#day114 out of 365plus1

“Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar”

{Jorge Palma . Na Terra dos Sonhos}

Já o Mundo dos Sonhos é tão diferente. No Mundo dos Sonhos o céu pega fogo e as nuvens ardem. Há terroristas armados de metralhadora e cintos de explosivos escondidos no trajecto de todos os dias, pelo meio do mato dos caminhos de infância. Há autocarros com turistas que me têm como guia para um porto seguro, autocarro conduzido por uma colega de feiras que percorre os caminhos de sempre em sentido contrário. E onde nos cruzamos com eles, os homens armados de metralhadora e cintos de explosivos.

O céu pega fogo e as nuvens ardem enquanto mudo de cenário e me vejo com eles, os homens armados de metralhadora e cintos de explosivos,  em troca de um caminho seguro para o autocarro com turistas conduzido por uma colega de feira.

O céu não estava em chamas nem as nuvens ardiam antes, quando entrei no Mundo dos Sonhos. Quando passava no aeroporto, chegava às Partidas sem ser o aeroporto o meu destino. Quando me cruzei contigo e passaste por mim como se não me visses tendo-me olhado nos olhos. Seguias em direcção às Chegadas de uma sala de espera de hospital.

O céu não estava em chamas nem as nuvens ardiam quando nos cruzámos naquelas rampas de um Mundo estranho e tu me olhaste nos olhos, baixaste os teus e seguiste. E obriguei-me a acordar do sonho no sonho, sabendo que viajava no Mundo dos Sonhos querendo falar-te no Mundo que não é dos Sonhos. Mas foi ainda no Mundo dos Sonhos que não consegui ligar-te e o Céu pegou fogo e as nuvens arderam.

E foi ainda no Mundo dos Sonhos, com o céu em chamas e as nuvens a arder, que enquanto seguia num autocarro com turistas guiado por uma colega de feira que seguia em sentido contrário por caminhos de sempre cruzando-nos com homens armados de metralhadora e cintos de explosivos escondidos no mato dos caminhos de infância, entregando-me em troca de segurança para outros, foi ainda nesse Mundo dos Sonhos que repeti sem cessar a mesma pergunta que te fiz naquelas rampas de um Mundo estranho e hei-de continuar a repetir no Mundo que não é dos Sonhos: porquê?

No Mundo dos Sonhos o céu arde e as nuvens pegam fogo. A realidade e a fantasia cruzam-se. Encaixam-se. Existe resposta para tudo. Mas nem no Mundo dos Sonhos consigo a resposta que procuro.

image

{comentários}