente se repete, todos os dias são de cor. E o cinzento tem cor própria e tantos tons como o arco-iris.

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