{da desvalorização das dores} 

Da desvalorização da dor na infância e adolescência com “isso são dores de crescimento” ou “perca peso que isso passa”: aos 39 anos, são 2 destas, por favor.

Não desvalorizem as queixas dos vossos miúdos. Se o médico desvalorizar com supostas dores de crescimento ou o peso um bocadinho acima, insistam. As queixas existem por algum motivo, a dor está lá e é preciso perceber a real causa.

Durante anos ouvi que a dor que tinha na anca era dor de crescimento. E que, se perdesse um bocadinho de peso, passava. Ou que “isso foi um mau jeito qualquer”.

Deixei de crescer. Perdi peso. Ganhei. Voltei a perder. E o mau estar sempre lá.

Hoje dizem-me: já passou, há muito tempo, o momento de tratar e prevenir um mal maior. Tenho comigo uma bomba relógio na anca direita e uma anca esquerda também em muito mau estado.

Não há nada a fazer à anca direita a não ser substitui-la. Colocar prótese. Mais tarde na esquerda também. Não avançamos já para a prótese porque, mais uma vez me dizem, sou demasiado jovem para este cenário e colocá-la já vai trazer problemas antes do tempo. Por enquanto é muita fisioterapia para tentar atenuar outro dos problemas da anca. Nunca menos de 20 a 30 sessões intensas. Daqui a 6 meses reavalia-se. Até lá é proteger ao máximo para que a bomba não detone.

Sim, já podia ter sido detectado o problema há muito tempo. Quando me queixei pela primeira vez com dores na anca. Não tinha mais de 10 anos. Mas estava a crescer. E estava um bocadinho acima do peso. Rodeada de médicos como cresci, nem um valorizou a dor.

Não desvalorizem as dores dos vossos miúdos. Especialmente quando se tornam demasiado presentes.

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