Daily Archives: 02/06/2016

#day154 out of 365plus1

O céu é o limite, dizem. Se é ou não, não é importante.

Há toda uma espécie de euforia neste momento que não faz sentido, que não entendo, que não quero. Quero os pés assentes no chão, ainda que a cabeça viaje por aí. Quero ir com cuidado, com calma, com segurança. Muita coisa mudou de um dia para o outro. Literalmente. Não mudei eu, continuo a mesma que era antes da mudança. Mas por algum motivo que não entendo há esta espécie de euforia que não procurei, que não quero, que não entendo mas que marca presença.

Estou segura de mim. Estou segura do que percebi há dois anos e que desde então tento negar até a mim mesma. Estou segura do que sei. Porque vi. Porque senti. Não o nego mesmo que me neguem a mim. Porque há coisas que não se explicam, sentem-se apenas e está aí tudo. Não adianta negar, fugir, ignorar. Está lá. E eu sei que não sou eu apenas a sabê-lo.

Há uma luta interior. Não é minha. A minha é outra. A minha é a luta para não abrir o jogo, para não entregar os pontos. Já resisti antes. Já o neguei a mim mesma antes. Hoje não nego. Mas não abro. Deixo essa luta interior, que não a minha, acalmar e apaziguar. O que tiver que ser será. Quando tiver que ser. Se tiver que ser. E será. Porque já é. Já tem sido. Continua a ser.

E de novo a euforia. Não, não sei. Digo que sei porque sinto. É aquela tal vozinha, a de sempre, que mo diz. Não quero dar-lhe importância, como nunca quero. Mas sei por experiência que essa tal vozinha não me mente. Mas e se essa voz for apenas resultado da minha imaginação, da minha vontade, e não a outra, a tal que me avisa?

Deixo-me ficar, marco presença, afasto-me mantendo-me por perto. A porta lá está, entreaberta. Vou espreitando mas não me atrevo a abri-la. Porque a tal euforia pode ser apenas ilusão. Vontade minha de uma qualquer realidade.

O céu é o limite, dizem. Mas eu quero manter os pés assentes no chão, mesmo que flutue, há tanto tempo, dois palmos acima do chão com a cabeça a voar por aí.

Tanto que mudou em tão pouco tempo. Tanto que mudou em tanto tempo mesmo que pouco ou nada tenha mudado. Mas hoje já não consigo negar a mim mesma aquilo que há dois anos ando a tentar negar.

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