Daily Archives: 10/06/2016

#day162 out of 365plus1

“Mente quieta, espinha erecta e coração tranquilo” onde, de longe e apesar de tudo, a espinha erecta é o mais fácil de manter. Coração tranquilo, sem inquietações de maior. Mente hiperactiva, que se esquece que o corpo está ali e é também ali que tem que estar. Quieta. Sossegada. Acima de tudo calada.

Mente inquieta que não pára de perguntar “o que queria aquilo dizer?”, seja aquilo de há um mês, um semestre, um ano, dois anos… Mente que se interroga, e me interroga, sobre o significado das coisas, sejam gestos, palavras, actos e atitudes, perguntas que foram mal respondidas.

Sim, ainda estou aí. No registo dos “porquê?”, da necessidade de tradução.

“Inspirar profundamente e alongar” e quando alongo lá vai ela de novo. Fazer perguntas, trazer memórias, rebuscar episódios que já estão lá atrás no tempo mas ainda aqui, presentes, nesta mente inquieta, irrequieta, que procura entender, procura perceber, procura explicação para o que não tem que ter outra explicação que não seja ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo, sem inquietações, não dança certo com uma mente inquieta, irrequieta, que interroga e tenta entender o que o coração tranquilo lhe responde e repete.

“Soltar o ar devagar” e manter a espinha erecta. A mente lá vai, solta. Quando devia estar aqui, está lá, a percorrer todo um calendário para trás, a visitar recantos da memória trazendo à tona pormenores que pensava já arrumados. E sempre a pergunta: porquê essa pergunta? E, mais repetitivo, porquê aquela resposta? Aquelas respostas… A minha que sei que não mudaria naquele tempo, mas que no Tempo que me é agora seria diferente. Mais simples. Mais clara. Mais directa. Mais sincera… Não que não o tivesse sido antes, simplesmente foi a única possível no olho do furacão.

“Respirar e relaxar” e a vontade de me levantar dali, correr atrás daquela mente inquieta, irrequieta, que é a minha mas não acompanha o corpo. Vontade de lhe fazer a vontade e procurar as respostas, as traduções, as explicações que não têm que ser mais do que ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo. Descompassado a tempos quando a mente grita ainda mais alto e distorce o que o coração sabe porque sente.

………ninguém disse que o caminho que se percorre a solo, ainda que não sozinha, era fácil. Ninguém disse que tranquilizar o coração era fácil. Ninguém disse que aquietar a mente era fácil. Ninguém disse que manter a espinha erecta era fácil. Mas respirar tornou-se mais fácil, mais simples, com o passar dos danos. E é a respirar, e a alongar, que vou mantendo o coração tranquilo, com mais ou menos dificuldades em manter as costas na postura correcta, correndo atrás dessa mente inquieta, irrequieta, que não se cala e não acompanha o corpo. E é também a respirar e a alongar que sigo o meu caminho a solo sem me esquecer de que não estou, nunca, sozinha. As respostas, as traduções, as explicações, essas chegarão se tiverem que chegar. Porque a mente não acompanha o corpo e por isso mesmo o corpo não faz as perguntas que a mente teima em querer respondidas.

Se eu podia ser mais simples? Se eu podia não ser tão complicada? Se eu podia não querer sempre respostas, traduções, explicações para tudo?

Não. Não podia. Porque simplesmente não seria eu.

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