#day298 out of 365plus1

Escrever sempre me foi natural. Escrever sobre tudo, mas especialmente sobre o que trago cá dentro. Sempre foi uma espécie de terapia. De exorcismo? Muitas vezes de catarse, sem dúvida. 

Raramente leio o que escrevo. E, se e/ou quando o faço, faço-o apenas para mim. 

Hoje já não escrevo tanto no éter. Faço-o em papel, a caneta ou lápis. Do que deixo no papel pouco, muito pouco, é partilhado no éter. O que o lápis deixa marcado no papel é para ser trabalhado no plano físico, não exposto a outras leituras que não apenas a minha. 

Raramente leio o que escrevo. Nunca tinha lido em voz alta nada do que escrevi. E se, muitas vezes, o processo de escrita é doloroso, ler em voz alta o que o lápis deixa marcado no papel chega a ser violento…… 

Percebo que é importante esse passo. De respirar fundo e verbalizar. Ler em voz alta o que escrevo. Mesmo que me sinta violentamente agredida pelas minhas próprias palavras, é um processo necessário para uma espécie de libertação. Mas, acima de tudo, de aceitação. 

Escrever é-me natural. Sempre o foi. Confrontar-me com o que escrevo, dizendo em voz alta cada uma das palavras que marquei no papel, é estranho. Difícil. Doloroso. Violento. Mas necessário. 

Ninguém disse que ia ser fácil… 

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