#day81 out of 365plus1

Contrastes. Sol, chuva. Calor, granizo. Céu azul, negro. Um escaldão na cara, sol quente; calças molhadas da chuva, mãos geladas do frio.
Um mesmo céu, tantas cores. Azul. Branco de algodão. Negro. Laranja fogo. Rosa malva.
 
…e percebo, de repente, que me tenho esquecido do meu caminho. Que me tenho esquecido de manter os olhos no horizonte. Não os tenho no chão, mas perdi algures o foco. Um dia atrás do outro atrás do um, sempre. Mantenho. Mas tenho-me esquecido que cada dia conta, que cada dia é único, que em cada dia há pequenas coisas que importam. Nem que seja o poder olhar para o céu e perceber a chegada das nuvens. Brancas, que lembram molhos de algodão, que dão vontade de mergulhar. Acompanhar o seu percurso, o seu ritmo, e perceber a mudança no céu. A transição das nuvens brancas de algodão onde apetece mergulhar para o tom metálico que escurece o dia e traz a tempestade.
 
As pequenas coisas, as que realmente importam. O Sol de fim de dia, aquela luz dourada e quente depois de mais uma chuvada fria. O arco-íris reflectido no rio, um arco perfeito a unir o norte e o sul. Nuvens cor de rosa depois das brancas e cinzentas. O pôr do Sol em laranja fogo num azul indigo de céu e mar.
 
As pequenas coisas. Não importa se frio ou calor, se mais ou menos sono, se mais ou menos luz.
 
As pequenas coisas que, às vezes, me fazem sentir novamente que não pertenço para, de imediato, me receberem de braços abertos porque estou onde devia estar no momento em que devia estar. Sem comparações que apenas servem para roubar o ânimo porque não há que comparar.
 
Estou onde devia estar no momento em que devia estar. Quando podia nem sequer cá estar, mas estou. Estou e sou eu e não os outros.
 
As pequenas coisas. Tão pequenas como entrar no café de manhã e depois de almoço e não ser preciso pedir e ser recebida, sempre, com sorrisos de toda uma equipa com quem me cruzo há pouco tempo. Sorrisos não de circunstância mas de boa disposição, seja na calmaria do pequeno almoço ou na tempestade do almoço.
 
As pequenas coisas. São as pequenas coisas que fazem cada dia valer a pena, cada dia contar. Sempre um dia atrás do outro atrás do um. Sem voltar a esquecer-me do foco, o meu foco. Que é já ali à frente, no dia seguinte. Sem pressa. Mas sem me acomodar ao ritmo da rotina, e já me acomodei mesmo não me apercebendo. Sem me acomodar ao ritmo da rotina que dita como são os dias, como se os dias nos fossem todos garantidos. E tenho-me esquecido do que aprendi à força, que não, os dias não são todos garantidos. Ontem já foi, amanhã quem sabe sequer se lá chego? Não posso continuar a esquecer-me. Porque o que importa são as pequenas coisas. Que acontecem aqui e agora. E teimo em cair no erro que amanhã tudo continua e segue o seu ritmo e o seu Tempo como se fosse certo o amanhã. E vou perdendo Tempo. Aquele que, durante tanto tempo repeti que não tinha Tempo para perder Tempo.
 
Porque o céu pode ser pintado de tantas cores, tão diferentes e em tão pouco tempo. Não posso manter-me acomodada a uma rotina que me faz perder Tempo. Aquele Tempo que eu não tenho Tempo para perder Tempo.

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