#day150 out of 365plus1

Há quanto tempo não tinha dois dias seguidos sem horários, sem horas, sem programa? Não me queixo, muito pelo contrário, mas o corpo, esse, ressente-se de horários inconstantes, incertos e sem pausas.

Dois dias sem pressas nem pressões, apenas ser, apenas estar. E sentir, sempre. E construir cenários improváveis para personagens fictícias na minha cabeça, que teimam em querer saltar para o teclado, ganhar vida própria.

Sentir. Mesmo que o ar entre devagar. Mesmo que o corpo pese. Mesmo que a luz magoe os olhos, o som não entre, os cheiros não existam. Sentir sempre. Sejam as borboletas que por cá se mantêm, cada vez mais domesticadas mas prontas a bater as asas no meu estômago a qualquer momento. Seja aquela vontade de estar ali, lá, que não é aqui. Seja aquela vontade de ser. De lá, ali. Sentir, sempre.

Não procuro o Norte, nem busco luz de presença. Já não. Vou seguindo ao sabor dos dias. Sei que sei mais do que admito. Sei que sei mais do que é dito, falado. Porque leio. E sinto. E de novo aquela vozinha ao meu ouvido que me avisa, que me aconselha, que me confirma. Dificilmente se engana, essa voz. E por isso mesmo lhe dou ouvidos. E por isso mesmo espero, quieta. O Tempo há-de ser Tempo no Tempo certo. Já tive dúvidas. Hoje não tenho. Quando for Tempo, será o Tempo no meu Tempo. Espero, mas deixo a porta entreaberta. Já aprendi que não adianta deixá-la fechada à espera que alguém a abra. Fica assim, entreaberta, e no seu Tempo será passada essa porta. De cá para lá? De lá para cá? Não. A meio caminho.

Até lá, não me perco. A luz de presença que já não procuro está ali, sempre. E há tanto Tempo que ali está.

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