#day151 out of 365plus1

Falo tantas vezes daquela vozinha que me sussurra ao ouvido. Falo mais do que oiço, na verdade. Ou, pelo menos, falo mais do que a atenção que lhe dou.

Já devia saber que quando ela se instala, quando se faz presente, devia prestar atenção, ouvir o que me diz e agir em conformidade. E há já alguns dias que ela me acompanhava. Que me incomodava. Que quase me gritava. Há já alguns dias que ela me dizia que havia um elefante na sala.

Desvalorizei. Assumi que seria cansaço acumulado, apenas. Cansaço acumulado e inseguranças minhas. Medo de falhar. Mas aquela vozinha continuava lá. A sussurrar-me ao ouvido aquilo que eu não queria ouvir.

O elefante na sala existia. O elefante na sala era eu. Que todos viam, menos eu. De quem ninguém falava. E o elefante na sala, eu, lá continuava com uma vozinha a sussurar-lhe ao ouvido e a dizer que algo estava errado.

Tenho pena de não ter, mais uma vez, dado a devida atenção e a devida importância a essa voz. Já devia saber melhor. Já devia saber que essa voz não me mente. O desfecho talvez fosse o mesmo. Mas amorteceria o impacto da surpresa logo pela manhã.

Termina-se um ciclo. Dizem-me que, de algum modo, falhei. Talvez. Mas sei que tentei navegar neste mar, que tanto gozo me deu, da melhor forma que soube.

Termina-se um ciclo. E se ontem dizia que não procurava o Norte por não estar perdida, se de manhã dizia que ia correr tudo bem, neste momento não posso dizer mais do que isto: perdi o pé.

Termina-se um ciclo. Amanhã. Depois? Depois continuarei como sempre: um dia atrás do outro atrás do um. E a prestar a devida atenção ao que aquela vozinha que me sussurra ao ouvido me vai dizendo.

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