#day163 out of 365plus1

Deita-te, respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. Diz-me o que pensas, diz-me o que sonhas, diz-me o que sentes.

Respira, relaxa. São apenas palavras que te peço. Palavras que traduzem o que não te sei ler. Palavras que me falam o que pensas, que me relatam o que sonhas, que me sussurram o que sentes.

Respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. Cruza as mãos no peito. Cruza os pés. Deixa-te ficar, assim cruzado em linhas de conversas fora de horas, sem pressa, sem rumo, sem horários ou destino. São apenas palavras que te peço. Cruzadas e entrecruzadas, do que pensas, do que sonhas, do que sentes.

Respira, relaxa. Não faças planos, não quero planos. Fala-me apenas do que vês nesse ponto fixo no tecto por cima de ti. De que cores o pintas, que desenhos lhe traças, que palavras lhe deixas. Como numa tela, conta-me os detalhes de cada traço, o pormenor de cada cor, o foco de cada ponto de fuga.

São apenas palavras. Respira, relaxa. Deixa-te levar por esse momento. Esse momento que é teu e desse ponto fixo no tecto por cima de ti. A quem falas, com quem partilhas o que vês, o que sonhas, o que sentes. Só tu e esse ponto. Como um ponto de fuga que guia e marca a perspectiva.

Não sou eu esse ponto fixo no tecto por cima de ti. Não sou essa tela. Não sou mais do que eu mesma, assim, como me sabes, como me conheces.

Mas sou eu quem te pede: fala-me do que vês, diz-me o que pensas, diz-me o que sonhas, diz-me o que sentes. Em troca das tuas palavras deixo-te um ponto fixo no tecto por cima de ti. Porque também eu, também tu, todos precisamos de um ponto de fuga. Para respirar. Para relaxar.

Deita-te, respira, relaxa. Fixa um ponto no tecto por cima de ti. E sê, simplesmente. Tu igual a ti próprio, com o que pensas, com o que sonhas, com o que sentes guardado para ti.

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