#day286 out of 365plus1 

Tinha deixado a porta entreaberta. Um dia decidi fechá-la. “É apenas temporário. Hei-de voltar a abri-la”, disse. Disse-lhe. Disse-te.

Bati à porta há pouco tempo, a medo. Que não estivesse ninguém em casa. Mas estava. Não foi preciso esperar para que me abrissem a porta assim que toquei. Entrei. E saí. Foi visita rápida. Quase visita de médico. Mas o suficiente para perceber que ainda lá mora alguém que me abre a porta. 

Voltei a tocar à campainha. Desta vez não me era necessário que abrissem logo. Como previsto, demorou a chegarem à porta. Não entrei. Aliás, entrei mas não passei da entrada. Não quis. Ali era o suficiente para o que me levou a bater à porta desta vez. Demorei-me um pouco mais desta vez, ainda assim. 

Saí e deixei a porta por fechar. Ela ali está, entreaberta. Sei que, se quiser voltar a entrar, terei que voltar a tocar à campainha. Afinal, mesmo com portas entreabertas não se entra em casa de ninguém sem tocar à campainha. 

Ela ali está, a porta. Entreaberta. Sei que, afinal, ainda lá mora alguém. A porta, à minha saída, ficou entreaberta. Mas não queria ser eu a tocar novamente à campainha quando uma porta pode ser usada nos dois sentidos. 

Fechar novamente a porta? Mantê-la entreaberta? Fechá-la novamente não faz sentido. Já não faz. Mantê-la entreaberta pode ser uma opção, mas tenho medo das correntes de ar que a possam fechar. 

Entretanto, fico deste lado, do lado de fora. Até decidir se volto ou não a tocar à campainha. 

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