{fica difícil não ter medo}

Do medo:

fica difícil não ter medo. Fica difícil não ter medo quando chegas à estação do comboio e percebes que as ruas à volta estão cortadas pela Equipa de Prevenção e Reacção Imediata da PSP. O acesso ao metro também está cortado.
Ainda não entraste na estação e tens, na tua entrada, 2 PSP de metralhadora. Entras e encontras outros dois. Sobes ao primeiro piso e várias equipas duplas percorrem o átrio. Todos de metralhadora, coletes à prova de bala.

Fica difícil não ter medo. Já me habituei à presença das EPIR à saída da estação de manhã. E não todos os dias. Já as encontrei na plataforma. Não liguei.

Hoje ligo.

Fica difícil não ter medo.

Um Cais é como um aeroporto. Claro que é. É, no fundo, um porto. Uma porta de entrada e de saída. Fica difícil não ter medo quando olhas para o lado e vês uma EPIR a chegar. Quatro motos. Caras inicialmente tapadas. Coletes. Metralhadoras. 2 elementos entram no terminal com aquele que tu sabes que é o responsável máximo de segurança. O mesmo que te deu formação de procedimentos no terminal nem há dois meses. A teoria arrepia. A prática congela. E assusta. Os outros dois elementos da EPIR mantêm-se. Ao pé de ti. Armados de metralhadora. Coletes à prova de bala. Acabam por entrar no terminal mais tarde.

Fica. Fica difícil não ter medo. Mas seja aqui, Bruxelas, Paris, Istambul, onde for, o medo não pode condicionar movimentos. Não pode condicionar rotinas.

Amanhã há, de novo, Cais pela manhã e comboio de manhã e ao final do dia. Fica difícil não ter medo. Mas é preciso continuar a rotina.

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