Monthly Archives: August 2016

#day226 out of 365plus1 

Cansa-me um bocado que me digam o que devo ou não escrever. Como devo ou não escrever. Cansa-me um bocado que me digam que me exponho demais. Que ninguém tem que levar com as dores, tristezas, o que lhe quiserem chamar. Cansa-me um bocado que me critiquem por estar online tal como estou offline: honesta, sincera e, acima de tudo, fiel a mim mesma.

Também me cansa um bocado estar online e observar as vossas vidas perfeitas, onde só existem sorrisos de felicidade que se calhar em tantos casos não são mais do que produtos de maquiagem, almoços e jantares e brunches e lanches saudáveis que ninguém quer saber, copos de gin atrás de copos de gin porque o gin está na moda e é obrigatório mostrar os gins que se bebem (ou não) para se ser aceite no rebanho da moda. Também me cansa um bocado estar online e observar as vossas férias no paraíso que, lamento informar, também não interessam a ninguém porque tantos outros também vão de férias e outros tantos não vão a lado nenhum. Também me cansa o ficar bem na fotografia para se dizer que se fez e se ajudou e agiu bem para receber aquela massagem no ego de quem necessita de aprovação de terceiros para se sentir realizado.
Cansa-me, também, que se matem a trabalhar como se fossem os únicos a fazer pela vida. Cansa-me que exponham o lado bonito das vossas vidinhas, aperfeiçoado por filtros e floreados e palavrinhas bonitas para parecer bem e ficar bem online quando, em tantos casos, não passa disso mesmo: vidinhas filtradas e floreadas e vazias, apenas carregadas de aparências.

Cansa-me, sobretudo, que me critiquem por expôr online quem sou. Sem filtros. Sem floreados. Sem palavrinhas bonitas mas vazias e carregadas de aparências. Esta sou eu. Na merda, absolutamente na merda e no fundo do poço há algumas semanas. A lutar contra uma depressão que teima em querer instalar-se e a não largar. Sou eu e as vozes na minha cabeça a gritarem-me o que fazer para acalmar a dor. Sou eu a lutar contra essas vozes e contra a vontade cada vez maior de lhes obedecer.

Exponho o que acho que devo. Há quem ache que me exponho demasiado como se fizesse uma pequena ideia, por mínima que fosse, de tudo o que se passa à minha volta. Do que me faz reagir de uma ou outra forma.

Curiosamente, só me criticam que me exponha quando estou na merda. Incomoda-vos? Acreditem, incomoda-me tremendamente mais a mim ser este o meu único escape. Porque a depressão é fodida, mas a solidão é filha da puta. E quando se juntam as duas só me resta tentar pedir ajuda escrevendo. Expondo-me.

Fico feliz pelas vossas vidas perfeitas, de sorrisos chapa 4, almoços e jantares e brunches da moda e lanches saudáveis. Os vossos baldes de gin que me lembram um consumo excessivo pela quantidade absurda que os vejo partilhados e que me levam a pensar se não terão um problema com o álcool ou, em alternativa, se não será só mais uma foto ao copo do vizinho para parecer bem no rebanho da moda do gin.

Lamento se a minha presença vos incomoda. Não se sintam na obrigação de continuar presentes quando, na realidade, 99% nem sequer estão na verdade. Se é só para aumentar números, sintam-se à vontade de reduzir um. Porque eu sou muito mais do que um número. Tenho nome. Tenho histórias e História. E tenho fases. Como agora uma fase que não é boa, nem sequer menos boa. É uma fase verdadeiramente má.

Uma fase em que preciso de ajuda, que sei que preciso, mas que não tenho vontade de procurar. Porque não quero. Porque estou cansada. Porque não quero virar um vegetal dopado sem reacção e a camuflar problemas que existem, que quero resolver e que me recusam a resolução.

Descompensada, chamaram-me há dias. Concordo. Sou a primeira a reconhecê-lo. Lamento, mas não vou pedir desculpa por este meu momento. Porque existem razões para ele.

Não peço desculpa. Mas decido retirar-me, afastar-me. Já pouco ou nada escrevo, sabendo que escrever me ajudou (muito) no tempo certo. Houve quem me tivesse dito que o que escrevia era doentio. Curiosamente a mesma pessoa que me incentivou a começar a escrever. Curiosamente a mesma pessoa que me recusou ajuda quando, há um ano e meio lhe pedi ajuda. Curiosamente a mesma pessoa que hoje se recusa a conversar. Conversar… Uma simples conversa. A mesma pessoa que me responde a um pedido de conversa com silêncio…… E esse silêncio diz-me tudo. Diz-me que há quem tenha memória curta, que há quem me ache doente pelo que escrevo, recusa uma conversa de adulto mas que se lembra que existo unicamente quando a necessidade aperta…
E esse silêncio contribui, e muito, para esta espiral depressiva em que me encontro. Com vontade de marcar o corpo para atenuar aquela dor que ninguém vê, mas que é real ao contrário do que tanta gente pensa.

A depressão é fodida. A solidão é filha da puta.
Sei que preciso de ajuda. Mas não a quero.

Não se preocupem. Não voltarei a escrever tão cedo. Porque já não faz sentido. Porque já não funciona.

E se partilhar alguma coisa que vos incomode, não se acanhem: unfriend me now.

Por aqui me fico. Talvez um dia cá volte a escrever. Quem sabe. Talvez não volte. Sei que vos será indiferente se não voltar porque não partilho festas, sunsets, sorrisos, viagens, almoços, jantares, brunches e lanches e muito menos pertenço ao rebanho da moda do gin.

Quem quiser, saberá o que fazer para me encontrar. Quem não quiser, é-me igual.

Lamento mais uma vez, mas recuso-me a pedir desculpa por ser quem e como sou: eu, igual e fiel a mim mesma. Sempre.

#day224 out of 365plus1 

A melhor das minhas noites é pior que o pior dos vossos dias… 

#day223 out of 365plus1 

O que fica do dia de hoje…? Fica que pode não haver “maneira certa”. Mas há sempre, SEMPRE, alternativas melhores. Mesmo que não sejam as mais fáceis. 

Há sempre alternativa na busca de soluções para um problema. Sempre. E sempre melhores.

#day222 out of 365plus1 

E depois há o Um e o Dois… 

{trocanterite} 

Em Maio falava da dor. Daquela física que se torna insuportável a cada movimento, a cada passo. Daquela dor, física, que se vai aguentando enquanto a vontade é de parar e chorar até que passe. Na altura lembrava-me do relatório de um raio-X de há três anos, quase tirado a ferros ao médico que me seguia na altura: sacroileíte. Achava eu, pelo seguimento dado na altura pelo médico, que seria uma simples inflamação ali na junção do sacro ilíaco. “Perca peso que isso passa”, disse-me. Aliás, para todo e qualquer problema que lhe apresentava a resposta era sempre a mesma: “perca peso que isso passa”. O mesmo médico que, ao olhar para os resultados das análises à tiróide alterados como sempre, de hipotiroidismo com tiroidite de Hashimoto (tiróide auto-imune), me disse simplesmente “não precisa de medicação nenhuma, isso está alterado, o que é que quer que eu lhe faça se isso é mesmo assim?”, sabendo eu há quase 20 anos que sim, é necessária medicação para compensar uma tiróide que não funciona e que é atacada pelo próprio sistema imunitário.
Escrevia eu em Maio sobre a dor. Presente há anos, ainda antes da primeira queixa a esse médico. Dor constante nas ancas, especialmente na direita, com episódios agudos e prolongados no tempo e de extrema dificuldade em andar, sentar, levantar e até dormir.

Há umas semanas, depois de mais um episódio agudo, voltei ao médico. Já não ao mesmo. Depois de tantos episódios com aquele, preferi fazer parte da estatística dos “sem médico”, tendo aquele sido atribuído como médico de família há relativamente pouco tempo antes do primeiro episódio de consultas que se resumiam sempre no mesmo: “perca peso que isso passa”.
Fui, finalmente, vista por alguém com olhos de ver. Que valorizou as queixas, que me ouviu, que me examinou para despistes, que avaliou o diagnóstico e pediu os exames que devia: raio-X às duas ancas + ecografia às partes moles da anca direita.

Hoje, dia de nova consulta. Outra médica. Apresentei os exames, resumi a história e vi, pela primeira vez, um profissional de saúde a mudar de cor.

Palavras estranhas sublinhadas no relatório e a primeira pergunta: “queres que te envie para ortopedia, não queres?”
A minha resposta foi obviamente que sim, como não? Seja lá o que for que o relatório diga eu quero ver isto tratado. Porque as dores são constantes há demasiado tempo…
“O mais certo é que te enviem logo para cirurgia. Isto já devia ter sido visto há muito tempo! Tu não tens idade para este tipo de lesões! Quem aparece em ortopedia com estas lesões são pessoas de, no mínimo, 70 anos! É raríssimo com a tua idade!”
Fez relatório de consulta e enviou pedido de consulta urgente para Ortopedia de Santa Maria. Garantiu-me que se perdesse peso obviamente que seria uma mais valia, até para a recuperação do pós-operatório. Mas sabe que Hashimoto e perda de peso não são compatíveis.
Agora é esperar uns meses mas “com a tua idade e com este cenário podes ter a certeza que vais ser chamada rapidamente”.

Trocanterite é palavra nova no meu dicionário. Acentuado processo de trocanterite é parte do diagnóstico.

Espessamento significativo das inserções tendinosas no grande trocanter.

Esclerose dos tectos acetabulares.

Esclerose das vertentes articulares sacro-ilíacas.

Diminuição dos espaços articulares.

Ou em português, como me disseram há três anos: “perca peso que isso passa”. Só que não.

Aos 39 anos tenho ancas de alguém com o dobro da minha idade. E, garanto, tenho dores que não desejo a ninguém.

Enquanto espero pela carta de Santa Maria, se houver algum especialista na sala que se queira pronunciar, agradeço. Muito. Nem que seja sobre dicas de como aguentar as dores, ou aliviá-las, até ser finalmente vista por um especialista. Os químicos não resultam, já experimentei.

Já tinha tantos motivos para gostar do outro médico. Hoje junto-lhe mais um… (e sim, tenho muita vontade de apresentar queixa na Ordem, embora provavelmente não resolva nada).

#day221 out of 365plus1 

É tão demasiado fácil fazer deixar de doer… 

#day220 out of 365plus1 

Continua a dar-me gozo. Se calhar não tanto hoje como há um ano. Mas tantas outras coisas me dão menos gozo hoje que há um ano… 

Comecei a questionar. A ter dúvidas. Valerá a pena continuar? Especialmente com todas as limitações recentes, até que ponto valerá a pena insistir? Ou será persistir? Já não sei sequer. 

Sei, e magoa-me, que ao fim de 11 anos ainda há quem ache que é uma espécie de brincadeira, um passatempo. Que ir para a feira é pelo convívio e pouco mais. Há, ainda, quem não leve a sério o que faço. Ou não leve muito a sério, pelo menos. Há quem critique. Quem torça o nariz. Quem desvaloriza. Mas foi este caminho que escolhi para mim. E por isso quem critica este caminho critica-me a mim. Desvaloriza-me a mim. E, ao fim de todos estes anos em que lidei com essas atitudes sem lhes dar importância, hoje vacilei. E comecei a questionar. Tudo. O trabalho. A qualidade. A escolha. 

Não é um passatempo. Não é um emprego. Não pelo menos de horário fixo das 9h às 5h, com folga ao fim de semana, férias garantidas e ordenado com data de entrada na conta bancária. É um trabalho. Aquele que eu escolhi para pôr comida na mesa e pagar as contas que, como todos os outros, também tenho para pagar. Se já foi mais fácil? Sem dúvida. Mas não é isso que me faz vacilar. Se assim fosse já teria vacilado há alguns anos, no entanto mantive-me firme no meu caminho. 

Não hoje. Hoje não estou firme. Hoje duvido do valor do que faço. Da qualidade do que sai das minhas mãos. Mesmo que os clientes do fim de semana me mostrem o contrário. Duvido e questiono tudo. 

Existem várias limitações neste momento. Que eu quero, e preciso muito, ultrapassar. Mas quando desvalorizam o que faço, o caminho que escolhi, as limitações parecem-me, pela primeira vez, muito maiores. 

Continua a dar-me gozo. Continuam a nascer projectos no mundo das ideias todos os dias. Que adorava concretizar mas que vou juntando a todos os outros que há já muito tempo preenchem a gaveta de “um dia faço”. 

Já estive mais longe de desistir. Muito mais longe de desistir. Hoje, sinceramente, não sei se não o deva fazer… 

#day218 out of 365plus1 

A verdade é que sinto a tua falta… 

#day216 out of 365plus1 

Por vezes, basta alguém querer perder algumas horas noite dentro para nos ajudar a aterrar. 

Obrigada, Xi. 

💜

#day215 out of 365plus1

A minha cabeça é, neste momento, um lugar feio. Escuro. Muito pouco sossegado e nada silencioso.
Falta-lhe cor, mas não lhe falta som. Aliás, ruído. Ruído provocado pelo eco daquelas vozes que me acompanham. Que me gritam. Que me criticam. Que me gozam. Que me insultam. Que me acusam. Que me fazem duvidar de mim mesma para além de todos os outros. Vozes que me dão as respostas, certas ou erradas não importa, que a ausência, a distância e o silêncio não me dão.

São essas vozes que não me deixam, novamente, dormir. São essas vozes que me sussurram soluções para acalmar a dor. A dor que não é física mas é real. São essas vozes que me repetem que mereço essa dor, merecendo ou não. São elas que me guiam por caminhos que não quero mas que são tentadores. Novamente aqueles caminhos escuros, onde a voz, a minha voz, não quer sair. Aqueles caminhos sem saída fácil. E onde é tão fácil entrar e onde é tão confortável deixar-me ficar. Mesmo com o eco constante das vozes…

Escrever ajuda a acalmar as vozes. Ou, pelo menos, a reduzir o volume dos gritos, das críticas, das acusações.  E por isso escrevo. Ou tento continuar a escrever. Cada vez tenho menos vontade de escrever. Cada vez escrevo cenários mais negros. Doentios, se quiserem rotular assim o que escrevo.

Não escrevo para ser lida. Escrevo para exorcizar. Escrevo para me impedir de seguir os caminhos que as vozes na minha cabeça me indicam e que garantidamente me iriam acalmar a dor. Já ouvi estas vozes antes. Já ouvi estes conselhos antes. Já ouvi estas soluções. Não foi fácil resistir-lhes. Como não está a ser fácil agora. É tão mais fácil deixar-me ir, deixar-me levar por estas vozes.

Mas não quero. E por isso escrevo. Tento continuar a escrever. E tenho cada vez menos vontade de o fazer.

Há muito tempo que não dizia isto: não se preocupem se escrevo, seja mais ou menos bonito, mais ou menos colorido, ou pelo contrário mais ou menos dorido. Preocupem-se, sim, quando deixar de o fazer. Aí já terei desistido de manter à tona. Aí já terei optado por qualquer um dos caminhos que as vozes na minha cabeça me indicam. E é tão fácil deixar-me guiar por essas vozes…

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#day214 out of 365plus1

Recuperar o foco.
Novamente um dia atrás do outro atrás do um dia. Todos os dias. Todo o tempo que for preciso.

Continuar a fazer de conta. Fazer de conta que os últimos dias não foram como foram, com a violência e intensidade que foram.

Vai passar. Dizem-me. Digo. Repito até à exaustão se for preciso. Talvez um dia seja real, talvez um dia seja verdade, talvez um dia passe. Por agora é fazer de conta que esqueço por um bocadinho e que estou focada no que interessa. Não estou. Mas faço de conta.

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