#day88 out of 365plus1

Adormecer tarde ainda num registo de horário de Inverno, acordar em pleno horário de Verão, conflito entre relógio interno e relógio imposto. Lado positivo: voltar a sair de casa a horas de acompanhar o nascer do Sol. E já tinha saudades do nascer do Sol.

Uma moeda por um café. Um café que se queria quente e que arrefeceu em menos de nada numa manhã fria de Março. Uma moeda que deu troco do qual só me lembrei várias horas depois e já longe do Cais.  Lado positivo: ofereci um café a alguém. E aposto que sorriu.

Autocarros fora de horário que conseguem, ainda assim, cumprir horário. E ainda bem. Lado positivo: aprendi e dificilmente me esqueço.

Ritmo lento no escritório. Trabalho adiantado. Lado positivo: navios preparados até ao fim da semana, tempo livre para conhecer e estudar companhias, navios e tours.

E, ao mesmo tempo, cabeça dispersa por vários campos. Uns que me vão mantendo tranquila, outros que me preocupam. Dos que me preocupam há o campo que me sai por natureza, por laços se assim quiserem, campo do qual fiz questão de me afastar há muito tempo. Mas que volta sempre. Laços, dizem. E por muito que diga que não quero saber, que quero manter-me distante, preocupo-me ainda assim. Sabendo que pouco ou nada posso fazer porque não me compete, porque já fiz demasiado, porque já não jogo esse jogo.
Há, também, o outro campo, aquele que surgiu por acaso, do nada, de ontem ou de sempre, não importa. É o campo do Outro. Porque, sei, ponho sempre os outros em primeiro lugar quando devia pôr-me a mim. E aqui não me afasto quando, muito provavelmente, já o deveria ter feito. Aqui mantenho-me mesmo sabendo que pouco ou nada posso fazer. Não que me compita, porque também não me compete de facto. Mantenho-me sabendo que pouco ou nada posso fazer simplesmente porque essa sou eu. E preocupo-me sem laços. Ou, se calhar, com outro tipo de laços. Preocupo-me e estou onde sempre souberam encontrar-me.

Preocupo-me, estou aqui. Mas decidi que o meu lugar é aqui, assim, quieta. Não vou mais mergulhar atrás de navios num mar que, sei, não me levará muito longe da costa. Prefiro-me Cais. Porto de abrigo. Aqui. Presente. Nas coordenadas já conhecidas. Presente para quem quiser atracar, ou simplesmente precise de abrigo.

Prefiro-me Cais. Ou até mesmo Ground Control. Mesmo correndo o risco de perder os sistemas de comunicação.

image

{comentários}

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.