Daily Archives: 28/03/2016

{alguém que me mande ir dormir}

Vá, alguém que me mande ir dormir, por favor.
Que me conte uma história. Que me cante uma cantiga de embalar. Que me leia um poema. Ou um excerto de um livro.
Que me faça um desenho. Colorido ou a preto e branco, não importa.

…o mundo lá fora é feio. E começo a ficar cansada dele.

Alguém que me mande ir dormir, por favor. Aconchegada na minha nuvem. Em noite de arco-íris.

image

#day88 out of 365plus1

Adormecer tarde ainda num registo de horário de Inverno, acordar em pleno horário de Verão, conflito entre relógio interno e relógio imposto. Lado positivo: voltar a sair de casa a horas de acompanhar o nascer do Sol. E já tinha saudades do nascer do Sol.

Uma moeda por um café. Um café que se queria quente e que arrefeceu em menos de nada numa manhã fria de Março. Uma moeda que deu troco do qual só me lembrei várias horas depois e já longe do Cais.  Lado positivo: ofereci um café a alguém. E aposto que sorriu.

Autocarros fora de horário que conseguem, ainda assim, cumprir horário. E ainda bem. Lado positivo: aprendi e dificilmente me esqueço.

Ritmo lento no escritório. Trabalho adiantado. Lado positivo: navios preparados até ao fim da semana, tempo livre para conhecer e estudar companhias, navios e tours.

E, ao mesmo tempo, cabeça dispersa por vários campos. Uns que me vão mantendo tranquila, outros que me preocupam. Dos que me preocupam há o campo que me sai por natureza, por laços se assim quiserem, campo do qual fiz questão de me afastar há muito tempo. Mas que volta sempre. Laços, dizem. E por muito que diga que não quero saber, que quero manter-me distante, preocupo-me ainda assim. Sabendo que pouco ou nada posso fazer porque não me compete, porque já fiz demasiado, porque já não jogo esse jogo.
Há, também, o outro campo, aquele que surgiu por acaso, do nada, de ontem ou de sempre, não importa. É o campo do Outro. Porque, sei, ponho sempre os outros em primeiro lugar quando devia pôr-me a mim. E aqui não me afasto quando, muito provavelmente, já o deveria ter feito. Aqui mantenho-me mesmo sabendo que pouco ou nada posso fazer. Não que me compita, porque também não me compete de facto. Mantenho-me sabendo que pouco ou nada posso fazer simplesmente porque essa sou eu. E preocupo-me sem laços. Ou, se calhar, com outro tipo de laços. Preocupo-me e estou onde sempre souberam encontrar-me.

Preocupo-me, estou aqui. Mas decidi que o meu lugar é aqui, assim, quieta. Não vou mais mergulhar atrás de navios num mar que, sei, não me levará muito longe da costa. Prefiro-me Cais. Porto de abrigo. Aqui. Presente. Nas coordenadas já conhecidas. Presente para quem quiser atracar, ou simplesmente precise de abrigo.

Prefiro-me Cais. Ou até mesmo Ground Control. Mesmo correndo o risco de perder os sistemas de comunicação.

image