#day109 out of 365plus1

Um dia escrevo-te uma carta. Provavelmente de despedida. Porque um ponto final é, muitas vezes, uma despedida. Especialmente se essa carta não tiver resposta como tantas outras que te escrevi. Aquelas que tu não leste, aquelas que leste e não as soubeste para ti, aquelas que escolheste responder não respondendo.

Um dia escrevo-te uma carta. Se em papel ou não, não sei. Escrevo-te uma carta como te escrevo hoje. Ou em papel com envelope e estampa dos correios. Uma carta onde te digo adeus, onde te agradeço, onde te digo tudo o que nunca disse.

Um dia escrevo-te uma carta. Daquelas sem filtros. Onde não uso metáforas. Onde não pinto a cor dos dias mesmo que os dias por vezes não tenham cor. Onde me exponho crua, sem pudores nem receios.

Um dia escrevo-te uma carta. Mesmo que seja a última. Mesmo que não a leias. Mesmo que não chegue ao destino extraviada na rede do correio. Mesmo que nunca seja enviada.

Um dia escrevo-te uma carta. Não te direi nada que não saibas já. Não te direi nada de novo. Não te direi nada de nada. Porque essa carta que um dia te irei escrever é daquelas cartas que não sei escrever. De despedida. De adeus. De ponto final.

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